
O paradoxo da crítica acadêmica: a rejeição da meritocracia para explicar as desigualdades sociais e o seu uso conveniente para justificar a hegemonia progressista nas universidades.
Por Pedro Damazio Franco* / A Terra é /redonda, 27 de maio de 2026
1.
Desde a divulgação do Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica, abriu-se um amplo debate sobre os riscos de intimidação intelectual, os limites da liberdade de expressão e as condições do dissenso nas universidades brasileiras, entre outros temas relacionados. Nesse sentido, pode-se dizer que o manifesto já cumpriu talvez o seu principal objetivo: colocar no centro da discussão pública um problema que muitos professores e estudantes conhecem de perto, mas nem sempre se sentem autorizados a nomear.
Um dos intelectuais que têm contribuído de maneira substantiva para esse debate é Luis Felipe Miguel. O professor reconhece que há “bons motivos para preocupação com o fechamento do espaço de discussão de determinados temas nas universidades” e denuncia, de maneira corajosa, práticas e discursos anti-científicos que ameaçam a liberdade e o pluralismo acadêmico no Brasil. Enfatizo o terreno comum com Luis Felipe Miguel porque parece tocar no ponto mais importante: a valorização do pluralismo acadêmico sem rebaixar critérios intelectuais é uma premissa que compartilhamos, e a partir da qual podemos explorar nossas eventuais discordâncias.
Nesse espírito, me proponho agora a examinar criticamente alguns elementos específicos de seu diagnóstico. Refiro-me, em particular, ao modo como ele interpreta a distribuição de perspectivas à esquerda e à direita em diferentes disciplinas acadêmicas, bem como as causas que atribui a eventuais assimetrias nessa distribuição.
De modo geral, Luis Felipe Miguel afirma que a pretensa hegemonia de esquerda nas universidades é, “evidentemente, uma ficção” – sobretudo nas versões caricatas difundidas por alguns setores da direita. No caso das ciências sociais, porém, ele admite que posições à direita de fato têm menos espaço, mas afirma que isso não resulta de complô, censura ou fechamento institucional.
Sugere inclusive que muitos acadêmicos de direita se beneficiam do seu status de minoria ideológica. Sobre o motivo da escassez de conservadores nas ciências sociais, sugere que isso é apenas natural: perspectivas conservadoras tendem a oferecer interpretações menos críticas e, portanto, menos sociologicamente potentes da realidade social. Um exemplo disso seria a tendência da direita a adotar explicações “meritocráticas” da ordem vigente, o que reflete uma menor disposição para investigar o enraizamento estrutural das desigualdades que observamos.
2.
Não tenho dúvidas de que Luis Felipe Miguel tenha argumentos além dos que utilizou para sustentar esse diagnóstico até aqui. Ainda assim, se queremos promover um debate mais amplo sobre as condições do pluralismo na universidade, vale notar algumas lacunas e tensões importantes no argumento tal como apresentado.
Para começar, Luis Felipe Miguel não faz referência a nenhum estudo sistemático sobre o perfil ideológico do corpo docente universitário ou sobre os mecanismos que poderiam explicar o desequilíbrio entre disciplinas. De certa forma, isso não é uma falha individual. Encontramos, de fato, uma notável ausência de estudos empíricos sobre essa temática no Brasil. Essa lacuna dificulta a discussão do assunto em bases empíricas, e muitas vezes acabamos recorrendo a anedotas e impressões pessoais ao invés de dados e investigação sistemática.
Antes de voltarmos ao diagnóstico do professor, cabe perguntar por que um tema que desperta tanto interesse geral (praticamente todo pesquisador que conheço tem, assim como Luis Felipe Miguel, ao menos alguma hipótese sobre esse tema) atrai, no entanto, tão pouca curiosidade científica. Por que esse tema não é estudado seriamente no Brasil? Uma possibilidade é que o diagnóstico seja óbvio demais para merecer investigação: todo mundo sabe por que há poucos conservadores nas ciências sociais, então mais vale investigar outra coisa.
Uma explicação alternativa, no entanto, é que o tema na verdade está cercado por um campo minado de riscos políticos e reputacionais que afastam eventuais pesquisadores curiosos. Em suporte dessa hipótese, vale notar que desde o lançamento do Manifesto pela Pluralidade, não foram poucas as reações sugerindo que discutir ameaças ao pluralismo acadêmico seria inconveniente – ou mesmo perigoso – já que o tema alimenta e converge com narrativas da direita. Já expressei algumas das minhas discordâncias com esse argumento aqui.
Para os propósitos da presente discussão, vale enfatizar que, apesar das boas intenções que possam estar por trás dessas reações, elas não deixam de mandar a mensagem – ainda que implicitamente – de que dentro da universidade certas perguntas e discussões devem ser evitadas. E não por serem mal formuladas ou irrelevantes, mas por seus possíveis usos políticos e associações ideológicas. Dada a aparente prevalência desse sentimento, podemos nos perguntar então se o perfil ideológico dos nossos docentes universitários é pouco investigado porque já temos todos os dados e conclusões que precisamos sobre o assunto, ou porque investigá-lo pode gerar efeitos políticos inconvenientes e expor pesquisadores a custos reputacionais.
3.
Algumas dessas questões são discutidas na apresentação de Pablo Ortellado e Waldomiro Silva Filho sobre o estudo piloto que realizaram onde investigam o perfil político de docentes na USP e na UFBA – a primeira pesquisa desse tipo no Brasil. Como pesquisador interessado no tema, posso dizer em primeira mão que formular algumas das perguntas que Pablo e Waldomiro formularam – para não falar em apresentar alguns dos dados que apresentaram – de fato arrisca atrair rótulos bastante inconvenientes dentro da universidade.
Sobre o estudo em si, embora exploratório e preliminar, ele sugere um padrão semelhante ao que é observado há décadas em pesquisas internacionais: uma forte predominância de professores identificados à esquerda, sobretudo em áreas das ciências sociais e humanas. No Direito, apenas 16% dos docentes das duas universidades estudadas se declararam de direita ou centro-direita, contra 64% que se declararam de esquerda ou centro-esquerda. Em História, nenhum professor da amostra se identificou como de direita, centro-direita, ou até mesmo de centro: todos se identificaram como de esquerda ou centro-esquerda.
Embora esse estudo preliminar sugira uma predominância expressiva de perspectivas à esquerda em certos departamentos, ele não explora diretamente a questão que colocamos anteriormente: qual seria a causa dessa distribuição? Por que a direita é tão sub-representada na academia? Aqui podemos retornar ao diagnóstico proposto por Luis Felipe Miguel – mas encontramos em seu argumento uma tensão que deveria chamar a atenção de sociólogos críticos. Lembremos que, em sua contestação da imaginação sociológica da direita, ele alerta que a meritocracia é uma explicação sociologicamente débil para as desigualdades sociais que observamos.
Em seguida, no entanto, ao tratar da assimetria entre direita e esquerda nas ciências sociais, ele próprio parece recorrer a uma explicação de ordem meritocrática: se conservadores são minoritários, isso seria apenas porque suas teorias têm menor capacidade de interpretar o mundo. Em uma disciplina que recompensa o mérito epistêmico de diferentes visões sociológicas, a esquerda simplesmente seria mais merecedora que a direita.
Vemos então que, apesar da sua crítica à meritocracia, Luis Felipe Miguel parece admitir implicitamente que em ao menos alguns campos (nesse caso, o seu), a distribuição de espaços, recursos e prestígio pode, sim, ser determinada por questões de mérito. Seria essa uma perspectiva ‘conservadora’? Não necessariamente, é claro. Não vejo problema algum em reconhecer que teorias possam ter méritos epistêmicos distintos ou que elas possam ser recompensadas em função disso.
E, pelo menos para mim, não é preciso ser de direita ou esquerda para reconhecer que o mérito pode, sim, influenciar arranjos sociais. O problema – pelo menos se formos coerentes com a perspectiva “crítica” que Luis Felipe Miguel recomenda – é tratar o mérito como explicação única e suficiente para uma assimetria social tão marcante dentro da própria academia. Se podemos desconfiar de explicações puramente meritocráticas em outros domínios, por que não aplicar a mesma cautela aqui, perguntando também sobre o papel de redes, socialização disciplinar, mecanismos de seleção, custos reputacionais e formas sutis de preconceito e conformidade intelectual?
Ao ignorar isso tudo, corremos o risco de fazer exatamente aquilo que uma sociologia crítica deve evitar: falar em mérito apenas quando lidamos com o sucesso de grupos simpáticos e o insucesso de grupos antipáticos, e invocar causas externas e estruturais apenas quando lidamos com o sucesso de grupos antipáticos e o insucesso de grupos simpáticos. Esse é, afinal, um viés cognitivo pervasivo – e, ao que tudo indica, um viés ao qual a ciência social não está imune.
4.
A suspeita colocada aqui não é apenas especulativa. Embora o caso brasileiro ainda careça de estudos sistemáticos, a literatura norte-americana sobre diversidade política na academia oferece pistas importantes sobre os tipos de mecanismos sociais que podem produzir as assimetrias em questão. Eu mesmo já publiquei uma pequena revisão desse tipo de pesquisa. Reconheço que os estudos não são metodologicamente incontestáveis, nem podem ser transpostos automaticamente para o Brasil. Mas eles ilustram que a escassez de conservadores na academia não precisa ser explicada apenas pela hipótese meritocrática.
Para apontar apenas alguns dados disponíveis, Inbar e Lammers, em survey com psicólogos sociais e da personalidade, encontraram não apenas uma baixa proporção de conservadores autodeclarados – apenas 6% –, mas também uma disposição explícita de parte dos respondentes a discriminar colegas conservadores em revisão de artigos, grants, convites para simpósios e decisões de contratação. Ou seja, em um sistema profundamente dependente da aprovação dos pares – cartas de recomendação, pareceres, citações etc. – mesmo vieses discretos podem produzir efeitos cumulativos.
Embora trabalhos que sinalizam afinidades conservadoras frequentemente sejam rejeitados sob justificativas técnicas, dados levantados por Ceci et al. sugerem que tais trabalhos tendem a passar por mais escrutínio metodológico do que aqueles que sinalizam afinidades progressistas. O mesmo estudo sugere também que revisores frequentemente rejeitam trabalhos explicitamente sob a justificativa de que políticas públicas conservadoras poderiam se ancorar sobre eles.
Honeycutt e Freberg, em uma amostra mais ampla de docentes de quatro campi da California State University, encontraram resultados que complicam mas não anulam esse diagnóstico: tanto progressistas quanto conservadores expressam vieses contra o grupo ideológico oposto – mas, como conservadores são minoria em quase todas as áreas, o viés progressista tem muito mais oportunidade institucional de se converter em barreiras efetivas.
Essas barreiras podem operar não apenas por discriminação formal e explícita, mas também por mecanismos mais difusos de clima, reputação e autosseleção. Conservadores relatam mais hostilidade, maior receio de revelar suas opiniões e menor expectativa de acolhimento intelectual; isso afeta desde a decisão de ingressar na carreira acadêmica até a escolha de temas de pesquisa, orientadores, redes de colaboração e estratégias de publicação.
Como argumento em meu outro artigo, a interação sistêmica entre discriminação, clima hostil e autosseleção pode criar uma universidade percebida como pouco acolhedora a certas identidades políticas. Tanto a realidade quanto a imagem da universidade podem então afastar potenciais candidatos antes mesmo que processos formais de seleção entrem em cena.
5.
Vale mencionar também um estudo com professores de filosofia, onde Peters et al. encontraram que, independentemente das suas próprias afinidades políticas, participantes relatavam maior relutância em defender seus próprios argumentos quando estes levavam a uma conclusão “de direita” do que quando levavam a uma conclusão “de esquerda”. Isso sugere que o custo reputacional não pesa apenas sobre as identidades políticas declaradas dos pesquisadores, mas também sobre certas conclusões intelectuais.
Isso tudo não prova que toda queixa conservadora seja justa, nem que toda sub-representação decorra de processos não-meritocráticos. Mas torna sociologicamente insuficiente a explicação segundo a qual conservadores estariam ausentes em certos departamentos em razão exclusiva do seu (de)mérito intelectual. É claro, também, que estudos sobre viés político em processos acadêmicos são metodologicamente difíceis justamente porque envolvem juízos normativos sobre mérito intelectual.
Como observam Shields e Dunn em seu indispensável estudo sobre a experiência conservadora na universidade americana, uma medida objetiva de “méritos” ou “vieses” exigiria avaliar a qualidade e a relevância de pesquisas sociais independentemente de juízos normativos – tarefa especialmente complicada em áreas nas quais teoria, método e valores frequentemente se entrelaçam.
Em um ambiente acadêmico predominantemente progressista, é de se esperar que trabalhos que mobilizem valores progressistas pareçam mais intuitivamente relevantes, sofisticados ou moralmente urgentes, enquanto trabalhos associados a valores conservadores podem ser lidos, desde o início, como menos críticos, menos científicos ou até mesmo moralmente suspeitos. A questão, portanto, não é apenas se há discriminação explícita contra conservadores, mas se os próprios critérios de mérito intelectual são, em parte, filtrados por sensibilidades morais compartilhadas.
6.
É aqui que a hipótese meritocrática retorna sob outra forma. Pode-se argumentar que a discriminação anticonservadora não seria propriamente discriminação, mas reconhecimento do menor mérito epistêmico das perspectivas conservadoras. Essa parece ser, em alguma medida, a aposta de Luis Felipe Miguel: a sociologia teria uma vocação crítica, voltada a desvelar as desigualdades ocultadas pelo discurso auto-justificativo da ordem social vigente, e por isso perspectivas progressistas teriam maior capacidade compreensiva do mundo social.
Certamente pode haver verdade nisso, mas não toda a verdade. Como argumenta o sociólogo Christian Smith, a autoimagem da sociologia como disciplina essencialmente dedicada à denúncia de desigualdades é também uma construção histórica e moralmente situada. A sociologia abriga – e desde cedo abrigou – tradições preocupadas não apenas com dominação e emancipação, mas também com ordem, coesão, integração, realismo moral, transcendência, agência pessoal, natureza humana, função social e estabilidade.
Essas tradições não devem ser vistas automaticamente como “conservadoras” ou “de direita”, nem como dotadas, a priori, de mais ou menos mérito epistêmico do que os quadros teóricos recomendados por Luis Felipe Miguel (a meu ver, isso depende sempre do objeto que estamos buscando entender). Mas elas bastam para complicar a tese de que a boa sociologia converge naturalmente para a esquerda.
Enfim, como princípio sociológico em geral, não acho que deveríamos negar a priori a força explicativa do mérito nem esquecer que o mérito normalmente é um fator entre muitos e costuma ser relativo. De todo modo, acho que precisamos ser consistentes. Uma “sociologia crítica” do próprio campo da sociologia deveria ser capaz de considerar a hipótese de que ao menos parte do que chamamos de “mérito epistêmico” reflete também os critérios consagrados pelos vencedores de disputas internas da disciplina. Afinal, a filosofia e sociologia da ciência – de Thomas Kuhn a Pierre Bourdieu – há muito mostram que critérios de mérito epistêmico, por mais defensáveis que sejam em si mesmos, não pairam acima das condições sociológicas que os produzem.
7.
Antes de concluir, vale antecipar algumas objeções previsíveis a este artigo, considerando algumas que já surgiram em relação ao manifesto. Uma delas é o receio, já mencionado, de que discutir a natureza da sub-representação de conservadores na academia acabaria alimentando e convergindo com narrativas da direita contra a universidade. É bom deixar claro: sim, o risco existe. Sobretudo num contexto em que universidades públicas são alvo de ataques reais.
Mas transformar esse risco em motivo para interditar a investigação seria conceder uma das premissas mais corrosivas da narrativa antiuniversitária: a de que a academia organiza sua agenda intelectual não segundo critérios de verdade, relevância e rigor, mas segundo cálculos e conveniências político-ideológicas.
Minha visão sobre isso é simples: se um tema é relevante, empiricamente investigável e institucionalmente consequente, o fato de poder ser apropriado por maus intérpretes não deveria bastar para excluí-lo do debate acadêmico. Pelo contrário. Acredito que o caminho mais prudente – e mais fiel à vocação da universidade – seria justamente reconhecer que, quanto mais politicamente sensível é uma questão, maior a responsabilidade de tratá-la com rigor e honestidade intelectual antes que ela seja monopolizada por interpretações simplistas ou conspiratórias.
Outra objeção possível diz respeito às implicações institucionais dos argumentos aqui contidos. O que estou sugerindo afinal? Cotas para conservadores? Nesse sentido, é preciso deixar bem claro: reconhecer que a escassez conservadora na universidade pode ser explicada, ao menos em parte, por mecanismos de exclusão, hostilidade ou autosseleção não implica defender cotas ideológicas, ação afirmativa para conservadores ou qualquer forma de engenharia política da composição do corpo docente. Pessoalmente, considero esse caminho temerário, e suspeito que até mesmo muitos conservadores o considerariam também.
A associação imediata entre apontar uma assimetria social e propor ação afirmativa para corrigi-la talvez revele, em alguma medida, o quanto a imaginação sociológica contemporânea está orientada, como sugere Luis Felipe Miguel, para a identificação de desigualdades injustas a serem corrigidas. Mas a constatação de uma assimetria não deve determinar automaticamente a política adequada para lidar com ela. A ciência pode descrever um problema, levantar hipóteses sobre suas causas e investigar efeitos institucionais indesejáveis. Mas a escolha das respostas envolve juízos prudenciais, normativos e políticos que não decorrem mecanicamente dos dados.
Minha proposta, portanto, é bem mais modesta. Antes de imaginar remédios institucionais para a assimetria ideológica nas ciências sociais, basta começar pelo básico: reconhecer que a assimetria existe, investigá-la com seriedade e não se satisfazer tão facilmente com a presunção confortável de que ela reflete apenas uma distribuição natural de méritos intelectuais. Se parte do problema decorre de clima hostil, custos reputacionais, conformidade disciplinar e autocensura, então uma cultura acadêmica um pouco mais aberta, honesta e curiosa sobre essas questões já pode ter efeitos benéficos significativos por si só. Não se trata, enfim, de garantir vagas para conservadores, mas de garantir que certas perguntas, hipóteses e tradições intelectuais não sejam descartadas de antemão por mera associação política.
Creio que Luis Felipe Miguel esteja de acordo com esse ponto. E, se concordamos que a defesa do pluralismo não deve rebaixar critérios acadêmicos, devemos concordar também que esses critérios precisam ser aplicados com consistência. Para tanto, é sempre útil examinar criticamente nossas próprias simpatias políticas e o modo como elas moldam nossa imaginação sociológica.
*Pedro Damazio Franco é doutorando em Psicologia social e organizacional na Columbia University.

