Por uma nova Reforma, por João Batista da Silva (cordel)

Em um texto de Alder Julio
Eu encontro inspiração
Para expressar um conteúdo
Via poetização,
Da poesia uso a norma
E retrato UMA NOVA REFORMA
Que se encontra EM GESTAÇÃO.

Fundamentos democráticos
São pleitos dos cidadãos
Baseados em um novo modo
De consumo e produção
Numa relação perfeita
De respeito com o planeta
E eficácia na gestão.

As falsas democracias
E seus modos de produção,
O trato com a Natureza
E o modelo de gestão
São pobres eticamente
E “atentam mortalmente”
Contra a humanização.

A vergonhosa ganância
Pela acumulação…
É a causa da riqueza
Em grande concentração.
Muitas mãos são desprovidas,
Poucas mãos abastecidas,
Verdadeira “aberração”.

“Compartilhar um sentimento”
De profunda “inquietação”,
Mas também de esperança
Frente à situação
Da Igreja e Sociedade
É uma necessidade
De todo e qualquer cristão.

Cinco décadas após
O Vaticano II
É oportuno imergir,
Dar um mergulho profundo
Nas águas turvas da Igreja
Numa atitude que enseja
Mostrar Jesus Cristo ao mundo.

A hierarquia da Igreja
No seu mais alto escalão
“Tem contido a Ferro e fogo”
O “ímpeto de renovação”
Do Vaticano II
Um concílio tão fecundo
E aberto à transformação.

Na igreja cristã católica
É clara a hegemonia
Mantida durante séculos
Na sua hierarquia.
O exercício do poder
É vertical pra valer
Do centro à periferia.

Apesar da rigidez
De estruturas seculares
Que se encontra em vigência
Nos diversos patamares,
Tende a nascer algo novo
Do sonho de uma igreja povo
Presente em alguns lugares.

A fim de que as mudanças
Tenham concretização
Na igreja cristã católica
Depende de cada ação.
Acontecem lentamente
De uma forma persistente,
“Tomam tempo, mas virão”.

Em diversas lideranças
No nosso catolicismo
Em vez de existir diálogo
Existe autoritarismo,
A “evangelização”
Em vez de libertação
Fortalece o conformismo.

Os teólogos tem sofrido
Em ocasiões sucessivas
Por parte do Vaticano
As medidas punitivas.
Liberdade de expressão
Tem sofrido repressão
De forma clara e expressiva.

Conferências episcopais
Já sofreram intervenção
E integrantes do clero
Receberam punição
Por causa da simpatia
Por uma Teologia
Que busca a libertação.

Alguns padres que tiveram
Participação ativa
Nas CEBs e Pastorais
Autênticas e combativas
Também repressão sofreram,
Pois, de fato, receberam
As “medidas punitivas”.

Institutos teológicos
E seminários fechados
Por parte da hierarquia
Tem sido esse o resultado
Com o fim de reprimir…
E assim poder impedir
Um ensino humanizado.

Hans Kung que foi colega
Do Papa Bento XVI
Sobre a Igreja Católica
Afirma com altivez
Que nesse pontificado
A Igreja não tem avançado,
A reforma não se fez.

Diz que o pontífice não fez
Do Vaticano II
A “bússola” pra toda a igreja
Espalhada pelo mundo,
Pois, do Vaticano as normas
Não propiciaram reformas
De caráter mais profundo.

O teólogo Hans Kung
Por meio de carta aberta
Aos bispos do mundo inteiro
Faz um oportuno alerta.
Imbuído de esperanças
Diz que pra fazer mudanças
Essa é a hora certa.

Hans Kung apela aos bispos
Para o silêncio romper
Com relação ao papado
Que sempre tende a deter
Os avanços da Igreja
Com uma ação que não enseja
A reforma acontecer.

Da colegialidade
Faz a recomendação
Em quaisquer das pastorais
Como critério de ação.
Pedro, sozinho, não mandava,
Aos apóstolos consultava
Para tomar decisão.

Afirma que a obediência
Dita incondicional
Por meio do juramento
À autoridade papal
Pode ser questionada
E unicamente prestada
Ao grande Deus imortal.

Com grande amor à Igreja
Pela qual tem muito zelo,
Não só o teólogo Hans Kung
Faz esse “profético apelo”,
Muitas organizações
Sonham com transformações…
Não tem meros pesadelos.

O Movimento Internacional
Chamado “Somos Igreja”
Expressa uma aspiração
Que reflexões nos enseja,
Uma igreja de liberdade
Pautada na igualdade
Que Jesus Cristo deseja.

Há um sonho que a Igreja
Seja realmente igual
Na qual o povo de Deus
Eleja o bispo local,
Que Roma assim reconheça
E toda a Igreja exerça
A prática dialogal.

Uma igreja de acolhimento
E jamais de punição
Aos teólogos e teólogas
De pura convicção…
Defensores da igualdade,
Do diálogo e da liberdade
De pensamento e expressão.

Também o “somos Igreja”
Em documento enfatiza
Que a mulher na igreja
Possa ser sacerdotisa,
Não é pensamento vão,
É sonho do povo cristão
Que um dia se concretiza.

Uma igreja de liberdade
Um dia será um fato
Com direito de escolha
Da vida de celibato,
Mas também padre casado
Possa ser designado
Membro do presbiterato

Que na Igreja o celibato
Não seja uma imposição,
Mas o ministro ordenado
Possa fazer opção,
Sendo solteiro ou casado
Possa atender o chamado
E ser fiel à vocação.

Uma igreja que propicia
A flexibilização…
Se adéqua a um novo tempo
Sem ferir a tradição,
No mundo se atualiza
E ordena sacerdotisa
Pra consagrar vinho e pão.

Dentro da Igreja Católica
Há um sonho sendo sonhado,
É que um novo concílio
Seja então realizado
Para não perpetuar…
E assim poder superar
Um modelo… ultrapassado.

Assim o “Nós somos Igreja”
De modo claro e aberto
À nossa Igreja no mundo
Conclui o seu manifesto
Fazendo a declaração
De que prossegue a ação
Na busca do rumo certo.

Caminha-se na perspectiva
Do Vaticano III
Com as Igrejas Cristãs
Presentes no mundo inteiro
Respeitando-se mutuamente
E ecumenicamente
Com diálogo verdadeiro.

Um concílio ecumênico
De caráter universal
Para efetivar na prática
Uma postura dialogal
Entre as Igrejas cristãs
Verdadeiramente irmãs
Rumo ao Pai celestial.

Um concílio ecumênico
De conteúdo e teor
Que viabilize de fato
O sonho do Redentor,
O seu desejo tamanho
É que haja um só rebanho
E também um só pastor.

Uma igreja dialogante
De decisão horizontal
Com o povo protagonista
No meio eclesial
No qual o clero e o laicato
Tenham um falar correlato
No campo relacional.

Uma igreja atuante
Que fundamenta a sua fé
Em consonância com o sonho
De Jesus de Nazaré,
Com respeito à diversidade
Na dialogicidade
Com religião qualquer.

A formação do laicato
Pra que seja construtiva
Precisa ser planejada
De uma forma coletiva.
Formação monologada
Já se encontra superada,
Incoerente e repulsiva.

Os leigos também precisam
Dar a sua opinião
Sobre os diversos aspectos
Inerentes à missão,
Esse é o principal jeito
Para sentir-se sujeito
E protagonista da ação.

Cada leigo inserido
Não é mero receptor,
Na construção do saber
Tem seu devido valor.
Sua fala contribui…,
Sua missão evolui
Em conteúdo e teor.

Urge que a ação da Igreja
Seja uma evangelização
Fundada na dialética
Que nutre a evolução…
E o saber compartilhado
Sem ser verticalizado
Só com simples pregação.

A forma celebrativa
Merece uma reflexão
A fim de que não se torne
Mera ritualização.
É bom que no dia a dia
No âmbito da liturgia
Haja inculturação.

Queremos que a Igreja
Exerça a missão profética
Voltada em favor da vida,
Da igualdade e da ética,
E que a sua formação
Tenha concretização
Por meio da dialética.

Tantas aulas monológicas
Nas quais os leigos só escutam
Uma vez que os formadores
Palavras não lhes facultam,
Não havendo interação
Os leigos, da formação
Bom proveito não desfrutam.

A Igreja em sua missão
Será da paz promotora
Se ousar questionar
A estrutura opressora,
Descer do pedestral nobre
E ficar ao lado do pobre
Como mãe e educadora

Que sua ação não se restrinja
Ao mero sacramentalismo
E a caridade não seja
Só assistencialismo
Para que, cada cristão
Buscando a libertação
Exerça o protagonismo.

Já se encontra ultrapassada
Uma formação pastoral
Que não estimula os leigos
Na prática dialogal
Com outras religiões,
Pois, sem diálogo as missões
Perdem o seu potencial.

Que a hierarquia da Igreja
Use a sua autoridade
Sem comprometer o arbítrio
E a plena liberdade
Do povo em sua missão
Em prol da libertação
Que gera dignidade.

A reforma da Igreja
Com a qual ousamos sonhar
Certamente o Espírito Santo
Um dia suscitará,
Este sonho não é à toa,
A semente em terra boa
Já começou a germinar.

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