Natal nas Vielas

Imagem criada com IA

Um poema de AnnaLuciaGadelha
e Aldrin Marcelo Félix

Nas casas ricas o perfume é de assado
Vinho caro, mesa farta, riso ensaiado
Nos becos o cheiro é de solidão
E o banquete é vento, não há pão

Aqui na favela as crianças não ganham brinquedo
A realidade é dura, a molecada aprende cedo
Papai Noel de Shopping Center não sobe o morro
Quem pode imaginar o bom velhinho
No meio do tiroteio pedindo socorro?

Mas mesmo assim há quem sorria
Com pouco inventa sua alegria
Porque no peito do pobre ainda há calor
Mesmo sem presente vive o amor

Todos querem um Natal com paz e harmonia
Na favela, condomínio, na praia ou na periferia
Minha gente sofre, mas trabalha e espera confiante
Depositando no Jesus menino a sua fé, segue adiante.

No clarão das luzes da viela
Brilha a esperança singela
Mesmo sem luxo, há devoção
Natal também mora na emoção

Aqui na comunidade a gente bate, apanha e fala palavrão
A miséria maltrata o corpo, perturba a razão
Que dureza! É de cortar o coração
Outra vez muitas famílias passam as festas sem nenhum tostão

Mas mesmo assim há quem sorria
Com pouco inventa sua alegria
Porque no peito do pobre ainda há calor
Mesmo sem presente vive o amor

Todos querem um Natal com paz e harmonia
Na favela, condomínio, na praia ou na periferia
Minha gente sofre, mas trabalha e espera confiante
Depositando no Jesus menino a sua fé, segue adiante.

AnnaLuciaGadelha e Aldrin Marcelo Félix
analuciagadelha.pb@gmail.com

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Ouça, no vídeo abaixo, o poema musicado por IA. 

Vídeo de música no ritmo do rap “Made in Suno”, com letra composta por Aldrin M. Félix & AnnaLuciaGadelha. Neste canal as melodias, os arranjos e os vocais das canções criadas e compartilhadas são gerados com Inteligência artificial; já as letras são feitas por pessoas reais, letristas e poetas.

3 comentários sobre “Natal nas Vielas”

  1. O que mata não são a fome ou o frio, o que em verdade destrói vidas é a indiferença. Não se trata de demonizar a riqueza ou exaltar a pobreza. Ora, já que o Natal evoca o amor ao próximo pela lembrança da prática da solidariedade mútua e da vivência da igualdade e fraternidade, desejamos, nós, Anna e eu, autores dos presentes versos, que fraternidade, igualdade e solidariedade deixem um dia de ser apenas belas palavras na boca das pessoas e passem a vigorar como práticas e vivências necessárias durante o ano todo, porque das mansões às favelas com suas vielas escuras, todos merecem viver cercados de amor e dignidade. Feliz Natal!

  2. O poema traz a realidade da nossa sociedade. Mesa farta ou não, o mais importante é a fartura interior que cada um carrega dentro de si, o resto a gente que faz, corre atrás e a triste realidade se desfaz. Parabéns pelo poema!

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