
Por Hildeberto Barbosa Filho
Qualquer homem carece,
inteiro, de uma cidade.
De uma cidade inteira
como é inteira a verdade.
Qualquer homem carece
de outro homem, inteiramente.
De outro homem que, como ele,
queira-se inteiro homem,
internamente.
Qualquer homem carece
de uma mulher.
Carece de outra mulher que seja
inteira como é inteira uma avenida,
como é verdadeira uma cidade.
Como é inteira uma cidade
com seus bairros mortos e arredores
postais, de sonhos urbanizados.
Qualquer homem carece
de uma mulher, inteira e espaçosa
e aberta como um deserto.
Qualquer homem não é nada
se não se perde pelas dunas
de uma mulher amada.
De uma mulher,
planície estendida e agreste
que se entrega e se alarga,
tantas mulheres
como qualquer cidade.
Do livro “Nem morrer é remédio – Poesia reunida”, de Hildeberto Barbosa Filho.
