O Governo e a Síndrome de Estocolmo

serraNão é novidade o projeto da oposição de atravancar o governo, obstruindo qualquer passagem que nos conduza a avanços políticos e econômicos. A vitória apertada nas urnas era prenúncio de quatro anos duros de governar. Mas, a continuação de projetos sociais, o aumento das oportunidades na área de educação e a pegada de proteção e valorização das nossas riquezas eram pontos que justificavam e motivavam a continuidade.
Engessado pelos demais poderes, sofrendo com as incoerências judiciais e com a pressão midiática, o governo limitava-se até então a sustentar aquilo que foi conquistado ao longo desses últimos anos. Os poucos suspiros do moribundo eram capazes de alimentar os ânimos, conduzindo, mesmo que de forma breve, a crer no “agora vai!”. Mas, como um doente em estado terminal, os poucos momentos de salubridade são esmagados por uma onda fúnebre que ao que tudo indica, não vai parar. Cansado de equilibra-se entre acalmar a opinião pública e o capital, esquecendo-se inclusive da própria base, a atitude do governo diante do projeto entreguista do pré-sal pode ser a gota d’água.
A Petrobrás sempre foi o coração da nação. Desde a sua criação no governo Vargas, ela é alvo da cobiça internacional. Foram diversas tentativas de venda. A era FHC foi à última superada com esforço.
Na era Lula, a Petrobras cresceu, tendo seus valores ampliados. E o melhor, passou-se a crer na capacidade do povo de conduzir o que é seu. Com a descoberta do pré sal, tivemos a oportunidade de ampliar os investimentos na educação e saúde, e nos distanciar das forças favoráveis ao projeto entreguista. Frustramos, em primeiro momento, a ambição de venda dos que não acreditam no Brasil nem no brasileiro.
Agora, em um momento crítico, as aves de rapina surgem novamente, com um projeto que tem caráter de urgência. É a famosa promoção relâmpago que se ampara na falta de base do governo, na crise internacional e no bloqueio econômico interno. Ou seja, oportunidade ímpar.
E é assim, que de forma orquestrada, sob a batuta de José Serra, que a esperança de um pré-sal voltado para desenvolvimento do nosso povo, naufraga. O discurso é o mesmo de sempre. Justifica-se que vai ser bom para o Brasil, aumentando o número de empregos, acelerando o processo de crescimento e diminuição da corrupção. Balela. Temos toda a estrutura tecnológica e capacidade de conduzir o negócio e manter os lucros em casa. Além disso, todas as empresas de Petróleo no mundo vivem um momento de dificuldade e com isso, as reservas brasileiras passaram a ser desejadas e espionadas.
Mas, é assim que o capital funciona: aproveita-se do momento mórbido, onde o governo encurralado pela crise econômica, oriunda de erros reais e armações golpistas, precisa urgentemente respirar. O capital quer nos engolir, mas faz-se de bom moço e saída única. Mentira. O pré-sal é a nossa saída. Não podemos cair nessa conversa para boi dormir e conceder, principalmente neste momento, onde o valor do petróleo está extremamente baixo. Tudo faz parte de uma jogada de mercado, que visivelmente empurra para baixo os valores, diminuindo os lucros de países que fazem contraponto aos americanos e vivem quase que exclusivamente dessa matéria-prima.
E o pior disso tudo é que não estamos perdendo fazendo contraponto, lutando. Perdemos no Senado por uma nefasta opção do governo que para manter sua cabeça oferece as do povo.
A batalha ainda não está perdida. Ainda temos tempo de nos mobilizar, discutir e pressionar. E mesmo com essa pancada por trás dada pelo governo, ainda fico aguardando uma notícia de que a opção de não lutar ontem, tenha sido uma estratégia. Caso contrário, teremos a certeza de que o governo, que ontem, levantava uma bandeira nacionalista, hoje, vem sendo abatido e derrotado pela síndrome de Estocolmo.
(*)Foto: contextolivre.com.br

Um comentário sobre “O Governo e a Síndrome de Estocolmo”

  1. O governo está engessado e paralisado. Ainda fico me perguntando se esse governo gosta de sofrer. Não quer dizer que a oposição esteja forte, a oposição ainda tem folego por causa da mídia casa grande .
    Ainda lembro-me do saudoso Hugo Chávez, que não teve medo da cara feia da mídia venezuelana e quanto menos da oposição . Acredito que falta neste governo Dilma e encarar os inimigos de perto e não ter medo da cara feia da mídia.

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