Por Gustavo Conde
Há algum tempo atrás, Lula seria só o melhor presidente da história do Brasil.
Mas, a partir de agora, ele se confunde com a própria identidade do país e do povo brasileiro. Ancestral, visceral, imemorial.
O processo é longo e doloroso, mas nós o estamos testemunhando.
Porque os sentidos que se consagram na história precisam da própria história para se consagrar.
Podem ser sentidos que se ausentam da presença física, mas que regem tudo o que tiver relação com a política, com a sociedade e com os afetos.
Lula é parte da nossa subjetividade. Mais que uma ideia, é uma dimensão da nossa existência histórica.
E isso nem roça o personalismo ou a idolatria (essa doença é do nosso eterno adversário, que nos toma como idólatras na projeção patológica do seu eu). É puramente uma constatação técnica do mundo do discurso e da construção das identidades.
Lula está na própria identidade deles, como antivalor protagonista. É uma imensa sinuca de bico.
Pobre da sociedade ressentida que escolhe o caminho do linchamento. Assim, nasceu o cristianismo. Apenas a estrutura moral-discursiva mais impactante do mundo ocidental.
Claro que não se trata de comemorar ou não comemorar. Muita gente se perde na lógica das celebrações maniqueístas: ganhei, perdi (a vida parece se resumir a isso).
A metáfora do “jogo” (a vida é um jogo) é limitada. Eu diria: use com moderação.
Fato: Lula irá povoar a estrutura psíquica do brasileiro e isso tende a durar mais que o próprio país. Ele ganhou? Óbvio que sim.
Fonte: Brasil 247
(17-11-2018)
