Precisamos de mais Marias

Foto: Marcelo Theobald/Extra
Foto: Marcelo Theobald/Extra

Eu preciso recordar a opinião estúpida — desculpa a expressão, mas a estupidez é só isso, estúpida — de um “sociólogo” (ou algo assim) que sugeriu que se o Estado não faz justiça, a população “dá seu jeito”.

Essa opinião foi exposta em um jornal carioca antes do que sabemos agora: Cleidenilson, o menino selvagemente linchado no Maranhão até a morte, jamais respondeu na Justiça por qualquer delito, tampouco tinha passagens na polícia. Era só selvageria mesmo.

Os milhares de pessoas medíocres que aplaudiram o justiçamento de Cleidenilson — e são milhares, postando com orgulho pelas redes sociais o ocorrido — não tem um milésimo da dignidade e lucidez da madrasta do jovem. Ela disse:

“Tudo o que a gente pede, agora, é que haja justiça. Não quero vingança, não quero nada disso, até porque não tenho esse coração. Que a polícia descubra quem fez isso, e que ele pague diante da lei, que vá para a cadeia. Não quero nem pensar em matar ninguém.”

O repórter do Jornal Extra colocar para ela: a cena foi comparada a dos tempos da escravidão.

“Para mim, faz todo o sentido. É isso que a gente quer, pessoas amarradas no tronco, apanhando? Será que desejamos mesmo isso de volta? Não sei nem se essa gente é humana de verdade, porque é algo que não se faz”, acrescenta Maria José Pires.

E, em mais um chamado à empatia, completa: “Queria saber de que maneira eles [os assassinos] conseguem comer… Como vão dormir? Como se banham? Como vão olhar para aquele poste e lembrar do que fizeram com Cleidenilson? Se ele fez coisa errada, que segurassem e chamassem a polícia, para deixar que a justiça condenasse. E só.”

Para nos tornamos realmente humanos, não precisamos de mais “estudo”. Precisamos apenas de empatia, de solidariedade e crença no ser humano. Precisamos de mais Marias. Com mais Marias nesse mundo, teríamos mais justiça feita dentro do devido processo legal, de modo mais ágil.

A matéria: http://glo.bo/1Hk5qsQ

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