Capa de uma Veja de 1992, quando ainda era uma revista.
Não morria de amores pelo regime militar nem se identificava com seus genocídios e atrocidades. Só que, sendo um administrador por excelência, estava sempre ao lado do governo, qualquer que fosse o governo.
Mas, o 1º choque do petróleo levara de roldão o milagre brasileiro, o período de vacas magras teve início e o eleitorado paulista de repente descobriu que ditadura não prestava…
Então, para manifestar seu repúdio aos militares, votou maciçamente num obscuro ex-prefeito de Campinas.
Azarão eleito não por seus méritos, mas em função dos deméritos do regime de exceção, Orestes Quércia deslanchou a partir daí sua carreira, fazendo-se um dos políticos profissionais mais nocivos da História do Brasil.
Sua assinatura está impressa na tibieza com que a Nova República abordou o entulho autoritário, na descaracterização da Constituição de 1988 (graças a ele, flexibilizaram-se ao máximo as exigências para a conversão de vilarejos em municípios, arrombando os cofres públicos), na desmoralização da atividade política (é dele a imortal frase “quebrei o estado de São Paulo, mas fiz meu sucessor”) e na trajetória negativa cumprida pelo PMDB até tornar-se o maior partido fisiológico do País.
Agora, presta serviços de jagunço a José Serra e Geraldo Alckmin, desferindo os golpes baixos que não caem bem na boca de um candidato.
Eis alguns, no evento “Unidos por São Paulo e pelo Brasil”, promovido pela coligação PSDB-DEM-PMDB nesta terça-feira (13), na região de Santo Amaro, Capital:
“Ela [Dilma Rousseff] só pegou em arma, não pegou em nada mais. Ela não é experimentada”.
“Uma pessoa que começou ontem como encanador, vai fazer cano furado para tudo quanto é lado”.
“[Dilma foi escolhida como candidata] porque todos aqueles políticos que tinham experiência foram eliminados pelo mensalão (…) e isso é uma afronta para o Brasil”.
Pegar em armas contra um estado totalitário que generalizou as torturas e as matanças exigia uma estatura moral muito além do horizonte de um Quercia, daí a facilidade com que ele repete, como papagaio, as mais repulsivas falácias das viúvas da ditadura.
Mas, seguindo o exemplo de Cristo, talvez devamos perdoá-lo, pois não sabe o que diz.
O que não é o caso de Aloysio Nunes Ferreira Filho. Este participou da luta armada na ALN de Carlos Marighella, foi condenado com base na Lei da Segurança Nacional, amargou o exílio e só pôde voltar com a anistia de 1979.
É inacreditável que esteja acusando o Governo Lula de montar “uma máquina mortífera” e faça afirmações como estas:
“Tem o PT com seu velho radicalismo, com as velhas idéias de amordaçar a imprensa (…), outra ponta dessa engrenagem é o sindicalismo comprado (…). Temos o Incra entregue ao MST, temos o desrespeito à lei de uma política externa que corteja os ditadores mais sanguinários da face da Terra. E é contra esse sistema de poder que nós vamos eleger o Serra e o Geraldo”.
Parece carro que perdeu o freio na descida da ladeira. Está despencando de tal forma que nunca conseguirá voltar à superfície.

É inacreditável! Muito do que diz o Aécio circula nos emails como verdades absolutas convencendo pessoas crédulas de que a luta contra a ditadura foi ruim e cruel e que aqueles que lutaram contra a ditadura devem ser punidos.
É muito difícil acreditar num país com tais condições. Mas eu sou brasileira, não é?! ‘Não desisto NUNCA!’
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