OIT: formação profissional é fundamental para futuro do trabalho pós-COVID

A crise trabalhista provocada pela COVID-19 está deixando como consequência uma importante “lacuna de competências”, que exigirá uma renovação nas estratégias de formação profissional na América Latina a fim de responder às novas demandas de competências, de acordo com um novo documento da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“A procura por novas competências vai crescer e serão necessários programas de reconversão, requalificação e reinserção dos trabalhadores”, destaca a nota técnica regional sobre “Formação profissional na resposta à crise e nas estratégias de recuperação e transformação produtiva pós-COVID-19 

O diretor da OIT para América Latina e o Caribe, Vinícius Pinheiro, abriu na semana passada uma conversa virtual sobre o tema, afirmando que para atingir a meta de alcançar um normal melhor quando essa crise passar, “a formação profissional será fundamental” na reconstrução do mercados de trabalho.

Pinheiro disse que este é o primeiro documento da série “Panorama Laboral em tempos de COVID-19”, elaborada com o propósito de “compreender como a pandemia nos atinge”, e contribuir para os processos de transformação produtiva que serão necessários para “sair desta crise melhor do que antes”.

A Nota Técnica elaborada pelo Centro Interamericano para o Desenvolvimento do Conhecimento na Formação Profissional (CINTERFOR)  da OIT, com sede em Montevidéu, destaca que a formação profissional teve que reagir à crise e agora também enfrenta a necessidade de responder às demandas por habilidades que serão geradas “na saída deste túnel”.

Participaram do evento virtual Anne Posthuma, diretora da OIT / Cinterfor (moderadora); Anna Beatriz de Almeida Waehneldt, Diretora de Educação Profissional do SENAC do Brasil; Ricardo Montenegro, Presidente do INSAFORP de El Salvador e Gustavo Gándara, Diretor Executivo da Fundação UOCRA da Argentina.

Nesta reunião, o especialista da OIT / Cinterfor Fernando Vargas, que elaborou o documento, disse em sua apresentação que as instituições do setor enfrentarão “novas demandas de formação”, inclusive aquelas derivadas do aumento de empregos híbridos, do teletrabalho e de plataformas digital.

“Sem dúvida, há um processo de reconversão e de requalificação dos trabalhadores”, disse Vargas. Uma formação profissional que responda a estes desafios “é crucial para aumentar o potencial produtivo dos trabalhadores e das empresas para o período pós-COVID, quando as lacunas de competências terão aumentado”, acrescentou.

O relatório destaca que a formação profissional, como outras atividades educacionais, foi impactada pela crise de COVID-19. “No pior momento, cerca de 85% dos participantes de cursos e programas tiveram que continuar sua formação a distância. Isso também significou um grande desafio para a gestão dos programas, para os professores e para facilitar o acesso à conexão, aos meios e equipamentos digitais ”.

No entanto, é preciso olhar mais à frente. “Ao final desse período, muitas ocupações estarão se reconfigurando e novos planos e estratégias serão conhecidos para promover o desenvolvimento produtivo. A demanda por novas competências vai crescer e serão necessários programas de reconversão, requalificação e reinserção dos trabalhadores nas novas atividades ”.

“Pessoas que perdem seus empregos e não conseguem encontrar vagas para usar suas competências terão que ingressar em programas de requalificação e atualização e, consequentemente, aquelas que não encontrarem acesso a tais programas, não poderão retornar facilmente a empregos de qualidade e suas competências podem se tornar obsoletas em pouco tempo ”, alerta o documento.

Durante o debate virtual, foi destacada a importância do intercâmbio de boas práticas entre as instituições de formação da América Latina e do desenvolvimento de uma capacidade de gestão que permita ter uma oferta relevante e oportuna, que responda também às realidades dos mercados de trabalho.

Também foi destacado o desafio das novas tecnologias e digitalização, que segundo o documento, acarretou uma grande procura de oferta formativa baseada em plataformas de aprendizagem. “A digitalização acelerada pela COVID-19 está transformando o perfil e exigindo novas habilidades de professores e instrutores.

Uma grande percentagem dos mais de 124 mil professores das instituições de formação foi desafiada a mudar a sua prática de formação para a modalidade não presencial”. O documento da OIT destaca a necessidade de facilitar o acesso e a capacitação para o uso da tecnologia digital na formação.

Uma pesquisa sobre educação da OCDE para a América Latina relatou que, em média, 51% dos professores tinham acesso insuficiente à Internet e cerca de 43% reclamaram de lacunas ou inadequação da tecnologia digital para a formação.

O documento aborda ainda a necessidade de garantir o financiamento da formação profissional, dada a sua relevância para a construção de um futuro do trabalho melhor, e de suprir as lacunas no acesso à oferta educativa, uma vez que chega 60% das pessoas que recorrem a estes programas são oriundas dos setores de menor renda e se beneficiam dos programas gratuitos.

Fonte: Nações Unidas – Brasil

(28-09-2020)

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