Evanildo da Silveira para o Jornal da Ciência, 06/12/2012
(…) Entre os acertos das políticas de ciência e tecnologia do Brasil, a presidente da SBPC [Helena Nader] citou o sistema de pós-graduação com avaliação. “Aumentou consideravelmente o número de estudantes de mestrado e doutorado dos anos 80 para cá”, disse. “Hoje, temos quase 70 mil alunos de doutorado e 120 mil de mestrado.” Outro aspecto positivo citado por Helena é a produção científica brasileira, que representa 2,7% do total mundial, o que coloca o País na 13ª posição. Em algumas áreas do conhecimento, no entanto, a ciência brasileira está acima desta média, como, por exemplo, em agricultura, plantas e animais, farmacologia e toxicologia e microbiologia.
Além disso, o Brasil se destaca em tecnologia e inovação em algumas áreas, como agricultura (laranja, soja, frutas tropicais e cereais), produção animal (bovinos, suínos e frangos), aeroespacial (aviões, ciência e tecnologia espaciais), biocombustíveis (etanol e biodiesel), petróleo (exploração em águas profundas), indústria de celulose e papel, controle biológico de insetos e doenças tropicais e saúde pública. “Não estamos como gostaríamos, mas estamos melhorando”, disse Helena.
Mas há o outro lado, os aspectos negativos e os desafios. A presidente da SBPC citou entre eles os cortes e contingenciamentos nas verbas e orçamentos destinados à ciência, tecnologia e inovação e o atraso no desenvolvimento do ensino básico, principalmente o ensino médio, que afeta diretamente a qualidade nas universidades e, por consequência, a produção científica, tecnológica e a inovação.
Um sinal disso pode ser visto no desempenho dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês). “Nós estamos péssimos em leitura, matemática e ciências”, lamentou. Em outros aspectos, o País também tem desafios a superar. O Brasil ocupa a 6ª/7ª posição na economia mundial, mas é o 4º país com maior desigualdade da América Latina e apenas 47º colocado no ranking global de inovação. “Além disso, aplicamos apenas 1,1% do PIB em CTI (0,6% governo e 0,5% indústria) e falta inovação nas empresas”, disse Helena. “Como se não se bastasse, temos uma dependência crescente das exportações de commodities e a maioria das patentes é de universidades, quando deveria ser das empresas.” (leia na íntegra aqui)
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
