
De Salvador (Bahia) – Dez movimentos que atuam em Salvador na luta por moradia popular, umas de âmbito estadual e outras nacionais, foram às ruas no dia 16, em defesa “da sua autonomia, da ética e da transparência”, como dizem em manifesto, e, mais concretamente, para apressar a entrega de 3 mil casas aos beneficiários do Programa Minha Casa Minha Vida, através da Caixa Econômica Federal, as quais, segundo lideranças, já estão prontas.
Fernando Romão, por exemplo, que é da Central de Movimentos Populares (CMP) e faz parte da coordenação da luta, diz que há uma espécie de “burocracia” que atrasa a entrega das unidades, embora eles tenham bom trânsito nas negociações através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do estado (Sedur). Lembra inclusive que anteriormente quase 3.000 famílias, que estavam acampadas há mais de cinco anos, oriundas de várias ocupações, já foram contempladas. Daí que uma das bandeiras de luta é a manutenção das cotas na Bahia e uma outra é “pela entrega imediata das mais de 3.000 moradias prontas”.


A defesa da autonomia e da ética está relacionada com “denúncias” difundidas na imprensa baiana sobre supostas comissões cobradas por entidades para que os beneficiários do programa possam receber suas moradias. Coordenadores do movimento negaram com veemência tal prática e protestaram contra o que consideram “ataques desferidos por covardes que se escondem atrás de pessoas desqualificadas”, conforme dizem no manifesto distribuído nas ruas. Alguns deles mostraram-se indignados por não terem tido direito de resposta em programas de televisão que deram aval a tais “denúncias”. Mencionaram o “Balanço Geral”, da TV Record-Bahia, e o QVP (“Que venha o povo”), da TV Aratu, que retransmite o SBT, programas considerados “populares”.
“Ataques infames da mídia golpista e monopolizada”
Ao discursar, outro coordenador da luta, Idelmário Proença, do Movimento dos Sem-Teto de Salvador (MSTS), bateu duro nos “covardes” e “pessoas desqualificadas”, embora sem citar nomes. (Denúncias desse tipo, mesmo sem comprovação, acabam fazendo coro com o processo de criminalização dos movimentos sociais e populares, tão em moda no Brasil, a partir de “ataques infames da mídia golpista e monopolizada, ou dos partidos e entidades daqueles que querem recolocar o Estado brasileiro a serviço de seus interesses particulares”, como diz o manifesto divulgado em Brasília neste mês por movimentos pela moradia de âmbito nacional, documento que os manifestantes baianos estavam distribuindo juntamente com o manifesto local).


Cerca de 1.000 pessoas participaram da manifestação, a maioria, segundo Proença, de bairros populares como Cajazeiras, Acampamento da Cidade Baixa, Mussurunga, 7 de Abril e Estrada Velha do Aeroporto. Eles se concentraram no Campo Grande, a partir das 10 horas, e desfilaram pela Avenida Sete de Setembro até a Praça Castro Alves, e, em seguida, já sem carro de som (de acordo com eles, exigência de uma lei municipal), foram até a Praça Municipal (mais cinco minutos de caminhada), área do centro histórico da capital baiana.
Predominava a cor vermelha, tanto nas bandeiras como nas camisetas. Não havia bandeira de centrais sindicais e de partidos políticos, embora se pudesse notar alguns com camiseta da CUT. Alguns líderes esclareceram que não há nada contra os partidos, apenas querem preservar a autonomia do movimento. Esteve presente a deputada estadual Maria Del Carmen, do PT. Um dos oradores na Praça Castro Alves teve um coro entusiástico ao lançar o “Lula-lá” da campanha do ex-presidente, que mereceu ainda pedido de boa recuperação no tratamento do câncer na laringe e voto para que volte à Presidência, “se Deus quiser”.
Além da CMP e do MSTS, participaram a União Nacional por Moradia Popular (UNMP), a Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), a Associação dos Trabalhadores e Desempregados Sem Teto (ATDST) e a Frente de Luta por Moradia (FLM), dentre outras entidades.
MOVIMENTOS POR MORADIA VÃO ÀS RUAS: PELA AUTONOMIA E CONTRA A VILANIA
