Esta revista nasceu num formato de diário.
Um diário é um espaço de espelhamento.
O recolhimento da vida diária.
O lugar onde dizemos o que dizemos somente para nós mesmos(as).
Tratamos de manter este tom, que se revela e se expressa, no entanto, de diversas maneiras.
Além do mundo que nos chega de longe, dos governos e instituições, o estado, as igrejas, os partidos, as organizações, existe o mundo do vivido.
A vida de cada dia.
Este é o nosso foco, que não desdiz (e nem poderia) do estrutural. A sociedade de classes, o capitalismo, a exploração, a alienação, a opressão, a injustiça, o que parece imutável.
Nada é imutável quando se tem consciência.
Esta é a nossa aposta.
No meio de todas as circunstâncias, existe o poder e a capacidade, a possibilidade, da libertação.
Não existe fatalismo nem resignação que possam nos convencer de que estamos condenados, condenadas.
Abrir a percepção, despertar a consciência, relembrar ás pessoas do que somos capazes quando voltamos a nós mesmos(as).
Nada como um dia após o outro. É a chance de recomeçar.
A força da comunidade, o poder da recordação da própria história.
