No Ceará, terra dos Tremembé é ameaçada por resort espanhol

Há quase quinze anos, indígenas lutam pela demarcação de sua terra em Itapipoca; cobiçada por empreendimento turístico, a área foi delimitada pela Funai há três anos, mas ainda não foi homologada pelo Ministério da Justiça

É dia de festa – e de luta – no sítio São José, uma das quatro aldeias que compõem a Terra Indígena Tremembé da Barra do Mundaú, em Itapipoca, a 130 quilômetros de Fortaleza, Ceará. Nas cercas e nas palhoças deste território ameaçado estão as faixas exigindo a demarcação das terras. Uma delas aponta o inimigo que há quase quinze anos cobiça a área dos Tremembé: “Fora Nova Atlântida!”, exige a faixa.

Caso a batalha na Justiça Federal seja vencida pelo grupo empresarial espanhol, as palhoças, roçados, a cultura e o modo de vida dos Tremembé darão lugar a piscinas repletas de turistas endinheirados degustando caipirinhas enquanto esperam a próxima partida de golfe. A intenção da Nova Atlântida é construir um megaempreendimento turístico nesse quinhão do litoral oeste cearense, ainda pouco explorado. O nome, escolhido em alusão à lendária metrópole grega que repousa no oceano, pretende transmitir a grandiosidade do projeto.

Por isso, as faixas continuam penduradas durante a Festa do Murici e Batiputá (ao final da colheita desses dois frutos nativos) – uma das celebrações mais importantes dos Tremembé. “No meio da luta tem as festas também né? É uma festa que vem dos nossos antepassados, mas tava meio esquecida e nós estamos resgatando”, diz Erbene Tremembé, que divide a liderança da aldeia com outra mulher, Adriana Tremembé. “Aqui é meio diferente, são as mulheres que mandam”, brinca Erbene.

Fonte: Agência Pública
http://apublica.org/2015/01/no-ceara-terra-dos-tremembe-e-ameacada-por-resort-espanhol/

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