Osama bin Laden e a cegueira coletiva

Osama bin Laden e a cegueira coletivaO suposto assassinato de Osama bin Laden, que não está nem sequer entre os dez piores terroristas do planeta (visto que os terroristas de Estado tem o dinheiro dos impostos), chama a atenção do mundo e comprova mais uma vez que o espetáculo e a ficção jogam um papel cada vez mais importante no cenário internacional.

O episódio serve apenas a três propósitos.

O primeiro inegavelmente é abrir um debate público. Em todas as rádios, TVs, jornais e portais de informação de todo o mundo, percebo um intenso debate sobre terrorismo – sob as mais diversas perspectivas, evidentemente, e não apenas a do bang-bang da grande mídia. Infelizmente, a versão bang-bang continua a prevalecer.

Os outros dois propósitos estão expostos de forma brilhante no posicionamento do Movimento Humanista Internacional, de uma lucidez impecável. Eis o trecho:

“(…) Reiteramos: a justiça não pode ser confundida com o axioma “olho por olho, dente por dente”. Se realmente Osama Bin Laden foi assassinado, este caso talvez seja útil a Obama para ser reeleito presidente e todos os partidários das soluções militares poderão lavar a consciência, mas sem dúvida não será útil para conseguir uma maior justiça neste mundo.

Os militares dos EUA não podem falar de justiça quando parece que estamos perante um assassinato premeditado com o único objectivo da vingança. E caso estejamos na presença de um acidente durante um tiroteio, também não se trata de justiça. Em qualquer caso, trata-se de vingança.” (na íntegra aqui)

É absolutamente lamentável que as pessoas continuem sob o paradigma do “olho por olho”, que mantém o ciclo da violência infinita, que por sua vez interessa tanto aos propósitos dos contínuos governos genocidas norte-americanos, franceses e de seus parceiros.

Este posicionamento, tido como “radical” nos países “ocidentais”, é bastante razoável entre os povos que sofrem com os bombardeios e a intervenção estrangeira na maior parte dos países do sul da Ásia, Oriente Médio e parte da África.

Como alertara Mahatma Gandhi, olho por olho, o mundo acabará cego.

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