Hoje é um dia duro para a nossa democracia, duro para os que acreditam em um país justo e igual. Antes de falar dessa tragédia, quero contar um pouco mais da minha história e mostrar a conexão que ela tem com o momento de desesperança e amargura.
Para os que não sabem, sou filho de um grande jornalista, falecido há onze anos. Durante a minha infância e parte da adolescência, acompanhei um pouco do trabalho do meu pai, pessoa que sempre torceu para que eu trilhasse seu caminho profissional. Não consegui. A pressão era grande e confesso que corri o quanto pude, num processo de bloqueio psicológico.
Como recurso que aliviasse a minha frustração, depositei nos ringues toda a minha esperança. Tive momentos maravilhosos que rapidamente me conduziram à profissão atual: professor de artes marciais. Profissão a qual tenho muito orgulho, que além de dar o meu sustento, possibilita que eu contribua diretamente na formação de jovens e adolescentes.
Voltando à infância, não posso deixar de registrar a influência que uma grande militante petista e professora de Educação Física exerceu sobre minha consciência. Foi com Noemia, mãe do meu grande amigo Luiz Felipe, que pude ver de perto a luta e toda a crença do povo no petismo. Mesmo criança, aquilo teve um peso enorme na minha formação.
Chegamos ao governo Lula. Fiquei extremamente contente com a chegada daquele operário no cargo mais alto do país. Seu humanismo, proximidade com o povo e até seus erros de retórica iam me mostrando que política não era somente para os engravatados com diploma. No meio daquela mudança, eu ainda engatinhava, tendo poucos livros lidos, não sabendo quase nada do que era o Brasil. Era uma presa fácil para a crueldade da grande mídia: branco, de classe média, morador da zona sul. Aquele orgulho inicial que tive em Lula, rapidamente transformou-se em desconfiança. O bombardeio era cruel e insano.
Voltando a minha função de professor, sempre tive como crença que a gente aprende todo dia e com todo mundo, independente de idade ou graduação. E foi com os meus alunos que eu dei uma grande passada. Eram quatro, que atuavam diretamente na política e me contaram muitas coisas dos bastidores, abrindo minha mente: Paulo Cezar, Lucas Borges (LC), Rodrigo Nogueira e Alexandre Almeida.
Resistente e cabreiro, os ouvia e buscava informações sobre os assuntos. Fui percebendo que o que chegava até mim, pelos grandes meios, muitas vezes era distorcido e totalmente tendencioso. Fui aprendendo muita coisa com todos eles e passei a ter certeza de que a grande verdade é omitida para grande massa.
Libertando-me dos traumas e dos bloqueios, comecei a dar chance para aquele interesse adormecido e esmagado pelo medo de não corresponder à expectativa da família, em especial meu pai. Como ele havia falecido, passei a entender que aquele medo era exclusivamente meu.
Adentrei no mundo da literatura, cinema e teatro. Mantive minha intensa aproximação com o povo, podendo fazer uma análise profunda entre a teoria e a prática.
Ao longo desse tempo, pude perceber a perversão e o atraso da nossa política, instituições, mídia e da elite brasileira.
Passei a escrever, com muitos erros, alguns acertos e certa timidez. Tomei gosto pela coisa e passei a acreditar que os meus traumas, medos, somados a algum conhecimento pudessem servir aqueles que ainda estão perdidos, principalmente os jovens.
Em pouco tempo escrevendo, Eduardo Sá, amigo, jornalista e redator deste blog, me convidou para participar da equipe. Iniciei no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Evento brilhante, que me fez conhecer de perto os movimentos sociais, parte da militância política mundial, além de me jogar a responsabilidade de narrar com precisão o que foi visto.
E de lá para cá, reafirmo minha gratidão a esses 13 anos de governo petista, repleto de erros, mas que sem dúvidas não se comparam à quantidade de acertos. O humanismo dos programas sociais, a autoestima e o desenvolvimento do país, os incentivos à cultura, foram pontos chaves que hoje insuflam a minha gratidão. Não cabe aqui fazer propaganda partidária, mas seria injusto não reconhecer a influência que todos esses treze anos tiveram nesse início da minha caminhada e na felicidade de ver a ascensão de muitos oprimidos.
Continuarei sendo crítico e lutando sempre pelo melhor do nosso país, sonhando que um dia a esquerda brasileira possa caminhar junta, superando as divergências de forma democrática e jamais se distanciando do ideal final.
Saímos do governo e adentramos na oposição. Muitas águas vão rolar. É hora de manter os pés nas ruas, unidos. Em breve voltaremos com força total e com muito mais experiência.
À brava Presidenta Dilma Rousseff, fica aqui a minha solidariedade e gratidão. Ela, que passou por cima de toda a notória vilania da classe política, superando a ignóbil misoginia enraizada no nosso povo, sem dúvida alguma, entrará para história como referência de honestidade, resistência e coragem. A história irá absolvê-la.
Mesmo que o dia seja de tristeza, deixo de lição aquilo que vivi, senti e hoje vou superando: não deixemos os traumas, medos e nenhum golpista nos abater.
Companheiros levantem a cabeça, a luta continua!
Aos Jovens, Amigos e Alunos

Hoje é com muito orgulho e muito feliz que fico sabendo que minha filha faz parte do alunos deste grande Mestre.
Depois que minha filha me contou sobre essa surpresa boa e sobre esse mestre eu lhe:
“Pessoas dos bem atraem pessoas do bem ”
Muito feliz e muito orgulhoso .
Forte abraço Mestre Paulo Branco.
Paulo,vejo-me nesta luta por um mundo mais justo. Todos me chamam de loucos e o curso de história ainda mantém essa esperança.
Digo a todos sou com orgulho que sou fruto dos pré-vestibular comunitário e militante da Educafro. A minha entrada no PVC e Educafro,deram uma reviravolta na minha cabeça. Passei a ver o mundo ,a sociedade sob outro olhar saindo e lutando contra o senso comum e alguns vícios que ainda continuam em mim.Não é fácil remar contra à maré, lutamos para não cair na mesmice e achar que está tudo bem porque é assim mesmo.
Graças a Educafro e ao PVC conheci vários movimentos sociais incluindo o MST (que os consideravam os capetas ) ,formadores de opinião ,professores e outros. Infelizmente tive pouca influencias dos meus pais para que fizesse-me a conduzir para o mundo acadêmico,não os culpo por isso,pois o básico nunca deixaram-me faltar.
Vou me formar ano que vem em história. Estou retribuindo o que pvc fez por mim,ou seja :dando aula ,incentivando os alunos alcançarem voos mais altos. Ajuda-los serem ousados e assim por diante .
Ainda bem que não estou sozinho nessa luta.
Por treze anos vim pessoas realizarem até então sonhos impossíveis de serem realizados. Sonhos que alguns privilegiados é realidade ,para outros eram sonhos distantes .Conheci pessoas das periferias em dizer que viajaram de avião , de estarem numa universidade ou comprando bens de consumo até pouco tempo impossível de compra-los .
Como disse hoje Dilma que a democracia é um caminho longo,vamos encontrar barreiras pela . frente,haverá momentos de glória e euforia,mas sempre caminhando .
Quero agradece-lo de compartilhar do mesmo desejo que tenho e um dia chegaremos lá.
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É isso Fábio, uma derrota lamentável para democracia. Mas é certo que o legado é muito grande, a responsabilidade de fazer as coisas mudarem é nossa. Estamos juntos. Grande abraço.
Querido! Como foi bom terminar a noite lendo seu texto!!!! Agora poderei ir dormir um pouco mais reconfortada! Hoje o dia foi muito duro!!! Nesses breves relatos pude identificar sua bela trajetória. Muito obrigada! Bjo grande!
Grande Mestre,
“O humanismo dos programas sociais, a autoestima e o desenvolvimento do país, os incentivos à cultura”
Essas são conquistas do povo brasileiro, digo isso pq essa herança o brasileiro não mais aceitará perder!
Seja o governo que for, isso o brasileiro já entendeu que é dele!
Falta entender saúde, educação e serviços públicos.