O Natal do Violinista

Imagem gerada com IA (Freepik)

Pierre ficava com seu violino todos os dias em uma praça no centro da cidade de Paris. Chegava em torno das 10 horas da manhã e ia embora depois das 18 horas. Já tinha o local adequado próximo a um banco arredondado com uma árvore no meio, em que havia sombra e lugar para sentar e colocar a caixa do instrumento musical, do qual tanto se orgulhava.

Ele tinha em torno de 37 anos, cabelos castanhos com alguns fios brancos, alto, magro, traços marcados pelo sol e pela vida. Já havia tentado diversos empregos, mas nada que viesse aperfeiçoar seu conhecimento e habilidade no manejo do violino herdado do tio-avô. Tinha a sensação que um dia teria a chance que sempre quis, não poderia desistir.

Na praça o pessoal do comércio local já o conhecia e o tratavam com respeito e admiração. Assim que chegava, tomava um cafezinho no bistrô próximo, comia um brioche e se dirigia para o banco, ajeitava suas poucas coisas, coloca um chapéu na frente e começava a tocar. Tinha um repertório variado que aprendera sozinho.

Os transeuntes diários não o notavam, mas os turistas paravam, admiravam, alguns pediam para ele tocar certa música, colocavam algum valor no chapéu e iam embora.

Com o Natal se aproximando tinha a sensação que esse ano seria diferente. Essa noite era especial, as luzes da cidade estavam todas acesas anunciando a chegada do Menino Jesus, ele começou a tocar com tanta alegria, entusiasmo e fé que os anjos escutaram, quando de repente se deparou com um famoso Maestro em sua cadeira de rodas o olhando atentamente. Ele estava acompanhado de sua esposa, que manejava sua cadeira.

Pierre dedilhando o violino foi lentamente se aproximando do Maestro e parou em frente a ele, que tirou uma nota de grande valor e colocou no bolso do seu casaco. Com gesto de agradecimento balançou a cabeça e continuou tocando e o Maestro colocou outra nota no seu bolso, mas ele não parou de tocar. Quando o Maestro fez a menção de pegar a terceira nota, o violinista parou e disse: quero somente um elogio seu, senhor. O Maestro olhou para ele, pediu que abaixasse para se abraçarem e esse falou, você toca bem, precisa de alguns ajustes, se despediu e foi embora.

Pouco antes da meia-noite, um rapaz bem trajado se aproximou e o entregou um bilhete do Maestro: me encontre na próxima segunda-feira na sala de concertos do Ópera Bastille às 14 horas. Radiante, percebeu que sua vida não mais seria a mesma, olhou para o céu e, humildemente, se ajoelhou fervorosamente e agradeceu.

Pierre e eu, desfrutando desta oportunidade, desejamos a todos um FELIZ NATAL, que as bençãos do Menino Jesus alcancem aqueles que, sem jamais desistirem, acreditam e desenvolvem com gratidão e sabedoria seus dons e talentos para a construção de um mundo melhor, que consigam o merecido reconhecimento, destaque e os devidos aplausos.

Gratidão por esse ano que se encerra e um ÓTIMO 2026, com paz, união, fraternidade, e muita Arte para alegrar a vida. Abraços a todos da Revista Consciência, em especial a nossos leitores.

Ana Amélia Guimarães
meliaguima@gmail.com

8 comentários sobre “O Natal do Violinista”

  1. A mensagem final é um bálsamo para o coração. Ao unir sua voz à de Pierre para desejar um Feliz Natal, a autora (Ana Amélia Guimarães) transforma um conto em uma oração de gratidão e incentivo. É um texto que transborda sabedoria, lembrando-nos de que a persistência, quando aliada à fé e à humildade, sempre encontra o seu…Parabéns e m Feliz Natal à todos

  2. Pierre ganhou seu presente de Natal, o reconhecimento pela sua arte e a tão almejada oportunidade de se aprimorar. Conto emocionante. Receba meus sinceros cumprimentos, Ana Amélia.

    1. Aldrin grata por seu comentário lembrando que estamos juntos nessa parceria de fazer um mundo melhor com nossos escritos. Que assim prossigamos iluminados com o brilho do Senhor. Abraços e bênçãos.

    1. Nosso grande músico Raul, que tanto tem batalhado com esforço e dedicação, na elaboração de projetos culturais, também como professor e na apresentação musical da Banda SEU PRETO, na capital Federal, que alcance o devido reconhecimento pelo seu trabalho. Grata pela mensagem e um ano novo com muito sucesso.

  3. Esta é uma narrativa belíssima, escrita com uma sensibilidade rara que toca o coração do leitor logo nas primeiras linhas. O texto não é apenas uma história sobre um músico, mas uma verdadeira lição de resiliência, propósito e fé. Parabéns!

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