Por favor, junte-se a nós em nosso apelo ao Papa Francisco, instando-o a convidar todos os católicos do mundo – unidos ao clero local, aos religiosos e aos líderes do laicado – para eleger nossos próprios bispos
Bem-vindos à Comunidade do Povo de Deus em rede mundial para apoiar a Reforma da Igreja Católica. O Papa Francisco tem trazido para a Igreja Católica uma atmosfera de ar fresco. E ele está renovando as esperanças de milhões de Católicos e não-Católicos que antes vinham sentindo-se cada vez mais desanimados e distanciados da Igreja. Há décadas, grupos que, por toda a parte, vêm lutando por reformas, têm-se empenhado em promover alguns aspectos da reforma da Igreja, mas têm esbarrado numa Igreja sem vontade de mudar. Mas, agora que o Papa Francisco vem trazendo para a Igreja um novo e positivo espírito de abertura, ele vem reacendendo nossas esperanças por mudanças em muitas frentes.
Nossa missão é reunir toda essa energia e focar nosso amor comum pela Igreja e a paixão pela reforma, numa causa singular: instar o Papa Francisco e seu conselho de oito cardeais a descentralizar a Igreja e incentivar o Povo de Deus em cada diocese em todo o mundo a eleger seus próprios bispos. Achamos que se trata de um passo essencial, antes que a Igreja possa voltar-se para questões de reforma mais específicas. Eleger nossos próprios bispos contribuirá para uma Igreja mais nova e mais vibrante, na qual o povo de Deus – orientado pelas lideranças do clero, dos religiosos e dos leigos – terá uma voz na qual o Vaticano II declarou que era a nossa Igreja. Com o movimento de baixo para cima, a Igreja será mais acolhedora daqueles que se acham fora dos seus muros. Se você for um Católico ativo, um ex-Católico ou um não-Católico, se o seu respeito pela Igreja vier a ser reforçado por uma Igreja Católica mais centrada no povo, nós o/a convidamos a integrar nossa comunidade em rede.
A tradição primitiva:
Ao longo dos séculos, o modo de governar a Igreja tem-se transformado significativamente. Um dos mais importantes santos-bispos do século III, Cipriano de Cartago, no Norte da África, deu testemunho explícito acerca da eleição dos bispos, na Igreja primitiva. “Vem da autoridade divina”, escreveu Cipriano, “que os bispos sejam escolhidos na presença do povo à vista de todos, e que sejam avaliado dignos e aptos em avaliação e em testemunhos públicos.” Foi o Papa Leão Magno, bispo de Roma, em meados do século V, que nos ofereceu o princípio clássico: “Aque que a todos vai presidir, seja escolhido por todos.” Por razões políticas, entretanto, o papel do clero local e dos leigos na escolha de seus respectivos bispos tornou-se na prática inexistente, ao final do primeiro milênio do Cristianismo. Umas das consequências indesejáveis da Reforma Gregoriana do século XI foi a centralização da autoridade no papado. Apesar dos esforços para recuperar essa antiga prática em que o clero e o laicado, assim como os bispos mais próximos desempenhavam um papel-chave na escolha dos bispos, o poder passou para o papa e para o rei ou o príncipe local. Foi no começo do século XIX, com a concordata, entre o imperador Francês Napoleão e o Papa Pio VII, que só o papa foi investido do poder de indicar e de remover bispos para qualquer lugar, na Igreja Católica. Esse sistema tem-se mantido em vigor desde então. Clique aqui para mais informações acerca da tradição primtiva da Igreja de eleição dos bispos. Click here for more information on the early tradition of the Church electing bishops.
O Concílio Ecumênico Vaticano II:
“Enquanto nenhuma pessoa razoável vai esperar que todas as reformas possam ser efetivadas por uma só pessoa, da noite para o dia, uma mudança seria possível em cinco anos… Mas, hoje, também, a direção tem que ser feita com clareza: não se trata de uma restauração aos tempos pré-conciliares, como a empreendida sob o pontificado de João Paulo II e Bento XVI, mas, em vez disso, sejam dados passos para reformas concebidos, planejados e bem comunicados, na linha do Concílio Vaticano II”, diz Hans Küng, um teólogo suíço altamente respeitado e colega de Joseph Ratzinger, em começos dos anos 60, o Concílio Vaticano II estabeleceu um novo modelo de como a Igreja deve ser governada: “A ordem dos bispos… junto com seu líder, o sumo pontífice, e nunca à parte dele… tem a suprema e completa autoridade acima de toda a igreja universal.”
O Cardeal Murphy-O’Connor, arcebispo emérito de Westminster e ex-dirigente dos Católicos Romanos na Inglaterra e no País de Gales, reforçou esse ponto de uma maior colegialidade, pouco antes que o conclave para eleger o próximo papa tivesse iniciado: ”Não é só o papa quem dá normas para a Igreja, é o Papa com os bispos.”, disse ele. “O Papa é essencial como o centro de unidade e verdade, mas ele também não pode fixar normas para a Igreja sem associação real com os bispos.”
É claro que, apesar das diretrizes do Vaticano II, isto não tem acontecido no atual estágio da Igreja. Consequentemente, é preciso pôr em prática estruturas organizativas práticas para o trabalho conjunto dos bispos com o Papa, para reorganizar e reformar muita coisa da Cúria, conferindo a esta novos procedimentos de gestão da Igreja. Como ainda recentemente, em 2001, dizia o então Cardeal Ratzinger: “Enquanto o papado for um elemento essencial da Igreja, há vários modos possíveis de descentralizar as funções de governança ao interno da Igreja Católica.”
Descentralização da Igreja:
Voltando às nossa raízes e retornando às primeiras tradições da Igreja, gostaríamos de associar-nos a numerosos estudiosos e lideranças eclesiais em todo o mundo, com o propósito de instar o papa a convidar o povo de Deus espalhado pelo mundo a eleger os bispos em suas dioceses. No tempo devido, os bispos que foram nomeados por João Paulo II e por Bento XVI, à medida que se tornarem resignatários, seriam criadas estruturas para a seleção de bispos pela igreja local. Isto permitiria uma maneira gradual e não ameaçadora de introduzir o processo eleitoral. Há diversos modos de se fazer cumprir isto, como está descrito no livro de Joseph O’Callaghan, Elegendo nossos bispos (Electing our Bishops): Por exemplo, o Papa poderia publicar uma declaração versando acerca das qualidadades de um bispo. Então, os bispos poderiam ser eleitos a partir de uma lista de candidatos nomeados pelos conselhos diocesanos de pastoral (consistindo de lideranças leigas e e religiososas) e pelos conselhos presbiterais diocesanos (composto do clero da diocese local). Afinal de contas, quem conhece o caráter e as qualidades de liderança num perfil prospectivo de bispo melhor do que os padres locais? Esses candidatos poderiam ser apresentados com uma descrição de seu perfil e capacidades, nas paróquias locais, onde um voto poderia ser lançado. Aqueles que forem eleitos pelo Povo de Deus poderiam então ser submetidos, mediante o Sínodo dos Bispos, à sua sanção, e ao Papa para o seu endosso. Salvo se houvesse fundamento para grave objeção, os candidatos escolhidos seriam reconhecidos pelo Papa.
O que ensejaria a eleição dos bispos pela comunidade local?
A eleição dos bispos pela comunidade local faria com que a Igreja voltasse a ser assumida pelo Povo de Deus. “A exclusão de segmentos do clero e do laicado, do processo de escolha, tem levado a muitos a identificarem a Igreja com a hierarquia. Nesses dias, e nessa época, em que se acha arranhada a confiança implícita entre os bispos e o povo, é imperativo que todos os fiéis da diocese devam estar livres para eleger uma pessoa que saibam ser digna do ofício. O bispo deve ser eleito por um prazo fixo e possivelmente renovável e que deve servir a diocese para a qual foi eleito, sem expectativa de ser transferido para outro lugar. Ao recuperarmos a antiga tradição, estaremos ajudando a recuperar a unidade e saúde do Corpo de Cristo.
“Um retorno à antiga e sagrada tradição católica, de permitir que o povo e o clero escolham como bispo alguém que eles conhecem e reconhecem digno do ofício muito contribuirá para resgatar a confiança entre os bispos e os fiéis, a qual tem sido tão degradada.”, diz Joseph O’Callaghan, author of Electing our Bishops.
A eleição dos bispos pela comunidade local ensejaria a descentralização e levaria a que a voz da Igreja seja ouvida de baixo para cima mais do que de cima para baixo. Uma vez estabelecida eesa forma de governança, a igreja local, guiada pelo Espírito Santo, poderia implementar de forma colegiada as várias reformas necessárias enfrentadas hoje pela nossa Igreja, e servir como uma fonte para os bispos locais, no trato dessas questões.
O teólogo jesuíta Michael Buckley advertiu que “se o atual sistema de escolha dos bispos não for enfrentado, todas as demais tentativas de sérias reformas farão com que um número cada vez maior de Católicos tendam a alienar-se, a se desinteressarem e a um cisma afetivo.” Depois dos escândalos de abusos sexuais e da Cúria do Vaticano amplamente difundidos, a eleição dos bispos revitalizaria os membros ainda ativos da Igreja Católica, recobraria o sentido para os nascidos-crescidos-e-deslocados Católicos, e recuperaria o respeito renovado da parte do público externo à Igreja.
De que modo tal processo se fará?
“O cumprimento da promessa do Vaticano II…não será conduzido de cima para baixo, como o foi no Vaticano II, mas agora precisa vir desde baixo – desde você e desde mim.” Associamo-nos ao American Catholic Council (Conselho Católico Americano), ao afirmar que “Nós reconhecemos que os bispos participantes do Vaticano II votaram, em esmagadora maioria, a favor de valores fundamentais de colaboração, subsidiariedade e colegialidade. Eles também desempenharam um relevante papel em relação ao Laicado, ao afirmarem enfaticamente que a Igreja é o Povo de Deus.”
A descentralização do papado e a eleição regional dos bispos acontecerão mais efetivamente como a voz das bases do povo. O Vaticano II orientou para que fossem criados em cada diocese os conselhos diocesanos. Um dos grupos reformadores, Accelerating Catholic Church Reform (Acelerar a Reforma da Igreja Católica) está no processo de criação de conselhos diocesanos ACCR pelos Estados Unidos. Estes funcionarão de modo completamente indedependente do bispo ou do arcebispo da diocese. Muitos especialistas e teólogos concordam em que não pode continuar uma estrutura do tipo monárquico. Hans Küng levanta a questão: “O que há de ser feito se nossas expectativas de reforma forem frustradas?…Assim, não deemos, de mogo algum, ceder à resignação. Em vez disso, diante da falta de impulso por parte da hierarquia, rumo à reforma, precisamos tomar a ofensiva, pressionando por reforma de baixo para cima. Se o Papa Francisco enfrentar as reformas, ele verá que conta com ampla aprovação do povo, para muito além da Igreja Católica. Todavia, se ele permitir que as coisas continuem como se acham, sem superar o impasse das reformas em andamento… então, é a vez do “Time for outrage! Indignem-se!” soará cada vez mais na Igreja Católica, provocando reformas de baixo para cima.”
Apoio a este conceito de Pe. Thomas Reese e Arcebispo de Quinn:
O Reverendo Pe. Thomas Reese, ex-editor da revista jesuíta America, e pesquisador sênior do Woodstock Theological Center, em Georgetown University, conclama a Igreja a “retornar ao sistema endossado pelo Papa Leão I, de que cada bispo seja eleito pelo clero local, aceito pelo povo de sua diocese e consagrado pelos bispos de sua província.”
Um apoio adicional encontramos para a nossa campanha num trabalho recém-publicado pelo Arcebispo emérito John Raphael Quinn, de San Francisco, em seu novo livro de 57 páginas, Ancient, Ever New (Velho sempre Novo), disponível em nossa Book page.
Uma idéia cuja hora soou com a eleição do Papa Francisco:
A eleição dos bispos pela comunidade eclesial local é uma idéia cuja hora chegou. Faz anos que incontáveis líderes da Igreja, acadêmicos ligados à Igreja e teólogos vêm expressando a necessidade de uma Igreja descentralizada com um maior envolvimento do povo. Muitos até apostam em que o Papa Francisco terá a coragem de tomar importantes decisões em relação a práticas eclesiais tais como a comunhão para pessoas divorciadas e recasadas, casamento para pessoas do clero, papel mais importante para as mulheres, e assim por diante. Como dizia o jornalista do Vaticano Bob Mickens: “A única forma como o Papa Francisco pode ajudar a salvar a Igreja da contínua implosão consiste em fazer mudanças estruturais que favoreçam essa doutrina de gestão compartilhada entre ele e todos os bispos.” Eis o primeiro passo em direção a todas as demais reformas necessárias na Igreja. Nossa proposta tocará sem dúvida o Papa, de modo mais impactante, se milhões de pessoas de todo o mundo aprovarem a idéia e difundam o nosso “site” entre os amigos que, por sua vez, o enviarão a seus amigos. Por meio das redes sociais de amplo alcance mundial, convidamos cada um – dormitantes Católicos, ex-Católicos, e Católicos sublevados e Católicos com esperança perdida, Católicos progressistas, e curiosos e enredados não-Católicos e não-Cristãos – a juntarem-se a nós nesta campanha. A Deus querer e graças à internet, na primeira semana de outubro, por ocasião da reunião do Papa com o seu Conselho, que está agendada, esperamos entregar uma ampla representação mundial deste pedido ao Papa Francisco.
Por favor, junte-se a nós em nosso apelo ao Papa Francisco, instando-o a convidar todos os católicos do mundo – unidos ao clero local, aos religiosos e aos líderes do laicado – para eleger nossos próprios bispos
Clique aqui para assinar a carta http://www.IgrejaCatolicaReforma.com
Apos haver assinado a carta para o Papa Francisco, você pode desejar tornar público seu voto acerca das reformas da Igreja que você julga mais necessárias. Once you have signed the letter to Pope Francis, you may wish to cast your vote on church reforms you feel are the most needed.
Trad. Alder Júlio F. Calado
