
O filósofo e critico cultural socialista Mark Fisher faleceu neste dia em 2017. Para rememorar seu vasto legado intelectual, publicamos seu artigo sobre aceleracionismo e a esquerda, que traz uma de suas críticas mais ácidas a Nick Land, seu mentor e atualmente um dos líderes do movimento neoreacionário trumpista.
Mark Fisher, em certo grau, e como podemos ler no texto abaixo, se intitulava “acelarionista” (de esquerda). Publicado em 2014 dentro da coletânea #ACCELERATE, Exterminador do futuro vs Avatar é talvez a maior traulitada dada por Fisher em seu ex-mentor (não bem um mentor, mas uma figura que ele tinha como influente, inteligente, que lhe ensinou muita coisa) Nick Land.
Hoje associado ao movimento neorrecionário, celebrado por figuras abjetas como Peter Thiel e Mencius Moldbug (Aka Curtis Yarvin), o niilismo de Land o levou a virar a estrela de um movimento que de certa forma prega um aceleracionismo em marcha ré. Citando alguns dos filósofos que compõem a espinha dorsal do pensamento landiano (Nietzsche, Lyotard, Deleuze & Guattari), Fisher mostra que a esquerda calcificada pelos futuros perdidos é um espelho (torto) do inumanismo landiano que acredita que o Capital vai superar cognitivamente a ideia de humanidade, se transformando em uma Inteligência Artificial (a tal da AGI, o santo graal do Vale do Silício no momento) que dispensará a ideia da especie, biologicamente falando, rumo a um futuro pós-humano – a conclusão lógica de uma filosofia fundada a partir de ficção científica distópica e doses cavalares de anfetamina.
Fisher, ao contrário, tenta imaginar um futuro de pós-escassez, para além do capitalismo, e é essa argumentação que vai descambar em seu último projeto, o inacabado Comunismo lisérgico. Mas bem, abaixo, Exterminador do futuro vs Avatar em toda a sua glória.
Exterminador do Futuro vs Avatar
Por que vocês, intelectuais políticos, tendem a simpatizar com o proletariado? Em solidariedade a quê? Eu imagino que um proletário os odiaria, vocês não têm ódio porque são burgueses, privilegiados, de mãos macias, mas também porque vocês não têm a coragem de dizer a única coisa importante a ser dita, que alguém pode gostar de engolir a merda do capital, seus materiais, suas barras de metal, seu poliestireno, seus livros, seus patês de salsicha, engolinto às toneladas até explodir – e porque, ao invés de dizer isso, que também acontece nos desejos daqueles que trabalhar com as mãos, bundas e cabeças, ah, vocês querem ser líderes de homens, mas olha só que líder de proxenetas, vocês se inclinam para a frente e revelam: ah, mas isso é alienação, não é bonito, espere, nós vamos salvá-lo disso, vamos trabalhar para libertá-lo desse afeto perverso pela servidão, vamos lhe dar dignidade. E assim vocês se colocam no lado mais desprezível, o lado moralista, onde desejam que nossos desejos capitalizados sejam totalmente ignorados, paralisados. Vocês são como padres com pecadores, nossas intensidades servis os assustam, vocês precisam se convencer: como eles devem sofrer para suportar isso! E é claro que sofremos, nós, os capitalizados, mas isso não significa que não desfrutemos, nem que o que vocês pensam que podem nos oferecer como remédio para o quê? Não nos repugne ainda mais. Abominamos a terapêutica e sua vaselina, preferimos explodir sob os excessos quantitativos que vocês julgam os mais estúpidos. E também não esperem que nossa espontaneidade se revolte.
– J. F. Lyotard, Economia libidinal, tradução de euzinha em cima da tradução para o inglês de I.H. Grant
Na introdução à sua tradução de 1993 da obra Economia libidinal, de Lyotard, lain Hamilton Grant refere-se a uma certa “maturidade da sabedoria contemporânea”. Grant observa que Economia libidinal foi “uma explosão menor e de curta duração de um expressionismo antifilosófico um tanto ingênuo, uma tendência esteticizante que pairou sobre o autor a partir de um interesse renovado por Nietzsche, predominante no final dos anos 1960.
Mas haverá alguma via revolucionária? — Retirar-se do mercado mundial, como Samir Amin aconselha aos países do Terceiro Mundo, numa curiosa renovação da “solução econômica” fascista? Ou ir no sentido contrário, isto é, ir ainda mais longe no movimento do mercado, da descodificação e da desterritorialização? Pois talvez os fluxos ainda não estejam suficientemente desterritorializados e suficientemente descodificados, do ponto de vista de uma teoria e de uma prática dos fluxos com alto teor esquizofrênico. Não retirar-se do processo, mas ir mais longe, “acelerar o processo”, como dizia Nietzsche: na verdade, a esse respeito, nós ainda não vimos nada.
– Gilles Deleuze e Félix Guattari, O anti-Édipo, trad. Luiz B. L. Orlandi, Ed 34, São Paulo, 2010
E em Economia libidinal – a passagem sempre lembrada do texto, nem que seja pela sua má fama:
Os desempregados britânicos não precisavam se tornar proletários para sobreviver, eles – e agora leitor, segura firme e cuspa em mim – gostavam da exaustão histérica, masoquista, seja lá o que for que rolava nas minas, nas fundições, nas fábricas, no inferno, eles gostavam, gostavam da insana destruição do seu próprio corpo que era imposta a eles, gostavam da decomposição da sua identidade pessoal, a identidade que a tradição do servilismo havia imposto a eles, gostavam da dissolução das suas famílias e vilas, e gostavam da nova vida anônima monstruosa dos subúrbios e dos pubs pela manhã e à noite.
– J. F. Lyotard, Economia libidinal, tradução de euzinha em cima da tradução para o inglês de I.H. Grant
Com certeza cuspiram no Lyotard. Mas em que reside a suposta natureza escandalosa desta passagem? Levantem as mãos aqueles que querem abandonar os seus subúrbios e bares anónimos e regressar à lama orgânica do campesinato. Levantem as mãos, isto é, todos aqueles que realmente querem regressar às territorialidades pré-capitalistas, às famílias e às aldeias. Levantem as mãos, além disso, aqueles que realmente acreditam que esses desejos por uma totalidade orgânica restaurada são extrínsecos à cultura capitalista tardia, em vez de componentes totalmente incorporados à infraestrutura libidinal capitalista. A própria Hollywood nos diz que podemos até parecer viciados em tecnologia, sempre conectados ao ciberespaço, mas, por dentro, em nosso verdadeiro eu, somos primitivos organicamente ligados à mãe/planeta e vítimas do complexo militar-industrial. O filme Avatar, de James Cameron, é significativo porque destaca a denegação que constitui a subjetividade do capitalismo tardio, mesmo mostrando como essa denegação é enfraquecida. Só podemos brincar de ser primitivos interiores em virtude da tecnologia de quase-realidade virtual cinematográfica, cuja própria existência pressupõe a destruição do idílio orgânico do planeta Pandora.
E se não há desejo de voltar, exceto como férias baratas de Hollywood chafurdando na miséria alheia – se, como argumenta Lyotard, não existem sociedades primitivas (sim, “o Exterminador estava lá desde o início, distribuindo microchips para acelerar seu advento”) –, então, a única direção a seguir não é adiante? Através da merda do capital, suas barras de metal, seu poliestireno, seus livros, seus patês de salsicha, sua matriz cibernética?
Quero fazer três proposições:
- Todo mundo é aceleracionista
- O aceleracionismo nunca aconteceu
- O marxismo não é nada se não for aceleracionista
Dos textos da década de 1970 que Grant menciona em seu prefácio, Economia libidinal foi, em alguns aspectos, o elo mais crucial com a ciberteoria britânica. Não é apenas o conteúdo, mas o tom intemperante de Economia libidinal que é significativo. Aqui, podemos recordar as observações de Zizek sobre Nietzsche: no nível do conteúdo, a filosofia de Nietzsche é agora eminentemente assimilável, mas é o estilo, a invectiva, que não podemos imaginar um equivalente contemporâneo, pelo menos não um que seja solenemente debatido na academia. Tanto Iain Grant quanto Ben Noys seguem o próprio Lyotard ao descrever Economia libidinal como uma obra de afirmação, mas, assim como os textos de Nietzsche, Economia libidinal habitualmente adia sua afirmação, envolvendo-se em grande parte do texto em uma série de ódios (aparentemente parentéticos). Enquanto O anti-Édipo permanece, em muitos aspectos, um texto do final dos anos 1960, Economia libidinal antecipa os anos 1970 punk e se baseia nos anos 1960 que o punk projeta retrospectivamente. Não muito abaixo do “sim embriagado de desejo” de Lyotard está o Não do ódio, da raiva e da frustração: sem satisfação, sem diversão, sem futuro. Esses são os recursos da negatividade com os quais acredito que a esquerda deve entrar em contato novamente. Mas agora é necessário reverter a ênfase de Deleuze-Guattari/Economia libidinal na política como um meio para uma maior intensificação libidinal: trata-se, antes, de instrumentalizar a libido para fins políticos.
Se Economia libidinal foi repudiado, mas mais frequentemente ignorado, o momento teórico dos 1990s para o qual a própria tradução de Grant contribuiu teve um destino ainda pior. Apesar de sua reputação atual como fundador do realismo especulativo, os textos incendiários 1990s de Grant – cirurgias ciborgues sublimes suturando Blade Runner em Kant, Marx e Freud – praticamente desapareceram de circulação. O trabalho do antigo mentor de Grant, Nick Land, nem sequer suscita comentários depreciativos. Tal como Economia libidinal , o seu trabalho também suscitou pouca resposta crítica – e Land, para dizer o mínimo, não tinha amigos marxistas a perder. O ódio pela esquerda académica era, na verdade, um dos motores libidinais do trabalho de Land. Como ele escreve em “Machinic Desire” (“Desejo maquínico”):
A revolução maquínica deve, portanto, seguir na direção oposta à regulamentação socialista. Pressionando por uma mercantilização cada vez mais desinibida dos processos que estão destruindo o campo social, “ainda mais” com “o movimento do mercado, da decodificação e da desterritorialização” e “nunca se pode ir longe o suficiente na direção da desterritorialização: você ainda não viu nada”.
– Nick Land, Fanged Noumena, citando O anti-Édipo no fim.
Land foi o nosso Nietzsche – com a mesma provocação às chamadas tendências progressistas, a mesma mistura bizarra do reacionário e do futurista, e um estilo de escrita que atualiza os aforismos do século XIX para o que Kodwo Eshun chamou de “texto na velocidade de sampler”. A velocidade – tanto no sentido abstrato quanto no químico [aqui Fisher faz referência à palavra “speed”, que significa tanto “velocidade” quanto “anfetamina”, substância amplamente utilizada por Land na época (uma doideira bicho!)] – é crucial aqui: provocações telegráficas tech-punk substituindo a cogitação conspícua de tanto continentalismo pós-estruturalista, com sua implicação de que quanto mais trabalhosa e agonizante fosse a escrita, mais pensamento deve estar ocorrendo no texto.
Quaisquer que sejam os méritos das outras provocações teóricas de Land (e vou sugerir alguns problemas sérios com elas em breve), os ataques devastadores de Land à esquerda acadêmica – ou aos resmungos aburguesados e subsidiados pelo Estado que tantas vezes se autodenominam marxismo acadêmico – continuam incisivos. A regra não escrita desses “carreiristas sabotadores” é que ninguém espera seriamente que alguma vez aconteça uma renúncia à subjetividade burguesa. Passe o Merlot, tenho uma carreira inteira de críticas mesquinhas para fazer. Assim, vemos uma proteção implacável dos interesses pequeno-burgueses disfarçada de política. Artigos sobre antagonismo e, depois, todos para o bar. Em vez disso, Land levou a sério – ao ponto da psicose e esquizofrenia autoinduzida – a prescrição spinozista-nietzscheana-marxista de que uma teoria não deve ser levada a sério se permanecer no nível da representação.
O que, então, é a filosofia de Land?
Em poucas palavras: o desejo maquínico de Deleuze e Guattari foi impiedosamente despojado de todo o vitalismo bergsoniano e tornado compatível com a pulsão de morte de Freud e a Vontade de Schopenhauer. O motor hegeliano-marxista da história é então transplantado para esse niilismo pulsional: a Vontade autônoma idiota não circula mais no lugar, mas é atualizada para uma pulsão e guiada por um atrator de inteligência artificial quase teleológico que atrai a história terrestre por uma série de limiares intensivos que não têm um ponto escatológico de consumação e que alcançam a terminação empírica apenas contingentemente, se e quando seu substrato material se esgota. Este é o materialismo histórico hegeliano-marxista invertido: o Capital não será finalmente desmascarado como força de trabalho explorada; em vez disso, os humanos são marionetes do Capital, suas identidades e autocompreensões são simulações que podem e serão finalmente descartadas.
Mais duas amostras de texto para estabelecer a narrativa:
O Commercium Emergente Planetário destrói o Sacro Império Romano, o Sistema Continental Napoleônico, o Segundo e Terceiro Reich e a Internacional Soviética, aumentando a desordem mundial por meio de fases de compressão. A desregulamentação e o Estado entram em uma corrida armamentista no ciberespaço.
– Land, “Meltdown” em Fanged noumena
Deixa de ser uma questão de como pensamos sobre a técnica, até porque a técnica está cada vez mais pensando sobre si mesma. Ainda pode demorar algumas décadas até que as inteligências artificiais ultrapassem o horizonte das biológicas, mas é totalmente supersticioso imaginar que o domínio humano da cultura terrestre ainda é contado em séculos, quanto mais por alguma perpetuidade metafísica. O caminho mais elevado para o pensamento já não passa pelo aprofundamento da cognição humana, mas sim por uma desumanização da cognição, uma migração da cognição para o reservatório emergente de tecnossensciência planetária, para “paisagens desumanizadas… espaços vazios” onde a cultura humana se dissolverá.
– Land, “Circuitries”, em Fanged noumena
Esta é, deliberadamente, uma teoria como ficção cyberpunk: o conceito de Deleuze-Guattari do capitalismo como a Coisa virtual e indizível que assombra todas as formações anteriores, soldada à distorção do tempo dos filmes da série Exterminador do futuro: “o que aparece à humanidade como a história do capitalismo é uma invasão do futuro por um espaço artificial inteligente que deve se montar inteiramente a partir dos recursos de seu inimigo”, como diz “Machinic Desire”. O capital como uma pulsão de megamorte [“megadeath-drive” no original, intraduzível a referência à banda estadunidense de thrash metal] como o Exterminador do Futuro: aquilo que “não pode ser negociado, não pode ser convencido, não demonstra piedade, remorso ou medo e absolutamente não vai parar, nunca”. As piratarias de Land dos filmes Exterminador do Futuro, Blade Runner e Predador tornaram seus textos parte de uma tendência convergente – uma cibercultura aceleracionista na qual a produção sonora digital revelava um futuro inumano que deveria ser apreciado em vez de abominado. A teoria-poesia maquínica de Land era paralela às intensidades digitais do jungle, do techno e do doomcore dos 1990s, que sampleavam exatamente as mesmas fontes cinematográficas, e também antecipava “a iminente extinção humana tornando-se acessível como uma pista de dança”.
O que isso tem a ver com a esquerda? Bem, para começar, Land é o tipo de antagonista de que a esquerda precisa. Se o ciberfuturismo de Land pode parecer ultrapassado, é apenas no mesmo sentido em que o jungle e o techno estão ultrapassados – não porque tenham sido substituídos por novos futurismos, mas porque o futuro como tal sucumbiu à retrospecção. O futuro próximo real não era sobre o Capital tirar sua máscara de látex e revelar a caveira mecânica por baixo; era exatamente o oposto: New Sincerity, computadores Apple anunciados ao som de um pop kitsch e fofo. Essa falha em prever até que ponto o pastiche, a recapitulação e um individualismo neurótico hiper-edipalizado se tornariam as tendências culturais dominantes não é um erro contingente; aponta para um erro de julgamento fundamental sobre a dinâmica do capitalismo. Mas isso não legitima um retorno às penas e perucas empoadas da revolução burguesa do século XVIII, nem à lógica infinitamente reencenada do fracasso de maio de 1968, nenhuma das quais tem qualquer influência no terreno político e libidinal em que estamos atualmente inseridos.
Embora a releitura cibergótica de Land de Deleuze e Guattari seja, em muitos aspectos, superior ao original, seu desvio da compreensão deles sobre o capitalismo é fatal. Land reduz o capitalismo ao que Deleuze e Guattari chamam de esquizofrenia, perdendo assim sua visão mais crucial sobre a forma como o capitalismo opera por meio de processos simultâneos de desterritorialização e reterritorialização compensatória. A face humana do capital não é algo que ele possa eventualmente deixar de lado, um componente opcional ou um invólucro-casulo que ele possa finalmente dispensar. Os processos abstratos de decodificação que o capitalismo desencadeia devem ser contidos por arcaísmos improvisados, para que o capitalismo não deixe de ser capitalismo. Da mesma forma, os mercados podem ou não ser as redes auto-organizadas descritas por Fernand Braudel e Manuel Delanda, mas o que é certo é que o capitalismo, dominado por quase-monopólios como a Microsoft e o Wal-Mart, é um anti-mercado. Bill Gates promete negócios à velocidade do pensamento, mas o que o capitalismo oferece é pensamento à velocidade dos negócios. Uma simulação de inovação e novidade que encobre a inércia e a estagnação.
Precisamente por estas razões, o aceleracionismo pode funcionar como uma estratégia anticapitalista – não a única estratégia anticapitalista, mas uma estratégia que deve fazer parte de qualquer programa político que se intitule marxista. O fato de o capitalismo tender para a estagflação, de que o crescimento é, em muitos aspectos, ilusório, é mais uma razão para que o aceleracionismo possa funcionar de uma forma que Alex Williams caracteriza como “terrorista”. Não estamos discutindo aqui uma espécie de intensificação da exploração que um humanismo socialista bobalhão poderia imaginar quando se invoca o espectro do aceleracionismo. Como sugere Lyotard, a esquerda que se limita a uma crítica moral do capitalismo é uma traição irremediável do futurismo anti-identitário que o marxismo deve defender para ter algum significado.
O que precisamos, como argumenta Fredric Jameson — autor de “Wal-Mart as Utopia” [Wal-Mart como utopia] —, é de um novo movimento além do bem e do mal. E isso, diz Jameson, pode ser encontrado em nada menos que o Manifesto Comunista. “O Manifesto”, escreve Jameson, “propõe ver o capitalismo como o momento mais produtivo da história e, ao mesmo tempo, o mais destrutivo, e lança o imperativo de pensar o Bem e o Mal simultaneamente, como dimensões inseparáveis e inextricáveis do mesmo presente. Esta é, então, uma forma mais produtiva de transcender o Bem e o Mal do que o cinismo e a ilegalidade que tantos leitores atribuem ao programa nietzschiano”. O capitalismo abandonou o futuro porque não pode cumpri-lo. No entanto, as tendências da esquerda contemporânea para o canutismo, sua retórica de resistência e obstrução, conspiram com a antinarrativa/metanarrativa do capital de que essa é a única história que resta. É hora de deixar para trás a lógica das revoltas fracassadas e pensar novamente no futuro.
