Operador de telemarketing e as relações degradantes do trabalho

mesaEm homenagem ao dia do operador de telemarketing, 4 de julho,  Ricardo Antunes e Ruy Braga, organizadores  do livro Infoproletários : degradação real do trabalho virtual  realizaram no dia 1° de julho uma palestra sobre as péssimas relações de trabalho em call centers.
É cada vez mais contraditório o mito do fim da classe trabalhadora. Discurso da pós-modernidade, afirmado pelo envolvimento de novas tecnologias nas relações de produção e exploração de mais-valia.  Assim funciona a classe de operadores de telemarketing, vítima da terceirização e do trabalho exaustivo.
Na palestra realizada no dia 1° de julho, no Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio), Ruy Braga comentou que a condição de trabalho nos call centers é um reflexo do atraso do mercado de trabalho brasileiro devido a sua condição discriminatória às mulheres, aos negros, homossexuais e aos portadores de necessidades especiais. Isso tornou o setor de telemarkentig um refúgio para estes segmentos segregados, o que faz com que estes profissionais se identifiquem com o trabalho de lidar com o público sem serem descriminados. O setor também tem uma alta rotatividade da força de trabalho, o que dificulta a organização sindical por condições mais salubres de trabalho.
Quando o operador iniciante entra em um call center, seu ciclo inicial está voltado para entusiasmos em bater as metas, em  se destacar com premiações e participar dos programas de formação. Fato que atribui um certo prazer ao produzir,  tornando-o adaptável às pressões da empresa. Em um período de 15 meses o trabalhador entra em um estágio de declínio da produtividade devido à precariedade e o adoecimento. Os sintomas mais comuns são a tendinite, LER( lesão por esforço repetitivo), obesidade, problemas de pressão arterial, nas cordas vocais e audição, até o momento que a empresa o demite. Um ciclo dura em torno de 2 anos.
Outro aspecto também determinante é a dívida que estes operadores têm com os cartões de créditos. Ou seja, a ditadura dos credores aos infoproletáriados, que por sua vez oferecem produtos pelos quais se tornaram endividados. “O call center  representa o lado da modernidade, porém quando tal modernidade é a movimentação financeira de cartões de crédito, esta se nutre do chamado ‘aspectos históricos’ da descriminação do mercado de trabalho no Brasil”. comentou Ruy Braga.
autografo
Para o Professor Ricardo Antunes, houve um crescimento em todo mundo dos índices de mortes, acidentes e adoecimentos para os trabalhadores da era informacional do mundo do trabalho. “As indústrias de software geram uma infinitude de novos programas, e que leva os detentores do capital a se utilizarem disso para gerarem a riqueza”, comentou.
O professor fez uma correlação entre trabalhadores: programadores, produtores de tecnologias e os que utilizam as tecnologias para gerar mais-valia  para os detentores do capital, que são os operadores de telemarketing.  Sua análise resumiu que a tendência deste quadro é a precarização mais acentuada  das condições de trabalho.
 Governo, mídia  e consumo
A estratégia do governo, junto com as ações publicitárias de aumentar o crédito para classe trabalhadora, sintoniza com a nova relação do mundo do trabalho. Uma maior distribuição de renda pode dialogar com o atrelamento do consumo pelo crédito, o que de forma cíclica estimula crises econômicas e, conseqüentemente, as precarizações do trabalho.
Segundo os palestrantes, hoje no Brasil existem oficialmente 700 mil operadores em call centers, porém devido a terceirização e os demais contratos informais este número deve subir para mais de 1 milhão. A dita “profissão do futuro” está de mãos dadas com as crises cíclicas e o modernidade da acumulação de capital.

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