Os generais que derrotaram o Exército Brasileiro

Por Fernando Brito
Toda a imagem de profissionalismo construída pelas Forças Armadas ao longo de mais de 30 anos foi inapelavelmente destruído em apenas um ano e meio da aventura a que levaram o Exército nos dois últimos anos, desde que dois generais – Eduardo Villas Bôas e Augusto Heleno – o lançaram ao planejarem e executarem a Operação Cavalo de Troia: tomar o poder embutidos na barriga do “Cavalão”, apelido na tropa de Jair Bolsonaro.
Mourão, apesar de deter a posição mais importante, a de vice-presidente, parece ser mais passageiro na janelinha, mas não um dos condutores deste processo. Fosse uma liderança, seriam grandes as tentações, que parecem inexistir, de fazerem dele o Presidente.
Villas Bôas, perdeu o respeito e o conceito que gozava de ser um comandante legalista e discreto como deve ser um chefe militar para se tornar, no ocaso de sua vida, um personagem que nem mesmo sentimentos de piedade inspira mais. Augusto Heleno, que nunca carregou aquela imagem virtuosa, se tornou um microbrucutu, um nanogeneral , um Costa e Silva do século 21, que transmite a imagem de militar grosseiro, estúpido, de poucas luzes e de muitos gritos.
A obra tremenda de ambos foi fazer o Exército uma instituição que, já antes mesmo da onda de temor golpista que cresceu nos últimos meses, perdeu confiança da população e voltar a ser um fantasma pairando sobre a sociedade civil.
E é certo que, agora, isso agravou-se, desde a desastrosa decisão de ocupar-se militarmente o Ministério da Saúde e a hecatômbica bobagem de esconder os dados da pandemia.
Mas é pior do que deixar que Jair Bolsonaro despejasse sobre a imagem das Forças Armadas a imagem de sua grosseria, estupidez, burrice, desumanidade, incapacidade e desqualificação.
A Operação Cavalo de Troia tem um reverso insuspeito. Levou para dentro da tropa a ideia de que a indisciplina, a quebra de hierarquia e a convivência com organizações paralelas, como as milícias, são admissíveis e até vantajosas para militares.
Será que o aumento nos contracheques para todos os militares e as vantagens para os que abocanharam cargos reparam o mal que foi feito às três Armas?
Fonte: O Tijolaço
(09-06-2020)

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