O tal Estado ausente no Rio de Janeiro

O "Doutor" Carlos Oliveira, parceiro do narcotráfico e muito bem avaliado enquanto quadro político da Prefeitura de Eduardo Paes. Foto: DRAE/RJ
O 'Doutor' Carlos Oliveira, parceiro do narcotráfico e muito bem avaliado enquanto quadro político da Prefeitura de Eduardo Paes. Foto: DRAE/RJ

O discurso hegemônico das classes corruptas deste país – incluindo os notáveis eleitores de bandidos “chiques” como o prefeito Eduardo Paes – afirma que o “Estado é ausente” nas “áreas carentes”, sendo esta a principal fonte das desgraças no Rio de Janeiro. Outra afirmação comum assegura que “o Estado só entra com a polícia”, sendo este o problema principal do foco da segurança pública.

Informações divulgadas nos meios alternativos dão conta do contrário: não só o Estado é bastante presente, onde e quando quer, como o problema é justamente a polícia, parte de uma estrutura que começa nos gabinetes governamentais. Nesta sexta-feira (11/2), mais um nome da confiança do prefeito Eduardo Paes foi parar nas páginas policiais; Trata-se de ninguém menos que o delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira, que ocupou o cargo de subchefe da Polícia Civil do Rio.

Havia acabado de assumir como subsecretário de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública (SEOP), órgão da Prefeitura do Rio que está repleto de milicianos, conforme não nos cansamos de divulgar. As investigações partiram da Polícia Federal – do contrário os 45 criminosos continuariam a gozar de amplo acesso aos aparatos públicos, criados especialmente por Eduardo Paes – ele criou a SEOP, assim que entrou no governo – para colocar “ordem” na casa.

O “delegado” Carlos Oliveira saiu do coração da Prefeitura direto para o presídio Bangu 8, onde já está acomodado. Lá vai rever velhos amigos.

Segundo um site extra-oficial da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), vinculado à Polícia Civil, Oliveira assumiu o cargo no dia 27 de abril de 2009 e ficou encarregado da “integração com a secretaria de Segurança Pública para planejar grandes eventos como o carnaval, a Copa do Mundo de 2014 e montar o esquema de segurança para as Olimpíadas”. Foi titular da DRAE desde a sua fundação, em 2001. Desde 2001, pode-se imaginar, vendia armas para traficantes. (Acesse o belo currículo dele clicando aqui)

Para piorar, segundo informações da imprensa, pelo menos nove policiais civis e militares foram flagrados saqueando bens, dinheiro e pertences de moradores e traficantes dos Complexos da Penha e do Alemão, recentemente ocupado para a implantação de uma Unidade de Polícia “Pacificadora” (UPP). O grupo criminoso estaria envolvido ainda com a segurança de pontos de jogos clandestinos (máquinas de caça-níqueis e jogo do bicho). O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Allan Turnowski, prestou esclarecimentos sobre o caso na sede da Polícia Federal.

Cada membro do grupo de policiais recebia, CADA UM, até R$100 mil por mês para proteger traficantes como o “Nem”, chefe na Rocinha e Vidigal.

Abaixo, nota esclarecedora do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA):

O prefeito Eduardo Paes contrata policial bandido para roubar camelôs e fazer remoções:

O MUCA, Movimento Unido dos Camelôs, faz denuncia da truculência da Guarda Municipal, que rouba mercadoria dos ambulantes, pois a operação é feita sem emitir o auto de apreensão e quando este cidadão vai buscar as mercadorias, com a nota fiscal, muitas vezes não encontra ou consegue retirar apenas uma parte.

Quando o trabalhador vai a delegacia fazer um boletim de ocorrência do roubo e da agressão física, são negados ou fazem a ocorrência registrando que o camelô agrediu o guarda municipal. Nestas operações surgem policiais a paisana com armas em punho enquadrando os trabalhadores informais.

Agora entendemos como é feito este conluio entre a Guarda Municipal e a Polícia Civil. O noticiário recente exibe a prisão do delegado Carlos Oliveira, por vender armamento aos traficantes e traficar informações ao crime organizado. Este delegado era até então o grande orientador das políticas operacionais da SEOP (Secretaria Especial de Ordem Pública do Município). Não há exagero em apontar as práticas fascistas desta secretaria, que também faz as remoções das famílias que estão em área de risco e das que deveriam ser justa e previamente indenizadas para a construção das obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, mas se não aceitam como justas as propostas de valor irrisório da Prefeitura, são despejadas sem direito a decisão judicial, com a violência que caracteriza a SEOP.

A 7ª Promotoria da Cidadania do Ministério Público Estadual realiza um Inquérito sobre as práticas do “Choque de Ordem”, nós desejamos que as apurações sejam feitas de forma a demonstrar como o Eduardo Paes realiza o cerceamento dos direitos de defesa do cidadão, investigando as ocorrências nas delegacias de polícia e finalizando com a proposta de um Termo de Conduta, que proíba a contratação de delegados e policiais da polícia civil ou militar para trabalhar na SEOP.

No próximo ano haverá eleições municipais e o atual prefeito Eduardo Paes aparece na mídia comercial como grande preparador da cidade para a Copa do Mundo e Olimpíadas, realmente ele prepara a cidade para os grandes empresários: empreiteiros, hoteleiros, o capital transnacional e políticos associados auferirem o máximo de lucros, mas a população carente de escolas, hospitais e moradia não deve eleger este projeto que beneficia uma minoria de ricos empresários.

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