
O Papa Francisco nos diz que se inspirou em Francisco de Assis para escrever a Encíclica “Fratelli Tutti”, tão necessária para os nossos dias.
Inspirando-me nos dois “Franciscos”, escrevo sobre “O Fraterno Amor”, expressando, humildemente, o que sinto e penso a respeito deste assunto relativo à fraternidade.
O Amor é a essência da vida! Amar é a principal característica de uma filha ou de um filho de Deus. Somos criados por amor e para viver no amor. Esta é a nossa base, nosso alicerce, nosso fundamento. Neste fundamento seguro, poderemos edificar nossa vida e existência.
“Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos” é a mensagem central de Jesus de Nazaré, que resume o sentido mais profundo da vida. Segundo São João, em sua primeira carta (1Jo 4, 7–8), precisamos amar uns aos outros, “porque o amor vem de Deus. E todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor.”
Não satisfaz o nosso ser falar e pensar sobre o amor, pois não é apenas uma questão de palavras ou conhecimentos, mas tem a ver com um sentir profundo, com um jeito de viver, com uma postura de vida e atitudes concretas, que vão gerando uma alegria verdadeira e profunda gratidão ao reconhecer-se como alguém imensamente amado, infinitamente amada.
Amada por quem?… Amado por quem?…
O nome, ou significante, não importa muito não! Importa o significado, que alguns denominam Deus, Javé, Alá, Tupã etc. Acreditando, ou não acreditando, o fato é que não somos obras do “acaso”, não surgimos do nada e nem para o nada iremos. Fomos pensados, planejados e formados com muito amor e carinho — uma obra perfeita — porém, ainda inacabada. Como dizia Santo Agostinho, “o Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti!”
Admitindo, ou não, somos filhas e filhos de um Pai-Mãe que é puro amor, que nos criou por amor, para viver no amor. Este é o selo, a marca, o nosso, digamos assim, “DNA espiritual”. Diferentes, como as folhas de uma imensa árvore, mas todas ligadas à mesma raiz. Em nossas particularidades e singularidades, somos únicos, inclusive com marcas físicas próprias que nos caracterizam, a exemplo das impressões digitais, da íris etc.; no entanto, na essência do nosso ser, que é AMOR, somos todos iguais! Imagine uma chama viva, que aquece e ilumina, não importando o recipiente onde esteja, ou como um raro e preciosíssimo perfume, que mantém e conserva o seu aroma, independentemente do vaso ou frasco que o contenha. Neste sentido, não somos “apenas” vasos distintos e variados recipientes; somos, sobretudo, no mais íntimo do nosso ser, chamas e perfumes de um vivo amor!
“Sagrado é tudo que nos move…
Fé, amores, sonhos.
Nossos caminhos e bem querer…”
“Este lugar que pulsa amor é dentro da gente,
é essência,
está em cada um de nós.” (Catador de Lindezas: Rita Maidana)
Se, portanto, somos filhos e filhas de um “Pai-Mãe” que é puro amor, que nos criou por amor e para o amor, que nos envia sempre e, constantemente, seus mensageiros para nos ensinar a viver de acordo com esse amor — enviando, inclusive, o seu próprio Filho — acredito que chegaremos a ser e viver como filhas e filhos amáveis, amorosos e edificadores de um caminho para um “novo céu” e “nova terra”, onde todos viveremos, de fato, como irmãos e irmãs, irmãos do “Fraterno Amor”
Pery_Açu
“Irmã do Fraterno Amor”
*Vera Periassu, educadora popular, cordelista e escritora.
