Portugal teme repressão política

Há menos de um mês das eleições legislativas portuguesas, o canal aberto TVI cancelou o Jornal Nacional de Sexta, apresentado por Manuela Moura Guedes, jornalista e membro da direção de informação do canal.
A ex-cantora entrou para o mundo jornalístico em 1995 ao ser destacada para apresentar o informativo diário, que foi levado ao ar pela última vez em junho, quando saiu de férias. Marcado para voltar no dia 4 de setembro, foi com surpresa que o público português ficou sabendo da suspensão do programa.
A notícia levou à demissão em bloco da direção de informação e das chefias na redação da TVI. De acordo com o comunicado da Mediacapital, os funcionários que se demitiram permanecem trabalhando até à nomeação de nova direção, programada para esta semana ainda.
A suspensão do jornal, considerado uma referência no jornalismo português e com grande audiência, ganhou o status de polêmica nos meios de comunicação do país. A ex-apresentadora do Jornal Nacional, Manuela Guedes, é casada com José Eduardo Moniz, também jornalista e ex-diretor geral da TVI até agosto deste ano. Moniz, agora vice-presidente da Ongoing Media, acionista da SIC, concorrente da TVI, havia afirmado que a sua saída não afetaria a de sua esposa.
Com a proximidade das eleições legislativas, que serão realizadas no dia 27 de setembro, há quem afirme que a decisão é uma afronta à liberdade de expressão. O atual primeiro-ministro, José Sócrates, candidato à reeleição, haveria afirmado recentemente que a ex-âncora do informativo da TVI era o “aríete do ‘jornalismo transvestido’ e da perseguição política de que se diz vítima. O cancelamento do programa estaria então diretamente relacionado às críticas à Manuela Guedes.
As eleições legislativas portuguesas vão eleger toda a XVIII Assembleia Constituinte do país, incluindo o cargo de primeiro-ministro. Portugal é uma república desde 1910, com regime parlamentarista.

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