Privatização transforma Maracanã em estádio para rico

Por causa da pressão popular, o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou que não irá mais demolir o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros, que fazem parte do Complexo do Maracanã.

Por Carlos Antônio Fróes e Breno Rodrigues

A demolição dos centros esportivos estava nos planos do governo e do consórcio Complexo Maracanã Entretenimento S.A, formado pelas empresas Odebrecht, IMX e AEG, que vão explorar o Complexo. Desde o anúncio das demolições, o governador foi alvo de diversas manifestações durante a Copa das Confederações e nos jogos de estreia do Maracanã. Também não será mais demolida a Escola Municipal Friedenreich, referência no ensino público da cidade. Pais, alunos e apoiadores comemoraram.

No dia 21/8, manifestantes ocuparam a sede da Odebretch, na Zona Sul. Eles exigiram ser recebidos pelo presidente do consórcio, João Borba. Na ocasião, o Comitê Popular Rio da Copa e Olimpíadas e a Frente Nacional dos Torcedores-RJ divulgaram um documento. O texto exigia “administração pública” do estádio, ou seja, a anulação imediata da privatização; “uso público” do Maracanã para servir ao esporte, cultura, lazer, saúde e educação; e que seja um “estádio popular”, com preços acessíveis e setores populares. Também querem o respeito ao trabalho de ambulantes e camelôs no entorno do Complexo em dias de jogos. “Queremos que o Maracanã volte ser nosso e com preços populares”, disse Gustavo Mehl, representante do Comitê Popular Rio.

Ingressos caros e serviço ruim

As mudanças deixaram o estádio muito bonito e luxuoso, mas é para quem tem dinheiro. “Para a população é ruim”, diz o torcedor Alex Lobo. Com os novos preços ele diz que agora tem que se sacrificar para conseguir ir ao estádio. “Eu vinha sempre com minha família, agora venho sozinho porque não dá para eu pagar a entrada da minha mulher e dos meus dois filhos”, lamenta.

Jornal alemão elogia manifestações

Em junho houve protestos no Brasil inteiro. Alguns deles foram contra as exigências que a FIFA e o Comitê Olímpico Internacional (COI) fizeram ao governo brasileiro para a realização da Copa do Mundo. De acordo com o jornal alemão Zeit, os brasileiros que foram às ruas fizeram o que os alemães deveriam ter feito: “Finalmente uma democracia se levanta contra a Fifa, uma entidade antidemocrática”. E mais: “As principais federações desportivas terão de repensar as suas condutas. Isso será bom para todos, incluindo atletas e competições, os quais antes só ficaram às margens nesses eventos. Por isso: obrigado, Brasil!”.

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