Às vezes, é possível se ficar em estado literário, sem que se esteja lendo ou escrevendo. Basta ter um livro por perto, ou nele pensar. Hoje, por exemplo, fiquei com as Histórias Extraordinárias de Edgar Allan Poe enquanto estava sentado na sala.
Apenas folheei, lendo os títulos: “Os crimes da rua Morgue,” “O escaravelho de Ouro.” Pensei em “A queda da casa de Usher.” E só isto, a capa do livro, a lembrança das histórias, me aquietou. Fiquei em estado literário, ou quase.
Outras vezes, pensamos em um livro, ou em outros que lemos ou leremos, e já ficamos perto desse estado a que os bons livros nos levam. É bom termos esta proximidade dos livros. Isto pode ser útil como forma de passar o tempo. Como um modo de encontrarmos prazer de maneira rápida e barata.
O tempo passa, passa de todas formas, e pode passar de maneira muito leve, na proximidade de um bom livro, ou de vários. Agora há pouco, li dois poemas de Fernando Pessoa nas Ficções do interlúdio. Essas breves linhas já me descansaram bastante.
Não se precisa ler o livro inteiro, ou livros inteiros. Ontem li de novo a primeira página de La mala hora, de Gabriel García Marquez. O padre Ángel acordando, lavando as mãos, entrando na nave da igreja. O amor nos tempos do cólera, que li até que o Prof. Juvenal Urbino e a sua história encontram a de Firmina Daza depois da epidemia de cólera. Livros começados são já um bom caminho.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
