
Na manhã de quinta-feira, num frio de congelar o corpo, tive apenas um aluno para aula das sete horas. Como às oito horas teríamos treino de jiu-jitsu, o único aluno optou por ficar lendo, aguardando a próxima turma. Entre a aula que não se teve e a outra que estava por vir, deitamos no tatame. Enquanto ele lia, eu jogava sudoku.
Lá pelos primeiros dez minutos de leitura, eis a surpresa: o jovem atleta, de quinze anos, surpreendentemente me pergunta por que andam chamando a Globo de golpista.
Entusiasmado com a sua curiosidade, me preparei para iniciar a resposta. De forma pedagógica, fui explicando a origem da emissora, a relação com o golpe de 64, as sabotagens na eleição de 1989 e todas as omissões e tendências na política atual. Obviamente, não era possível descrever toda a perversão da emissora e da grande mídia em geral, em tão pouco tempo. Além do mais, era preciso ter cuidado para não desvirtuar o seu interesse com falas maçantes. O curioso é que a cada explicação ele vinha com uma nova pergunta.
Antes de continuar a narrativa, destaco que este aluno estuda em uma das escolas ocupadas, mas participa pouco do movimento pois os pais temem as consequências. A mãe, com o primeiro grau incompleto, é empregada doméstica, telespectadora voraz da rede Globo e segundo ele, fazia, até então, o discurso de fora Dilma.
Voltando aos temas políticos, falei das leis trabalhistas que englobaram as empregadas domésticas e algumas outras transformações que ocorreram na sociedade, tanto na área social, educacional, quanto na região nordeste. Comentamos também os erros do PT, a adesão ao sistema e o inchaço do partido que, fugindo da sua tradição, aceitou parlamentares com uma conduta distinta dos seus ideais.
Obviamente não tivemos tempo para ir muito além naquela manhã. Mas, o fato dele estar lendo e buscando informações políticas é um prenúncio de que dias melhores virão.
Falo disso tudo para chegar às próximas eleições.
Com o desgaste do PT e a dificuldade em perceber que é preciso fazer uma profunda autorreflexão, descartando certos quadros, condutas e composições, muita gente vai se desligando da legenda. Alguns partidos de esquerda vão preenchendo essa vaga, onde muitos parlamentares, oportunamente, aproveitam-se da crise moral para atrair votos.
Independente dos métodos que serão praticados, a grande dúvida é saber qual grupo ou partido irá preencher a vaga do PT na relação com os oprimidos e com a classe trabalhadora. Destaca-se que além dos grandes feitos, o PT tem na sua base, trabalhadores e minorias. Com tudo isso, a grande mídia conseguiu usurpar consciências e colocar o beneficiado fazendo o discurso do antagonista. Essa é a realidade de grande parte da nossa população: o oprimido com discurso do opressor.
É preciso ressaltar que existe uma larga distância entre fazer críticas ligadas à ética e a moral e ter um programa de inclusão capaz de atrair e beneficiar os prejudicados de sempre. Além dessa distância, destaca-se que o sistema político não mudou. Os mesmos caciques da política municipal, empresários de transportes e outros mais, continuam em evidência e com forte respaldo em todo processo. E como já disse anteriormente, as maiores vítimas de todo processo agem como se tudo fosse natural.
Enquanto o PT não acorda para sua atual realidade, outra parte da esquerda vai crescendo com uma retórica crítica, principalmente em cima dos erros petistas, mas ainda com certa distância da realidade social: o discurso feito, na grande maioria das vezes, não atinge o alvo com precisão.
Na dificuldade de unificação das esquerdas, alguns concorrentes mantém seu processo organizado, contando com a alavanca do capital e a perversidade da grande mídia. Destacam-se as táticas de distribuição de recursos e captação de lideranças locais, que se organizam em forma de pirâmide, mantendo um curral eleitoral forte e quase intransponível. Além disso, temos a intervenção religiosa cooptando uma grande parcela dos eleitores.
Com todo esse cenário, ficamos aguardando o bom senso das esquerdas. Enquanto um lado quer se distanciar, mantendo o discurso inovador e limpinho, o outro ainda não percebeu que é preciso descer do pedestal rachado e voltar ao trabalho de base.
Quando perceberem que a realidade é bem mais cruel do que parece, pode ser tarde demais.

Na semana passada,estava na aula no PVC e um aluno afirmou categoricamente que a violência no Estado do Rio era culpa de Leonel Brizola,pois ele (Brizola),deu guarita aos marginais.
Didaticamente expliquei todo o processo de violência ocorrida nas favelas cariocas. Na visão de quem mora no asfalto quem é morador de morro e periferia é um ” outro” . “Outro” que dever ser visto com desconfiança e ser tratado com mãos de ferro pelo Estado.
Dei referencia para ele estudar. Não sei se ele mudou de ideia,mas fiz minha parte como professor.
Paulo,há casos de pessoas sequer sabem porque estão gritando fora Dilma. As coisa saiu de ritmo a tal ponto que que misturam comunismos com fascismo