
Defesa de membros do núcleo crucial da organização criminosa preveem um clima de “guerra” nas sessões em que Alexandre de Moraes vai ficar frente a frente com Bolsonaro e seus principais cúmplices na tentativa de golpe.
“Estou preparado para uma guerra”, declarou um dos advogados que acompanhará os depoimentos dos membros do núcleo crucial da organização criminosa golpista comandada por Jair Bolsonaro (PL) que acontece a partir das 14h desta segunda-feira (9) na primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
A estratégia de guerrilha desenhada pelos advogados é focada especialmente em Mauro Cid, que será alvo de uma saraivada de perguntas e acusações, na tentativa desesperada dos acusados de desqualificar o delator.
O ataque mais forte contra Cid deve ser disparado pelo advogado de Braga Netto, José Luís de Oliveira Lima, o Juca, que fez uma das sustentações mais duras, chamando o tenente-coronel de “mentiroso”, na sessão em que o STF transformou os indiciados em réus, em março.
“O colaborador Cid, que mente — e mente muito —, apresentou um vídeo para sugerir um suposto vínculo do general Braga Netto com os manifestantes. No entanto, tratava-se de um encontro no Palácio da Alvorada, sem qualquer relação com os atos nos quartéis”, argumentou.
Apenas Braga Netto deve acompanhar as sessões por videoconferência. Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira estarão ao lado de Cid.
Eles serão ouvidos por ordem alfabética após o interrogatório do delator. A previsão é que Bolsonaro preste seu depoimento na quarta-feira (11).
Esta será a primeira vez que o ex-presidente estará fisicamente no mesmo ambiente que Cid, com quem conviveu diariamente nos quatro anos de seu mandato.
Bolsonaro convocou os extremistas para acompanhar as sessões e tumultuarem o chat da transmissão, que será transmitida ao vivo pelo canal do YouTube do STF e replicada por diversos perfis.
Os réus estarão em um banco especialmente preparado para eles, em frente aos ministros da Suprema Corte. O interrogado sentará à frente do grupo em uma mesa.
Foto: Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes na sessão da 1ª Turma do STF que o tornou réu. Créditos: Ascom / STF
