A dureza do governo federal perante as justas reivindicações dos docentes universitários, refletida na não disposição de negociar, evidencia o que me parece seja o mais alarmante dos sintomas da decisiva virada para a direita do governo de Dilma Rousseff.
O governo não somente não se importa com a precaríssima situação salarial dos trabalhadores neste setor de importância estratégica para a cidadania, como, pior ainda, mostra, com este descaso, o seu desinteresse no que diz respeito à educação, que deveria ser uma prioridade para um governo que posa de esquerdista, de estar do lado dos trabalhadores e do povo.
Não se interessa o governo federal pela situação de trabalho dos docentes. Por quê esta discriminação? Por que o governo sequer escuta o que os docentes em greve tem a dizer? Lembra dos piores temos do autoritarismo. Grevista só é ouvido, se recuar.
O governo aposta na derrota de um movimento que está crescendo e se fortalecendo. Isto é inédito, no marco da desmobilização geral que se observa na sociedade brasileira. O movimento grevista dos docentes universitários está tirando a máscara de um governo que, como outros na América Latina, se serviu de ex- combatentes da esquerda, para levar a termo os piores desígnios da direita.
Des-educar é e sempre foi um dos objetivos da oligarquia. Enquanto a presidente vai para eventos como a inócua conferência Rio + 20, ou a retórica reunião de presidentes do Mercosul e da Unasul, não tem tempo o governo, de receber os docentes.
Há tempo para viagens e eventos ineficientes, mas não há tempo para a cidadania que se constrói com o ensino e a pesquisa, com a extensão.

será q vale apena ser professor no brasil,ganlhando pouco e ainda sendo ignorados pelo governo ?
Vale a pena, se você lutar pela educação pública e gratuita de qualidade. E se ainda insistir, como os professores vem insistindo, em valorizar a profissão, de importância crucial para o desenvolvimento humano.