Lula: uma história de vida extraordinária

Lula no Nordeste / Ricardo Stuckert

Foi só na democracia que um operário, um metalúrgico, um nordestino, um pernambucano, chegou a Presidente do Brasil.

Por: Emir Sader / Revista Forum, 22/01/2026 – às 12h51

Nos acostumamos ao Lula como o mais importante personagem da história brasileira, como um grande personagem em escala mundial. Como o melhor presidente que o Brasil já teve, próximo de se eleger para um quarto mandato.

Nos acostumamos com tudo isso e parece que nos esquecemos da extraordinária trajetória de vida que ele teve. Ele é o melhor de todos nós, também porque teve uma vida como a de todos os brasileiros.

Nasceu no Nordeste, no interior de Pernambuco, numa das regiões que era então a mais pobre do Brasil. Dos irmãos que teve, alguns morreram. Como ele diria depois, tendo nascido ali, chegar aos 5 anos já era um milagre.

Ele conta com naturalidade que só tomou café com leite aos seis anos de idade. Que viajou 13 dias com a mesma roupa, até chegar a São Paulo – ao Sul maravilha, como se conhecia naquela época.

Chegou e trabalhou nas coisas que os pobres, ainda mais nordestinos, trabalhavam, inclusive engraxate. Quem poderia imaginar que ele chegasse a ser Presidente do Brasil! De engraxate a Presidente do Brasil. De nordestino, de cabeça chata, em que todos eram “baianos”, desqualificado como todos os que provinham do Nordeste, a melhor Presidente do Brasil.

Participou do “milagre econômico” da ditadura militar, em que os milagreiros eram os trabalhadores nordestinos, superexplorados, e não os economistas, os grandes empresários, os ministros da ditadura.

Ali, quando começou a trabalhar numa empresa siderúrgica, se filiou ao sindicato dos metalúrgicos – categoria que ele continua a ostentar por toda sua vida! O primeiro líder sindical, o primeiro operário Presidente do Brasil.

O que só foi possível na democracia. Democracia a que ele contribuiu decisivamente para conquistar, liderando duas grandes greves de metalúrgicos, que foram determinantes para o fim da ditadura militar e a retomada da democracia.

Foi só na democracia que um operário, um metalúrgico, um nordestino, um pernambucano, chegou a Presidente do Brasil. Mas para isso ele primeiro foi derrotado como candidato a governador, a que ele achou que ia ganhar, porque considerava que “trabalhador vota em trabalhador”, mas chegou em quarto lugar.

Depois foi derrotado duas vezes por Fernando Henrique Cardoso – que se tornou o queridinho da burguesia e da classe média paulista – no primeiro turno! Parecia um político derrotado, definitivamente, na ilusão desses setores paulistas.

Até que, protagonizando um dos maiores acontecimentos da história do Brasil, em 2022, se tornou Presidente do Brasil. E se tornou o melhor Presidente do Brasil!

Que trajetória de vida! Como a de milhões e milhões de brasileiros na sua origem. E que, espantosamente, se tornou Presidente do Brasil, o melhor Presidente do Brasil! Um dos maiores personagens da história mundial no século XXI!

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