Os petistas e a busca de armas para a batalha midiática

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A altivez de Lula no vídeo “me respeitem para que eu possa respeitar vocês” em meio ao debate para disputar a hegemonia nas mentes e corações dos brasileiros: uma folha de papel para circular entre a militância, uma rede nacional na Internet, a construção de meios tradicionais e digitais, vale tudo para resistir à avassaladora campanha anti-petista.
De Salvador-Bahia – Outro dia topei com um antigo lutador das esquerdas baianas. Era militante sindical, agora atua no movimento por moradia e no PT. Estava, como a maioria do pessoal de esquerda, alarmado com os fracassos atuais no Brasil, o último tinha sido a derrota nas eleições municipais (se ampliamos para nossa América Latina, o último foi o também de eleições municipais, desta vez no Chile, no último domingo, dia 23).
Nosso incansável batalhador pela causa popular aproveita o encontro casual para fazer uma breve análise de conjuntura, onde se destacava, além da derrota petista, a campanha liderada pelo juiz Sérgio Moro, que através da Lava Jato, usa o combate à corrupção, seletiva e partidariamente, para destroçar o PT e o PC do B, conforme analisou.
E bateu no ponto que mais me interessa: o êxito de tal campanha só é possível por causa dos monopólios da imprensa, com a Globo à frente, claro! Proclamou, então, uma conclusão, pelo menos para mim, óbvia: precisamos ter também armas para travar a batalha midiática.
E deu sua receita: estava criando, juntamente com companheiros, uma espécie de boletim informativo, coisa pequena, uma/duas folhas de papel, para fazer uma comunicação confiável com as bases, boletim este cujas notícias e opiniões serão incrementadas através da repercussão nas redes sociais.
Comentou inclusive que iria comunicar a iniciativa para apreciação e debate da direção nacional do partido (eu não disse, mas pensei: provavelmente tal comunicado vai dormir numa gaveta ou vai diretamente para a lata de lixo, porque se há dirigentes partidários particularmente insensíveis, ou equivocados, quanto à questão da comunicação, estes são os petistas).
Confesso que fiquei mais ou menos decepcionado. Esperava que nosso personagem tivesse decidido atuar entre suas bases tentando uma forte mobilização interna para que seus dirigentes adotassem a luta pela construção duma potente rede de mídia contra-hegemônica, buscando se contrapor à avassaladora campanha anti-petista da Globo e seus cúmplices.
Respondi: mas companheiro, uma folha de papel para circular entre a militância, mesmo com o auxílio providencial das redes sociais, para enfrentar a toda-poderosa Globo? Precisamos é lutar por grandes veículos de comunicação de massa, temos que disputar a hegemonia nas mentes e corações dos brasileiros, do contrário nunca vamos construir nada de consistente no campo popular, nacionalista e de esquerda, inclusive para lutar com mais força contra as concessões de rádio e TV dos monopólios, que estão aí firmes e fortes apesar de proibidos pela Constituição.
De qualquer forma, disse ao companheiro que concordo quando ele defende que o ponto nevrálgico da resistência popular é procurar instrumentos para travar a batalha midiática, esta que é hoje o ponto chave dos encontros e desencontros da democracia.
No final do papo, elogiei a disposição de Lula ao rebater com dignidade e altivez as repetidas agressões e acusações (sem provas) de juízes, procuradores e policiais da PF (“Me respeitem para que eu possa respeitar vocês”), especialmente quando diz: “Vocês têm estabilidade no emprego não é pra serem reféns da imprensa”.
Esqueci de lhe perguntar se havia alguma iniciativa nas bases petistas sobre a proposta feita recentemente por Lula no sentido do PT, CUT, MST e outros movimentos sociais criarem uma rede nacional na Internet para fazer o enfrentamento aos monopólios da mídia.

2 comentários sobre “Os petistas e a busca de armas para a batalha midiática”

  1. Para os trabalhadores, os movimentos sociais e os partidos de esquerda principalmente, enfim, para todos que lutam e defendem uma democracia real, não existe outra saída: acabar com o monopólio da informação.

  2. Transcrevo comentário feito por Delza Schaun no Facebook:
    Delza Schaun: Eu discordo no que tange a “falta de poder midiático” do PT. Desde o primeiro governo Lula foi feito um acordo publicitário milionário com a Record, segunda emissora em audiência, que divulgava e elogiava tudo que o partido fazia em todo o país. Além disso, o trabalho feito pela militância e simpatizantes nas redes sociais é o mais intenso que já vi em todos os tempos. Nunca na história deste Brasil, a esquerda teve em mãos um veículo tão poderoso quanto a internet.
    É preciso analisar a questão por outro ângulo: o por quê de nada disso estar funcionando a favor de Lula e do PT!
    O cenário político mudou, a visão dos eleitores também e ainda está se pensando como nos anos setenta.
    Defendendo que a esquerda aprenda com o que está acontecendo, modifique alguns dogmas, métodos de ação e personagens, mas acima de tudo se renove urgentemente para não correr o risco de continuar repetindo erros e perdendo espaço.

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