
Dobro à curva na Serra, que leveza!
Quando volto de Patos vespertino
Esse vento em meu rosto é quase um hino
Solfejado em clarins da natureza
Logo à frente, o Tendó é a certeza
De estar perto de onde um certo dia
A viola encantou-se com a poesia
E o acorde primeiro ela ecoou
Eis Teixeira, onde tudo começou:
O repente, o improviso, a cantoria
Quando a névoa transpõe esses umbrais
E se alastra na noite sonolenta
O poeta se inspira e reinventa
Cada passo dos bardos ancestrais
Um poema renasce e se refaz
Ressonante por toda freguesia
Há alguns que jamais se esqueceria…
Quem de um verso alguém nunca se lembrou?
Eis Teixeira, onde tudo começou
O repente, o improviso, a cantoria
Foi o mestre Agostinho que fincou
A poesia no alto desta serra
E no mesmo lugar, na mesma terra
O seu filho Ugolino dedilhou
Na viola alguns versos que cantou
E esse feito antes disso não havia
São nos Nunes que a história principia
E dali nunca mais que recuou
Eis Teixeira, onde tudo começou
O repente, o improviso, a cantoria
Martim Assueros, 13/6/2024
Foto: Blog do Marcello Patriota, 18/3/2023
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.

Desde já agradeço sempre a sua aparição e colaboração na revista. Trazes ares de renovação. O Espírito precisa disso!