No próximo sábado (20), a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), o Grupo CORSA, o Fórum Paulista LGBT e ativistas independentes promovem uma manifestação contra os casos de violência homofóbica que ocorreram após a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, realizada no último domingo.
A concentração ocorre a partir das 19h na esquina Av. Dr. Vieira de Carvalho com a Praça da República, e os manifestantes devem seguir por toda a Vieira de Carvalho até o Largo do Arouche, expondo suas reivindicações, desenvolvendo campanha educativa contra a homofobia e incentivando denúncias de casos de violência.
Sob o clamor de “Homofobia, basta! Queremos justiça!”, a manifestação expressa a indignação do movimento e da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) contra a ocorrência de diversas manifestações de intolerância e de agressão física justamente no dia da Parada, dia de luta por direitos para LGBT.
Basta de homofobia e assassinatos
Os organizadores da manifestação protestarão contra os atos bárbaros ocorridos durante e depois da Parada, como vários espancamentos. Um destes covardes ataques causou a morte de Marcos Campos Barros, um cozinheiro de 35 anos, agredido brutalmente. Outro caso absurdo de agressão homofóbica foi a bomba arremessada de um prédio na Av. Dr. Vieira de Carvalho, que feriu cerca de 30 pessoas.
A manifestação também exigirá providências das autoridades públicas, na apuração imediata e rigorosa dos fatos, permitindo a prisão e julgamento dos culpados. Os manifestantes cobrarão mais engajamento da Secretaria de Segurança Pública, sobretudo aumentando o policiamento e orientando corretamente os agentes de segurança. Há vários relatos e inclusive casos documentados de omissão do policiamento, que deixou de efetuar prisões em
flagrantes de agressores.
Denunciar a homofobia e exigir que ela seja criminalizada estão entre os objetivos centrais da manifestação. Pesquisas como a recentemente divulgada pela Fundação Perseu Abramo trazem dados que revelam um país marcadamente homofóbico: 92% de entrevistados em 150 municípios espalhados pelo país reconheceram que existe preconceito contra LGBT e cerca de 28% reconheceram e declararam seu próprio preconceito.
Em pesquisa realizada na Parada do Orgulho GLBT de São Paulo de 2006 pela APOGLBT e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República, 59% relataram uma ou mais situações de agressão ao longo da vida. A maior parte dos casos de agressão relatados (60%) ocorreu em locais públicos. Os agressores, em sua maioria, são desconhecidos.
Outro ponto destacado nesse estudo é o percentual de participantes que,declarou ter sido mal atendido em delegacias por policiais (18%) devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero, visto que o contato com serviços policiais não é algo cotidiano. Embora a incidência de agressões motivada pela sexualidade seja alta, apenas 11% dos agredidos chegaram a procurar a polícia.
Reivindicações
A manifestação tem por objetivos chamar atenção para a necessidade e urgência de:
* Rápida apuração e punição da autoria dos crimes ocorridos
* Aprovação do PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia e tramita no Senado;
* Capacitação de policiais para o atendimento de vítimas de violência e para orientar adequadamente a denúncia, sobretudo quando se trata de crimes homofóbicos ou de intolerância;
Mais informações:
APOGLBT – Alexandre Santos (9819 0171) e Cezar Xavier (9963 1528)
CORSA – Julian Rodrigues (8380 2629) e Dario Neto (74232370)
Fórum Paulista LGBT – Alessandro Melchior (17-9128 1688), Jane Pantel (13
97055389), Paulo Mariante (19-9339411)
