KIRCHNERISMO SAI NA FRENTE NA CORRIDA ELEITORAL DE 2011

Na primeira eleição estadual (provincial) do ano – processo que vai culminar em 23 de outubro com o pleito presidencial -, o peronismo kirchnerista, liderado pela presidenta Cristina Fernández de Kirchner, saiu na frente: ganhou no domingo, dia 13, o governo de Catamarca, pequena província (estado) do noroeste argentino. Quase uma dezena das 23 províncias do país (24 se se inclui a capital federal) terá eleições assim, descasadas da de presidente, até outubro.
Apesar de se tratar de uma província diminuta – menos de 1% dos mais de 20 milhões de eleitores do país -, a vitória das forças governistas (aqui se usa o termo oficialistas) agitou a política nacional. Por alguns motivos óbvios: foi o primeiro pronunciamento das urnas no ano, cujo resultado coincide com o favoritismo dos Kirchner (veja mais adiante números de uma pesquisa); a província estava (ainda está, porque a posse do novo governo só ocorrerá daqui a oito meses) há 20 anos em poder da União Cívica Radical (UCR) e o governador Eduardo Brizuela foi derrotado ao tentar sua segunda reeleição (em algumas províncias a reeleição é indefinida).
Governadora eleita virou o jogo com a boa imagem dos Kirchner
Motivo mais significativo: a governadora eleita, senadora Lucía Corpacci, começou a campanha aparentemente sem nenhuma chance de vencer e venceu justamente porque usou como bandeira os êxitos do governo nacional, a boa imagem da presidenta, sua identificação com o “oficialismo” e até um distante parentesco com a família Kirchner. O governador, já no final da campanha, notando a reviravolta, apelou até para aumento salarial dos funcionários e aposentados, mas não houve jeito.
No final, 48% a 44% (no caso, é turno único). Os aliados de Cristina (oposição local) ganharam até na capital da província, San Fernando de Catamarca, considerada uma fortaleza do “radicalismo” (o termo refere-se aos partidários da UCR, nada tem a ver com radical x moderado). Foram eleitos também prefeitos (chamados aqui intendentes), legisladores provinciais e vereadores.
O próximo teste será no domingo, dia 20, quando a Frente para a Vitória (FpV, coligação liderada pelo peronismo kirchnerista – a banda governista do Partido Justicialista – PJ) vai enfrentar a banda opositora, o Peronismo Federal. Em disputa o governo da província de Chubut, no sul, região da Patagônia. O panorama se repete, vamos ver o desfecho. O candidato do governador Mario das Neves começou a campanha como franco favorito e agora está acossado pelo representante dos Kirchner, que utiliza a mesma tática vitoriosa em Catamarca: identidade total com Cristina.
Pesquisa aponta favoritismo da presidenta Cristina
É uma situação semelhante à que ocorreu no Brasil nas eleições do ano passado: ser aliado do então presidente Lula, com mais de 80% de aprovação popular, era sempre uma boa vantagem. A presidenta argentina está com mais de 60% de aprovação, patamar alcançado depois da morte de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, em outubro último. Pesquisa divulgada no início deste mês pelo Centro de Estudos de Opinião Pública (Ceop) aponta 44% de intenções de voto para ela, ou seja, tem chance de ganhar no primeiro turno.
O segundo na mesma pesquisa está bem distante, com 12%. É Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires (“chefe de Governo da capital”, como se diz aqui), filho de um rico empresário que se elegeu em 2007, sem tradição política. (Seu partido chama-se PRO, que não é uma sigla, é simplesmente PRO, em favor de alguma coisa). Em terceiro, com 10% das preferências, aparece o deputado federal Ricardo Alfonsín (UCR), que é filho de Raúl Alfonsín, o primeiro presidente eleito após a queda da última ditadura (1976-1983).
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Buenos Aires. Mantém o blog Evidentemente (blogdejadson.blogspot.com).

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