Requião para presidente: combatendo o rentismo e a mídia hegemônica

Requião
Foto: reprodução internet

“A PEC congela praticamente tudo, menos os juros da dívida interna, que nunca foi auditada”, denuncia Requião ao convocar os brasileiros para debater a PEC 241 (ou 55). Segundo o articulista, dois temas cruciais da nossa realidade credenciam, politicamente, o senador paranaense como o melhor candidato a presidente do Brasil.
De Salvador-Bahia – Eu queria ser um blogueiro influente para lançar o senador Roberto Requião (PMDB-Paraná) para presidente da República. Temos mais dois bons candidatos no campo popular e das esquerdas: Lula, se a conspiração da Globo/Lava-Jato não lograr êxito, e Ciro Gomes (PDT).
Mas eu preferiria Requião (o condicional é uma “homenagem” à sua inviabilidade partidária). Por que? Porque Requião, além de bom de briga, nacionalista comprovado, progressista, desenvolvimentista, atuante contra a corrupção, pela integração soberana da América Latina e aberto à luta pelo socialismo, investe em duas áreas, na minha opinião, fundamentais:
1 – A luta contra o rentismo. Gosto de dizer, nesses tempos em que se fala tanto de combate à corrupção – corruptos contumazes exibem nas telas das TVs sua moralidade hipócrita -, que a verdadeira corrupção que suga o dinheiro do orçamento brasileiro são os juros e amortizações pagos pela chamada dívida pública.
Do orçamento da União executado em 2015, no valor total de 2,2 trilhões de reais, foram destinados em torno de 900 bilhões de reais, 42,43%, para as contas dos rentistas (banqueiros e outros especuladores que compram títulos do Tesouro Nacional, cuja identificação é mantida em sigilo), referentes ao pagamento de juros e amortizações da dívida.
Só para se ter uma ideia do gigantismo que tais números representam, registre-se que o orçamento da Saúde no mesmo 2015 foi 4,14%, enquanto que o da Educação foi 3,91% (em torno dos 80 bilhões de reais, cada um).
Convocação para debater a PEC
Esta tal dívida interna (e também a externa) teria que ser auditada, se fossem cumpridos dispositivos da Constituição de 1988. (Todos esses números podem ser checados no site da Auditoria Cidadã da Dívida Pública: http://www.auditoriacidada.org.br/blog/2013/08/30/numeros-da-divida/ ).
Os monopólios dos meios de comunicação de massa no Brasil nunca vão divulgar tais números e explicar ao povo brasileiro como esta sangria se dá, se processa, se consente, se esconde. Com a ditadura midiática sob a qual vivemos nunca este escândalo será conhecido, estudado e compreendido pelo povo brasileiro.
Nesta semana Requião, através dum vídeo (Conversa franca e séria sobre a PEC do FIM DO MUNDO), está convocando os brasileiros para um debate sobre a PEC 241 (PEC 55 no Senado), onde desmascara as mentiras que tentam ocultar os interesses dos rentistas, o “engodo neoliberal” do governo golpista presidido por Michel Temer.
Desconstrói, didaticamente, os argumentos dos defensores da PEC, bolada a serviço dos ricos e defendida pela mídia, com “os bancos financiando os grandes jornais e redes de televisão”, como ele diz.
“A PEC congela tudo, investimento público em infraestrutura, financiamento de empresas brasileiras, congela praticamente tudo, menos os juros da dívida interna, que nunca foi auditada”, explica, prevendo a quebra do país e a revolta do povo trabalhador. (Para ver os 13 minutos do vídeo de Requião: http://www.viomundo.com.br/denuncias/requiao-preve-guerra-civil-e-diz-que-a-pec-do-fim-do-mundo-cassa-antecipadamente-o-mandato-do-proximo-presidente-da-republica.html ).
2 – A segunda área que merece a ação destemida de Região já foi, forçosamente, mencionada acima: o combate à mídia hegemônica, a luta contra a Globo e demais veículos cúmplices, donos ainda das “verdades” dominantes, apesar da resistência e contraditório da blogosfera progressista e dos “guerrilheiros” das redes socais.
A batalha midiática é a batalha da democracia
Destaco o papel de Requião não apenas quanto à denúncia dos escandalosos monopólios, do abandono de critérios jornalísticos e consequente partidarismo dos noticiários e quanto à luta pela democratização das concessões de rádio e TV. Neste particular, penso que há um grande consenso entre as forças de esquerda.
O destaque aqui é por se tratar de um dos pouquíssimos políticos brasileiros com consciência da necessidade da construção duma mídia contra-hegemônica. Ou seja, a construção duma rede de órgãos de comunicação de massa – tanto da mídia tradicional, como da digital -, capaz de enfrentar o dia-a-dia da batalha midiática, hoje, por excelência, a batalha fundamental da democracia.
(Além de Requião, identifico apenas mais um, pelo menos de acordo com o acompanhamento que faço quase diariamente sobre o tema: trata-se do professor Roberto Amaral, ex-presidente do PSB e ex-ministro de Lula, que já vi se lamentar do fato de lideranças de esquerda não terem um meio de comunicação de massa para dialogar com os trabalhadores, com o povo).
O desempenho de Requião à frente do governo paranaense (nos dois dos seus três mandatos, entre 2003-2010) é uma demonstração eloquente da sua disposição de enfrentar a tirania midiática, inclusive através de mídias alternativas. Foi dele a célebre sugestão ao governo Lula para que se criasse uma poderosa emissora de TV para dar testa à Globo. Em vão como se sabe.
Basicamente por estes dois temas, sou Requião para presidente. (Apesar da fase tormentosa pela qual passamos no Brasil, a audácia dos nossos estudantes secundaristas nos dá o direito a sonhar e a ter esperanças).
PS.: Hoje está na onda se cobrar autocrítica das esquerdas e particularmente do PT, até entre os próprios petistas. Seria um debate instigante, mesmo porque estes dois itens referidos acima talvez sejam bastante requeridos numa autocrítica petista. Valeria outro artigo.
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, Diário de Notícias, Estado de S.Paulo e Movimento. Depois de aposentado virou blogueiro e viajou pela América do Sul e Caribe.

Um comentário sobre “Requião para presidente: combatendo o rentismo e a mídia hegemônica”

  1. Uma questão: como andaria uma campanha à presidência de Requião (ou das outras alternativas que você mencionou) e, eleito, como sobreviveria seu eventual mandato debaixo do sistema político apodrecido que temos? Não seria o caso de, antes de se lançar qualquer candidatura, entrarmos todos na luta sem dó por uma reforma radical de tudo que está aí travando o andar da nossa história?

Deixe uma resposta