Passeata contra o extermínio

out2A esquerda fluminense decidiu se unir, neste segundo semestre de 2009, contra a política de extermínio do governo Sérgio Cabral (PMDB). Para tanto, organiza passeata nesta sexta-feira, dia 24 de julho, às 9h, a partir da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Além disso, nos dias 7 e 8 de agosto será realizado um debate tendo em vista a Conferência Nacional de Segurança Pública, programada para o final de agosto. A proposta é pensar uma segurança pública baseada no respeito aos direitos humanos e não na repressão. Como cartaz de chamamento aos dois eventos, nova ilustração de Carlos Latuff. No ano passado, o artista gráfico fez um desenho parecido, com um policial militar assassinando uma criança. O governador achou ruim, telefonou para o desembargador Siro Darlan e disse que a imagem atentava contra a imagem da PM. Latuff não teve dúvidas: na ilustração deste ano, quem aponta o fuzil veste terno e gravata.
Mas há outro aspecto que merece destaque na recente mobilização da esquerda fluminense. Tanto o texto oficial da convocação para a Conferência quanto o debate regional acenam com críticas às corporações de mídia. Para falar deste ponto especificamente, recebi o convite, hoje, para fazer um breve comentário acerca da cobertura da imprensa nos temas que dizem respeito ao campo da segurança pública. Será a partir das 9h do dia 8 de agosto, no auditório Pedro Calmon (UFRJ, Praia Vermelha).
Encarar a mídia como ator relevante neste processo é um passo gigantesco. Vou adiantar um pouco do comentário que pretendo fazer, que deve ir além da crítica à criminalização dos movimentos sociais e da classe trabalhadora.
É fundamental compreender que existe um oligopólio inconstitucional que controla quase 100% do que ouvimos, lemos e vemos. É também fundamental entender que este oligopólio não está ao nosso lado, mas ao lado da repressão. E que as pequenas concessões que nos fazem servem muito mais à dissimulação deste oligopólio que à pluralidade de visões. Não mudam a linha editorial, de modo que o pensamento único, seu pensamento único, atravessa os veículos de comunicação e chega diretamente, feito ordem de comando, ao cérebro dos cidadãos. E assim determina formas de pensar, de agir e viver das pessoas, instituições e da sociedade como um todo.
Resultado: todos aqueles que se insurgem, ou mesmo discordam da ordem vigente, tornar-se-ão inimigos. E, como tal, deverão ser eliminados.
A única maneira de construir uma outra política de segurança é viabilizando uma outra mídia. Que respeite os direitos humanos, a vida, a própria informação. Construir outra mídia deve ser o primeiro passo para quem luta por justiça e igualdade, e nisso incluo todas as batalhas: racismo, preconceitos, reforma agrária, mulheres, estudantes, trabalhadores, auditoria na dívida, meio-ambiente, riquezas naturais, tributação sobre grandes fortunas. Só uma outra mídia poderá impor essas agendas. Só uma outra mídia poderá explicar a importância desses temas e, assim, chamar a participação popular que vai promover as transformações de que o Brasil tanto precisa.

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