Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus” – Dia 18.07.2021

A atitude de Jesus, que observamos no Evangelho da Liturgia de hoje, nos ajuda a recolher dois aspectos importantes da vida. O primeiro é o repouso. Aos Apóstolos, que, ao voltarem do cansaço provocado pela missão e, com entusiasmo, se põem a relatar tudo que fizeram, Jesus lhes faz um convite, com ternura: “Venham à parte, apenas vocês, para um lugar deserto, e descansem um pouco”. Convida ao descanso.

Ao fazer isto, Jesus nos dá um ensinamento precioso. Mesmo se alegrando ao ver Seus discípulos felizes pelos prodígios da pregação, não se prolonga em saudações e perguntas, mas se preocupa com seu cansaço físico e interior. E por que Ele faz isto? Porque Jesus deseja pô-los a salvo de um perigo, que está sempre nos rondando: o perigo de nos deixarmos tomar pelo frenesi do fazer, cair na armadilha do ativismo, em que a coisa mais importante passam a ser os resultados que obtemos e o de nos sentirmos protagonistas absolutos. Quantas vezes isto também acontece na Igreja: estamos ocupados, corremos, pensamos que tudo depende de nós e, ao final, corremos o risco de negligenciar a Jesus e sempre nos colocarmos ao centro. Eis por que Ele convida os Seus a descansarem um pouco à parte, com Ele. Não se trata apenas de repouso físico, também é um repouso para o coração. Porque não basta “tirar o plugue da tomada”, é preciso repousar realmente. E como se faz isto? Para fazer isto, é preciso que retornemos ao coração das coisas: parar, ficar em silêncio, orar, para não passar da correria do trabalho para a correria das férias. Jesus não se retraia das necessidades da multidão, mas dia após dia, antes de tudo, retirava-se em oração, em silêncio, na intimidade com o Pai. Seu terno convite – descansem um pouco – deveria acompanhar-nos: tomemos cuidado, irmãos e irmãs, com a mania de eficiência, larguemos a corrida frenética que dita nossas agendas. Aprendamos a fazer uma pausa, a desligar o celular, a contemplar a natureza, a nos regenerar pelo diálogo com Deus.

Todavia, o Evangelho conta que Jesus e os discípulos não podiam descansar como queriam. O povo o encontra e para Ele acorre de toda parte. Nessa altura, o Senhor se move de compaixão. Eis o segundo aspecto: a compaixão, que é o jeito de Deus. O jeito de Deus é proximidade, compaixão e ternura. Quantas vezes, no Evangelho, na Bíblia, encontramos esta frase: “Teve compaixão”. Movido pela compaixão, Jesus se dedica ao povo e recomeça a ensinar. Até parece uma contradição, mas, na verdade, não o é. De fato, só o coração que não se deixa levar pela pressa é capaz de comover-se, isto é, de não se deixar tomar por si mesmo e pelos afazeres e de acudir os outros, em suas feridas, em suas necessidades. A compaixão nasce da contemplação. Se de fato aprendemos a descansar verdadeiramente, nos tornamos capazes de nos compadecemos verdadeiramente. Se cultivarmos um olhar contemplativo, levaremos adiante nossas atividades sem a atitude predatória de quem quer possuir consumir tudo. Se ficarmos em contato com o Senhor e não anestesiarmos nossa parte mais profunda, nossos afazeres não terão o poder de tirar nosso fôlego e nos devorar. Temos necessidade – escutem isto – temos necessidade de uma “ecologia do coração”, que se compõe de repouso, contemplação e compaixão. Vamos aproveitar o horário de verão para isto!

E agora, rezemos à Nossa Senhora, que cultivou o silêncio, a oração e a contemplação, e que se move sempre com terna compaixão por nós, seus filhos.

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

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