Reitor da UFF suspende Conselho Universitário que discutiria o REUNI e convoca polícia para reprimir estudantes

Leia a seguir nota dos estudantes da UFF, de 24 de outubro, em repúdio às ações do reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, em relação à reunião que discutiria plano de reestruturação da universidade.

“Ele sabe que a UFF é contra o REUNI e não respeita os colegiados e a comunidade universitária. Por isso, no dia 23/10, Roberto Salles abusou do autoritarismo. Pela manhã suspendeu o Conselho Universitário (CUV). À tarde emitiu nota informando que retirou o projeto de adesão da UFF ao REUNI de pauta e o remeteu para a Comissão de Orçamento e Metas do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFF. À noite, chamou a polícia, que esteve na reitoria com mandado de reintegração de posse contra a ocupação da reitoria e o acampamento de luta pela moradia no Gragoatá (há mais de um ano lá instalado).

Professores, alunos e técnicos-administrativos ainda entravam no cinema. Não eram nem 9h15 do dia 23/10 e, antes que as pessoas sentassem, o CUV foi suspenso. Alguns até demoraram a entender o que estava acontecendo, mas logo a perplexidade deu lugar à consciência. Era isso mesmo, alegando que os funcionários tinham sido impedidos de entrar para trabalhar, o reitor da UFF, professor Roberto Salles, suspendeu o CUV que discutiria, votaria e, com certeza, rejeitaria o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). A chuva continuou lá fora, mas a revolta e a indignação com tamanha falta de respeito esquentaram o lugar.

E não era pra menos. Ao suspender o conselho, já tendo marcado e desmarcado a mesma reunião, Roberto Salles provou muitas coisas. A primeira delas é que tem medo da comunidade universitária e, a segunda, é que não respeita sequer os conselheiros que discutiram o REUNI em suas unidades e estavam ali para votar o projeto. No cinema, mais de 500 pessoas foram desconsideradas e, para além delas, todo aluno ou aluna, professor e professora, funcionário ou funcionária que participou das assembléias, debates e reuniões ao longo de seis meses. Alguns lembrariam em seus protestos que jamais o CUV discutiu tão amplamente uma questão a ser votada. O autoritarismo do reitor fez chacota do empenho que a UFF vem fazendo desde abril para discutir o REUNI.

O movimento unificado na UFF contra o REUNI, formado pela Associação dos Docentes da UFF (ADUFF), Sindicato dos Trabalhadores da UFF (SINTUFF) e Diretório Central dos Estudantes (DCE) criticou a atitude de um grupo isolado de estudantes que bloqueou a entrada da reitoria e impediu o acesso dos funcionários. De acordo com o movimento, todas as decisões estão sendo tiradas em assembléias coletivas e não cabe a nenhum grupo tomar atitudes individuais. O bloqueio não foi decidido nas instâncias unificadas que vêm conduzindo todas as atividades contra o REUNI e serviu apenas para ser usado como pretexto por Salles que, não fosse esse, certamente usaria qualquer outro para evitar a vitória da comunidade universitária.

Novo golpe à tarde – o autoritarismo continuou avançando na tarde de 23/10, quando, através de uma nota, o reitor informa que retirou o projeto de adesão da UFF ao REUNI de pauta e o remeteu para a Comissão de Orçamento e Metas do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFF, para que esta comissão receba sugestões e críticas, fixando o prazo de 17 de dezembro para envio da proposta ao MEC. Ou seja, em minoria no CUV, por força das decisões do colegiado, tomadas a partir do debate democrático, remeteu sua proposta já repudiada para uma comissão que não foi instituída com esse fim, portanto, sem legitimidade, para maquiar a proposta e, com novos golpes, tentar enfiá-la goela abaixo da UFF em dezembro.

E o reitor sabe que isso não será fácil, pois os que estavam lá ontem (23/10) perceberam que a disposição dos movimentos é manter a pressão para que a vontade majoritária da comunidade seja respeitada. Permaneceram no cinema 32 conselheiros que aprovaram, com o conjunto dos presentes, uma série de encaminhamentos, entre eles: reiterar a rejeição do REUNI, manter a mobilização e expor em um cartaz, a foto de todo conselheiro que votar contra a decisão de sua unidade. Na parte da tarde, os estudantes que lá permaneceram decidiram iniciar uma ocupação na reitoria, de forma a impedir que um novo golpe, como uma convocação às escuras do CUV, fosse dado.

Reitor coloca polícia na UFF – enquanto isso, ultrapassando os limites do autoritarismo, Roberto Salles solicitou mandado de reintegração de posse contra o acampamento da reitoria e o acampamento de luta pela moradia no Gragoatá (há mais de um ano lá instalado). No momento do fechamento desta edição (às 22h do dia 23), a Polícia Federal já havia comparecido ao Campus do Gragoatá e à reitoria para informar que faria a desocupação à força na manhã do dia 24/10.

Para maiores informações, entrar em contato com:
Daniel – (21) 9964-9242
Stela – (21) 8728-1279

Deixe uma resposta