Preso o corrupto. E os corruptores?

A prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ganhou, corretamente, amplo destaque nos meios de comunicação de massa. No entanto, para além da super-exposição das imagens que flagraram repasses vultuosos de dinheiro, há um vasto campo jornalístico inexplorado. Em primeiro lugar, ainda está para ser feito o resgate do histórico político do governador preso, sobretudo nesse ano em que os brasileiros vão votar para presidente, governadores, deputados e senadores. Nesse sentido, me parece fundamental recordar que Arruda foi filiado ao PSDB durante seis anos, tendo sido candidato ao governo do Distrito Federal pela legenda em 1998. Em 2001 ele vai para o PFL e no ano seguinte é eleito deputado federal. Em 2006 é eleito governador.
Além disso, há um dado fundamental omitido pelas corporações de mídia. Quem são as empresas PRIVADAS que participaram do esquema do Arruda? Reportagem de Gilberto Nascimento, publicada na CartaCapital, revelou que as mesmíssimas possuem contas do governo do estado de SP, administrado por José Serra, do PSDB. Será que não há interesse público no conhecimento das empresas corruptoras? Será que essas empresas não afetam direta e indiretamente a vida do cidadão?
Por trás das águas turvas das enchentes em sampa e da violência policial (que recentemente reprimiu manifestantes com gás de pimenta) há todo um rol de fatos jornalísticos que, compreensivelmente, não chegam ao conhecimento da maior parte do povo brasileiro. A essa altura do campeonato, falar de Arruda sem contextualizar sua relação com o PSDB, o DEM e determinadas empresas privadas é o mesmo que navegar na superficialidade.

6 comentários sobre “Preso o corrupto. E os corruptores?”

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  2. 1] Por que a exemplo do que fez tantas vezes com o PT, a mídia não parte do fato policial para resgatar o passado e o presente das relações políticas do demo José Roberto Arruda? 2] Por que esquece –ou esconde?– entre outras coisas, que Arruda foi nada menos que líder de FHC na Câmara Federal? 3] Por que a mesma amnésia subtrai ao leitor que Arruda era a grande –e única– ‘revelação administrativa’ dos demos [sobretudo depois do fiasco Kassab], e nome natural’ para ocupar a vice-presidência na coalizão demotucana liderada por Serra? 4] Por que, súbito, abriu-se um precipício de silencio midiático sobre as relações entre Serra e Arruda, omitindo-se, inclusive, ‘o simpático’ simbolismo da sintonia capilar entre ambos –mencionada por ninguém menos que o próprio governador tucano em evento conjunto em 2009? 5] Por que a obsequiosa Eliane Catanhede, da Folha, e os petizes da Veja, que tantas e tantas linhas destinaram a enaltecer a determinação de Arruda em ‘cortar o gasto público’ –e ainda o fazem na ressalva ao ‘bom administrador que tropeçou na ética’, segundo Catanhede– sonegam aos seus leitores a auto-crítica pelo peixe podre que venderam como caviar? 6] Por que, enfim, o esfarelamento da direta nativa abrigada nos Demos não merece copiosas páginas de retrospectiva histórica, que situe para os leitores a evolução daqueles que, como Arena e PFL, foram esteio da ditadura e da tortura e hoje são os aliados carnais de José Serra? (Carta Maior e a Quarta-feira de Cinzas da mídia demotucana)

  3. No Brasil, para se fazer uma revolução, basta ser republicano e aplicar as regras do republicanismo pois nossa elite, que é a mais podre da américa Latina, sempre entendeu que a lei é para ser aplicada para os de baixo. “Aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. As elites sempre se sentiram acima da lei, e, se presos, ne querem ser algemados. Pode uma coisa dessas?

  4. Mais:
    Cinco empreiteiras doaram R$ 6,8 milhões à campanha eleitoral de Kassab; em troca, receberam da prefeitura demotucana de SP R$ 243 milhões em contratos pagos em 2009. O montante corresponde a 12% de todo o investimento feito pelo ‘Pitta do Serra’, cassado agora em primeira instância pela Justiça Eleitoral. Com a prisão de Arruda por corrupção, no Distrito Federal, e o naufrágio de Kassab em SP, por incompetência e crimes eleitorais, a eleição de Serra passa a ser a última esperança da extrema direita brasileira para voltar ao poder. Ao mesmo tempo, 2010 é a última estação do serrismo antes de mergulhar no túnel da irrelevância. É a Santa Aliança dos desesperados.
    (Carta Maior, com informações Estadão e agências; 22-02)

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