O Van Gogh de R. Altman

“E quanto mais penetrante é o conhecimento do homem – quanto mais inteligente ele é – mais padece. O Homem dotado de gênio, sofre mais do que todos” (Schopenhauer)

Epigrafe mais que perfeita para dizer o que é o filme do diretor Norte-americano Robert Altman, Van Gogh: Vincent e Theo(1990). A pelicula tem o excepcional Thim Roth no papel do atormentado Vincent e a música maravilhosa e soturna de Gabriel Yared.

O diretor optou por a narrar de maneira um pouco naturalista o cotidiano que vai enlouquecendo o pintor Van Gogh. O resultado é um filme extraordinário e que responde e supera o horrivel filme de Vincente Minelli de 1956 sobre o mesmo Van Gogh.

A loucura do pintor esta a altura da sua genialidade. Só que tem um problema: um genio ainda sem reconhecimento e pobre (como diria a giria popular: “pobre que só Jó”). O desespero pela falta de dinheiro, as vezes até para comer, faz do arti sta em questão um desesperado e num a Paris, capital do século XIX, altamente burguesa e fria em todos os sentidos.

Os lugares miseráveis onde se hospeda, a comida ruim, as roupas de quase mendigo e uma sugeira constante nos ateliês improvisados fazem do filme um retrato importante de uma “vida marginal” que trazia em potencia a genialidade de uma arte simples, como a natureza morta pintada pelo Holandês.

O que mais me chamou a atenção foi a decisão estóica e ascética de pintar como sentido para a vida. Num diálogo marcante com um “filantropo burguês” idiota, Vincent afirma categoricamente: “Posso viver sem Deus, não sem pintar”. O filme todo é o sofrimento de Vincent e a ajuda constante e conflituosa do irmão Theo. O irmão, um divulgador de artes em Paris faz o que pode para divulgar a obra do irmão, em vão.

A hegemonia da pintura parisiense no século XIX não se interessava pela natureza morta/bela e pela radical simplicidade da pintura de Va n Gogh. Rostos sofridos, bota velh a , palhas, girassóis, prostitutas, etc… povoaram as mãos, mentes, pincéis e dedos do vigoroso Van Gogh. Por fim, o filme nos faz ver a Paris longe das modas, a Paris dos de baixo, miseráveis de toda sorte, prostitutas doentes e famélicas e loucura que o dinheiro (ou a sua falta) pode causar na vida da pessoas, a nos lembrar as discrições e análises de Marx e Engels sobre a condição operária do século XIX (que parece esta de volta em todo mundo atual). Um filme duro e bonito, como toda obra de arte.

2 comentários sobre “O Van Gogh de R. Altman”

  1. Pingback: O Van Gogh de R. Altman | Debates Culturais – Liberdade de Idéias e Opiniões

Deixe uma resposta