O Pacto das Panelas

Romero
A situação política do país está cada vez mais crítica. Se já era doloroso ver um governo, com perfil tenebroso, surrupiando a democracia para impor um programa nefasto, o áudio que denuncia um conluio muito mais amplo e perverso que o esperado é devastador.
Sem controle algum das informações, os poderosos de sempre estão cada vez mais perdidos com o alarde dos blogs, catalisados pela internet. Como havia dito em texto anterior, o cobertor é curto demais para tanta gente espaçosa e acostumada a comandar sem ser incomodado. Qualquer movimento expõe alguém ou alguma instituição.
Enquanto o circo pega fogo, a gente olha para trás e relembra alguns episódios que nos confirmam o quão antidemocráticas são as nossas instituições e o quão cínica é a nossa elite.
Comecemos pela suspensão da posse de Lula. Enquanto grande parte dos raivosos sustentava que a nomeação do ex-presidente era um acinte para o país, o interino nomeou oito citados na Lava-Jato, além dele próprio. Destaca-se que Lula não era réu em nenhum processo.
Gilmar Mendes, o Ministro que suspendeu a posse de Lula, tempos depois, suspendia as investigações sobre o Senador Aécio Neves. Provável que só o Ministro não conheça os esquemas de Aécio, citados nos áudios entre Jucá e Sérgio Machado.
O mesmo Gilmar Mendes, hoje, afirmou não ter visto nenhuma tentativa de Jucá em barrar a Operação Lava Jato. Se depois do “Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, ele não enxergou nada referente à intenção de frear a Operação, podemos dizer que o Ministro tenta nos fazer de idiotas por completo.
Agora saiamos de Gilmar e voltemos para o áudio. Ainda que todo áudio seja revelador, a parte em que Jucá diz:“Conversei com alguns Ministros do STF e eles disseram que só tem condições sem a Dilma” nos deixa duas certezas: a primeira é que o grande problema, para parte da elite política, era a falta de conivência da Presidenta com as tramoias. A segunda é que Lula tinha razão quando disse que o STF estava acuado e acovardado. Só faltou dizer, para acertar em cheio, que é conivente com o golpe.
Há de se destacar, que o acordão oferecido a Dilma tinha como condições o seu licenciamento do cargo e a proteção de Lula contra Sérgio Moro. Como Dilma não aceitou o esquema a consequência foi seu afastamento da presidência. Era o famoso “dar ou desce”.
E se depois desses esclarecimentos, as pessoas não mudarem de opinião em relação a Dilma, é sinal de que aquele discurso de que o Brasil precisa de um governante honesto é uma grande falácia. Mais uma por sinal.
Com tantas revelações desastrosas para a imagem do país, mais uma vez, a elite brasileira ficou nua diante de tantas contradições. Sem panelas, passes de dança ou caminhadas pela orla, restaram apenas lamentação e mudança nas afirmações. Se antes o lema era “A culpa não é minha, eu votei no Aécio”, agora resumem com desdém: “O Brasil não tem jeito. Nenhum político vale nada.”.
Se em onze dias de Governo, as coisas andam como estão, provável que o interino não se sustente por muito tempo. A pressão continuando, em breve, a Globo começará a trabalhar por novas eleições, estimulando os órfãos de Aécio a acompanhar o cortejo.
É uma maneira de não ficar mal diante de toda a situação e empurrar um “novo” nome para o cargo mais alto do país.
Com Aécio praticamente descartado e possivelmente “comido”, terão que buscar um tucano blindado pelas instituições, que agrade o mercado, entenda de Brazil e faça um pacto mais caprichado com a turma do panelaço. O de Jucá melou.
Foto(*): polemicaparaiba.com.br

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