O jornalismo megalonanico da Revista VEJA

Revista VEJAParei de ler VEJA há pelo menos 3 anos. Lia, criticava, me emburrecia. Não fazia bem à saúde. Finalmente cansei. Parei de ler. Na última quarta (05), no entanto, ao observar por curiosidade como estava a parte gráfica (área que me agrada na minha profissão), me deparei com a foto do ex-ministro Celso Amorim (edição de 5/1, pág.44).

“A diplomacia megalonanica do G-nada” era o título.

Leio boas notícias: Das 59 embaixadas abertas pelo Ministério das Relações Exteriores, a “grande maioria” está “em países pores do Caribe, da Ásia e da África”.

A partir daí a Revista VEJA mostra porque é, ano após ano, a campeã do neofascismo e da mediocridade do jornalismo brasileiro – e olha que a concorrência é grande, heim!

VEJA considera que apoiar países muito pobres, cuja população está em grande parte na miséria – uma estratégia declarada do Governo Lula e demonstrada em números –, é um atraso. São “lugares tão insignificantes para os interesses brasileiros que são chefiadas a distância por um embaixador lotado em um país mais relevante”.

VEJA ataca ainda os países, dando nomes: “A lista dos postos inexpressivos vai de “A”, de Azerbaijão, a “Z” de Zâmbia. O mais novo integrante da relação é o africano Malauí, que recebeu uma embaixada brasileira a menos de dois meses. No ano passado, as exportações brasileiras ao Malauí somaram 2 milhões de dólares”.

Para VEJA, o que importa é isso: dinheiro entrando, negócios, lucro. Danem-se os países pobres, tem tudo é que chafurdar na lama. Para os “jornalistas” deste semanário, a política de aproximação do Brasil com países em desenvolvimento iniciada em 2003 – o que a ONU denomina Cooperação Sul-Sul, criando inclusive datas especiais e canais diplomáticos – é na verdade uma “bizarrice terceiro-mundista” que “não tem data para terminar”.

O pior é que a birrinha neoliberal que VEJA tem com governos de centro-esquerda ainda por cima cega. Para citar um exemplo, a Revista nem sequer se preocupou em se informar e repassar a seu “nobre” leitor que o comércio entre Zâmbia e Brasil aumentou de 1,4 milhão de dólares em 2002 para 7,3 milhões de dólares em 2009. No ano passado, a VALE (ex-Vale do Rio Doce) anunciou um projeto de exploração de cobre com investimentos de 400 milhões de dólares no país, em parceria com uma empresa africana. (Ou seja, até mesmo os capitalistas pró-VEJA estão aumentando seus negócios por lá, no melhor estilo imperialista que VEJA tanto adora).

O próprio Lula esteve na capital da Zâmbia, Lusaca, em julho de 2010 e assinou dez documentos de cooperação bilateral: seis novos acordos que tratam de facilitação de vistos para diplomatas e trabalho por dependentes de pessoal diplomático; assistência humanitária no combate à fome e à miséria; cooperação esportiva, educacional e cultural. Também foram assinados ajustes em acordos em vigor para a produção de biocombustíveis; parceria em formação profissional; treinamento de profissionais de saúde; e combate à aids.

Tudo, claro uma grande “bizarrice terceiro-mundista”.

CLIPPING DO ITAMARATY
A diplomacia megalonanica do G-nada
04/01/2011
Felipe Patury
Panorama / Holofote

Sob o comando do trio formado pelo ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, por seu antigo vice, Samuel Pinheiro Guimarães, e pelo assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia, o Itamaraty abriu 59 embaixadas no governo Lula. Elaas foram instaladas, em sua grande maioria, em países pores do Caribe, da ásia e da África. Catorze são cumulativas: ficam em lugares tão insignificantes para os interesses brasileiros que são chefiadas a distância por um embaixador lotado em um país mais relevante. A lista dos postos inexpressivos vai de “A”, de Azerbaijão, a “Z” de Zâmbia. O mais novo integrante da relação é o africano Malauí, que recebeu uma embaixada brasileira a menos de dois meses. No ano passado, as exportações brasileiras ao Malauí somaram 2 milhões de dólares. A confirmação de marco AUrélio Garcia no cargo é sinal de que a bizarrice terceiro-mundista não tem data para terminar.

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@gustavobarreto_(*) Gustavo Barreto, jornalista. Contato pelo @gustavobarreto_.

9 comentários sobre “O jornalismo megalonanico da Revista VEJA”

  1. VEJA não representa um plano epistemológico, metafísico e ideológico diferenciado. VEJA representa um bando de doente mental sociopata que ganhou um espaço para alimentar as outras sociopatias dos 5% da população brasileira. Prestar atenção no que a VEJA escreve é a mesma coisa que prestar atenção na produção “intelectual” de uma ala de doentes psicopatas de alta periculosidade. É digno de pena, não de busca por outras opiniões.

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  3. Caro Gustavo, parabéns pelo texto. Pelas mesmas razões, também deixei de ler Veja com regularidade, embora, por dever de ofício, vez ou outra ainda seja obrigado a tapar o nariz e encarar as “matérias” publicadas pela “revista”. Como bem define José Arbex, Veja transformou-se em um panfleto de quinta categoria, a melhor revista dos falcões norte-americanos escrita em Língua Portuguesa. Abraços!

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  6. É ridículo ver que há pessoas auto-intituladas jornalistas quando, na verdade, não passam de socialistas irritados com a melhor capacidade argumentativa daqueles que escrevem, sim, bons artigos em revistas renomadas. Pobre você, com sua péssima ortografia, mísera capacidade de argumentação, fraco apreço à gramática e ainda preso à ultrapassada idéia de que o mal é representado pelo capitalismo e o bem é representado pelo socialismo, a partir da qual brotam essas bizarrices que só mesmo a internet lhe permite publicar.

  7. Prezado Raphael:

    Você diz que eu tenho “mísera capacidade de argumentação” e “fraco apreço à gramática”, mas não dá um único exemplo ou argumento contrário. Me dê um único, por favor, para iniciarmos um debate democrático…

  8. já fui assinante de Veja mas hoje não consigo se quer ler uma matéria da revista tamanho o nojo que sinto daquela revista que sempre mostra o mesmo lado da moeda e nunca toma uma posição imparcial nos fatos. Na verdade Veja é a revistinha do PSDB.

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