Por Ana Amelia Guimarães*
Toninha mora com Dico na cabana à beira do rio que corre estreito e devagar. Eles trabalham na lavoura da fazenda ao lado e ganharam um pedacinho de terra para morar.
O rio estreito que passa em frente segue seu curso segurando nas pequenas plantas à sua volta. Peixinhos se divertem nas águas claras e borboletas amarelas passeiam dançando pra lá e pra cá. A natureza de nada se preocupa, só vive a embelezar.
Em noite de lua de cheia Toninha e Dico sentam fora da cabana, ele pega sua viola usada que ganhou do patrão, afina as cordas e começa a ensaiar as primeiras notas a musicar.
Com o céu transbordando de estrelas, a lua imensa a iluminar, os dois se põem a cantar. Os sapos seguem o comando da viola e completam a orquestra a coaxar.
Dico tem uma branquinha guardada para esses dias especiais e os dois brindam ao som do luar.
O mundo fica tão grande e tão pequeno que eles vão até as estrelas, posam na lua, olham de perto os planetas e a viola não para, nem os dois de cantar.
As músicas de uma beleza infinita mostram para eles o amor que sempre os uniu, diz ele para ela: – eu sou teu, e ela pra ele: – eu sou tua, a noite é só nossa e a lua só de nós dois.
Quando a madrugada vai chegando, o frio aumentando, entram na cabana, guardam a viola, fecham a porta, deitam na cama e se põem a amar.
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