Lula chega ao ponto: propõe rede de comunicação popular na Internet

Foto: Site Contexto Livre.
Foto: Site Contexto Livre.

Desde que o golpe se tornou, como apontam as evidências, irreversível, tanto Lula como Dilma perderam o medo de nominar a Globo quando falam do papel nefasto da mídia hegemônica.
De Salvador (BA) – Pronto. De tanto apanhar, de tanto ser caçado como se fosse o pior criminoso do país, Lula chegou ao ponto: num encontro com forças oposicionistas em São Paulo, no final de semana, defendeu a construção duma poderosa rede nacional de comunicação popular de esquerda, através dos recursos da Internet, a partir da conjugação de esforços de entidades como o PT, a CUT e o MST. Deu o exemplo do sucesso da TVT, a TV dos trabalhadores, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.
Detalhe importante: parece que, definitivamente, Lula perdeu o medo de pronunciar o nome do principal inimigo na área crucial da comunicação, a Globo. Disse claramente que é necessário fazer o enfrentamento político, que temos que construir uma forte rede alternativa para termos voz que fale para os ouvidos, olhos e sentimentos de 20 a 25 milhões de pessoas por dia, e especialmente para os jovens. Lembrou que a Globo quando quer fazer suas campanhas de convencimento usa o Fantástico e o Jornal Nacional. (Link vídeo: http://altamiroborges.blogspot.com.br/ )
Quer dizer, perdeu o medo de denunciar o protagonismo da Rede Globo no trabalho – até aqui plenamente exitoso, apesar da resistência na blogosfera e redes sociais – de desinformação e manipulação do povo brasileiro, de criminalização da política e dos políticos, de demonização das forças populares, nacionalistas e de esquerda.
Aliás, desde que o golpe – golpe porque impeachment sem crime de responsabilidade, como já reconheceu com todas as letras até pelo menos um ministro do STF, Marco Aurélio Mello (link vídeo: Marco Aurélio: é Golpe! ) – se tornou, como apontam as evidências, irreversível, tanto Lula como Dilma perderam o medo de nominar a Globo quando falam do papel nefasto da mídia hegemônica, que comanda a dobradinha com a Justiça da Lava Jato no combate seletivo e conveniente à corrupção.
Na semana passada, por exemplo, em entrevista a agências internacionais de notícias, Dilma reclamou que os golpistas monopolizam o debate. “Seria um equívoco monumental entregar a democracia como campo de debate para outro, para os golpistas”, disse ela. (Exemplo escandaloso: alguma TV brasileira lembrou o papel de Lula e Dilma na realização dos Jogos Olímpicos?)
Acontece, porém, que a monopolização do debate se dá simplesmente em decorrência da manutenção dos monopólios dos meios de comunicação, que estão aí firmes e fortes depois de 13 anos de governos ditos progressistas, contrariando a proibição constante na Constituição dita cidadã de 1988.
Temos que agradecer aos golpistas por esse acordar do lulismo? Será que as ilusões de aliciamento da mídia direitista realmente se desvaneceram? Temos que bater palmas para Lula e Dilma, e seguir atentos.
A hora, portanto, é de acompanhar e fortalecer esse ânimo do maior líder popular do Brasil e botar mãos à obra, na certeza de que não podemos continuar nessa criminosa omissão, deixando o coração e a mente dos brasileiros à mercê das vozes totalitárias do atraso e do ódio.
Certeza que nos conduz a concluir – batendo na velha tecla tão ao gosto deste articulista – que temos que avançar no sentido de lutar pela construção também duma forte rede alternativa de meios tradicionais, como rádios e TVs e inclusive jornais (de papel).
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, Diário de Notícias, Estado de S.Paulo e Movimento. Depois de aposentado virou blogueiro e tem viajado pela América do Sul e Caribe.

Deixe uma resposta