Panorama do Golpe

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Aquela ladainha clichê, que dizia: “primeiro a gente tira a Dilma, depois a gente tira o resto”, ficou realmente para depois. Como previsto, as panelas batidas nos bairros nobres foram guardadas sem previsão alguma de serem reutilizadas em um novo ato contra a corrupção.
A grande mídia, fonte catalizadora de ódio, atualmente limita-se a um jogo de palavras, que dá um tom de normalidade às bizarrices políticas que ocorrem pelo país.
A República do Paraná, comandada pelo salvador da pátria Sérgio Moro, já não promete mais salvar o Brasil da corrupção. Pelo contrário, retraiu-se diante dos acordos e do risco de que as devastadoras delações comprometessem seus aliados e deixassem de fora os que, até então, eram tidos como um bando de larápios. Moro é um leão atrás de Lula e um labrador, manso e solidário, com Cunha e sua família.
O clima de tensão também se esvaiu com a grandiosidade dos jogos olímpicos. Aproveitando a trégua, os brasileiros, até então revoltados, fantasiaram-se de verde e amarelo, a fim de representar a grandeza de seus sentimentos patrióticos que, normalmente, dura o tempo de uma partida de futebol.
Nesse ínterim, ocorre a suspensão da delação feita por Léo Pinheiro, da OAS. A decisão é do Procurador Rodrigo Janot, que resolveu, depois de dois anos, demonstrar seu senso de justiça. O ponto chave para a medida é o fato de Lula ser inocentado e os grandes nomes da cúpula do PSDB, mais uma vez, serem citados. A suposta citação de Tóffoli, vazada pela revista Veja, nada mais é que um factoide para anular a delação.
Em defesa de sua ação, utilizou-se da teoria do fruto da árvore envenenada, que infelizmente, não teve utilidade alguma quando se tratava de Lula, Dilma ou qualquer um ligado ao PT.
Como é de praxe, as ações que se sobrepõem à lei só valem quando o alvo é de acordo em comum, dentre os companheiros da justiça: se atrapalhar o processo do golpe e não tiver nada contra Lula e Dilma, as leis devem ser seguidas.
Como se sabe, em um país com instituições enfraquecidas, onde a cada dia surge um novo salvador da pátria, passa a valer tudo pelo jogo do poder. E depois de inúmeras ações desproporcionais e endeusamento de figuras do judiciário, a briga agora passar ser entre os magistrados.
A história quando chega nesse nível, costuma ir de mal a pior. Muitas das ditaduras foram incitadas depois de balbúrdias ocorridas no poder Judiciário.
Enquanto isso, a cassação de Cunha vai sendo adiada por falta de quórum e Dilma será julgada, sem pudor algum, por uma turma inescrupulosa que tem sede de poder.
E tem gente que continua achando que o problema do Brasil era a Dilma e o PT.
Foto(*): agenciabrasil.ebc.com.br

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