
Se o Brasil se tornou alvo
Das ofensivas de Trump
Não foi por causa do “outro”
Mas porque tem doravante:
Articulação com o BRICS
Um importantíssimo mix
De contraponto global.
E a linha Bioceânica
Fiel a sua semântica
Ligação regional.
Entre o Atlântico e o Pacífico
Que a ferrovia unirá
É ser o elo estratégico
Que ao Brasil caberá.
Entre a Ásia e o Mercosul
Qual um exímio taful
Está com a bola outra vez.
Além disso, tem por sina
Ligar a América Latina
Ao Sul Global siamês.
Mas o estopim da crise
Foi quando ousou confrontar
Estruturais interesses
Das big techs e autuar.
A regulamentação
Que levou à votação
Plataformas digitais
Despertou desde o início
Lá no Vale do Silício
Seus demônios boreais.
As gigantes big techs
A Meta, o Google e a Amazon
A Apple e a Microsoft –
São patrimônio de Washington.
Filhas da credulidade
De irrestrita imunidade
A qualquer legislação.
Havendo normas, alijam
Até mesmo quando infrinjam
Preceitos de outra nação.
Facebook, Whatsapp
Instagram, Twitter-X
Território marginal
Pra se dizer o que diz.
Assim a extrema direita
Chafurda e depois se deita
Pra chafurdar novamente.
No mundo da distopia
O que se crê e se cria
Não existe realmente.
Fake News por todo lado
Versus desinformação
O ódio pulverizando
A mentira em cada grão.
Depois plantados no peito
De quem vulnerável feito
Pela mão da vilania.
Que o deixa assimilável
No mundo incivilizável
Carente de tirania.
Tio Sam não vai ceder
Nem o Brasil o fará
A taxação é por isto
E isto é o que será.
A guerra já começou
O berrante já berrou
É híbrida, fria e simbólica.
O fuzil são think tanks
São algoritmos, são banks
E economia sistólica.
São dois projetos de mundo
Entre si incompatíveis
Rompidos explicitamente
Claramente inflexíveis.
De um lado, soberano
O Brasil republicano
Em busca de autonomia.
Do outro, um império em crise
Cuja maior expertise
É roubar a geografia.
Martim Assueros
28/8/2025
Imagem: Código Aberto, 19/7/2025
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.
