Israel bombardeia hospitais, escolas, a ONU e nega cessar-fogo até mesmo para os EUA

Da redação
Uma trégua humanitária esta semana de 12 horas em Gaza foi o suficiente para que os palestinos encontrassem dezenas de corpos sob escombros – já passam de 1.100 os mortos do massacre promovido por Israel.
Segundo a ONU, 1/8 da população de Gaza – 200 mil dos 1,6 milhão de habitantes – estão abrigados em suas instalações.
Cessar-fogo? Até mesmo uma proposta dos EUA o governo de Israel rejeita. Se nem seus aliados – os únicos que votaram contra a investigação de crimes de guerra e contra a humanidade em Genebra – servem, quem é que segurará o terrorismo israelense? Nem a imprensa nem a ONU estão livres.
Eis um dos principais motivos – comum a qualquer regime de apartheid:

E, no final das contas, nem sequer foi o Hamas o responsável pela morte dos 3 jovens israelenses, como havia dito o primeiro-ministro do Estado sionista de Israel.
O que alguns poucos líderes fazem hoje no cenário internacional envergonham toda a comunidade internacional – que não é composto por estes poucos “líderes” e nunca será.
A comunidade internacional são os trabalhadores humanitários, as organizações não governamentais, os movimentos sociais internacionalistas, os viajantes, os culturalistas. Todos estes somos comunidade internacional.
O poder, este é muito parecido em todo o canto e nos enoja nesse momento, incapaz que é de salvar vidas por conta de interesses econômicos e bélicos.
Os direitos humanos só vão conseguir avançar quando formos maioria, quando as pessoas que acharem que nenhum ser humano é ilegal ou menor que qualquer outro estiverem em maior número. Infelizmente, como vemos pelas redes sociais, não podemos afirmar com certeza que isso é uma realidade.
Há muitas pessoas que menosprezam o outro pela sua cor, raça, etnia, origem, nacionalidade etc. E os genocidas, os “anões diplomáticos” do século 21, contam com esse apoio para prosperarem.

* * *
“Na votação no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a intervenção militar israelense em Gaza, no dia 22 de julho, os Estados Unidos fizeram o que sempre fazem e os países europeus também – só que de forma envergonhada. Se esqueceram do que todos sabem: que quem se ‘abstém’ em casos como este está obviamente apoiando a opressão”, diz a professora da UFRJ Vanessa Batista Berner.
Nos anos 1980, sabe qual foi o penúltimo país que abandonou o regime racista sul-africano do apartheid? Estados Unidos. Sabe qual foi o último, só no finalzinho mesmo, já nos anos 1990, quando Mandela já era um consenso mundial? Israel.
A Assembleia Geral da ONU tinha uma seção só pra discutir a relação do governo de Israel com os racistas do apartheid, mesmo após insistentes embargos internacionais. São dados históricos, compilados aqui.
Apartheid rima com apartheid. E é por isso que Desmond Tutu classificou o regime adotado por Israel na Palestina pelo seu nome correto: regime de apartheid, com práticas como sequestro de crianças e separação de seus pais no meio da noite, destruição de casas, construção de um muro vergonhoso, roubo de terras e assassinato de milhares de palestinos. Tudo em relatos minuciosos, registrados em documentos de órgãos internacionais.
Espero que pelo menos os jovens pensem muito antes de chamar os EUA de “terra da liberdade” e Israel de “única democracia do Oriente Médio”.
Muitos líderes palestinos podem estar equivocados em alguns aspectos, como na falta de união que sempre os caracterizou – mas numa coisa estão corretíssimos, e há muito tempo: não adiante cessar-fogo pra retomar a maior prisão a céu aberto do mundo que é Gaza, com seus 1,6 milhão de prisioneiros.
Sem dois Estados – que com este governo sionista israelense nunca vai acontecer – não há saída para a paz.
Métodos da barbárie
Imagem: Anas F via Jamal Dajani
Imagem: Anas F via Jamal Dajani
“(…) Soldado – Como você está? Tudo bem? O Exército de Israel precisa bombardear um prédio perto de onde você está. Nós queremos ter certeza de que não há civis na vizinhança antes de atingirmos o nosso alvo. Certifique-se e avise a todo mundo, porque em cinco minutos vamos bombardear essa área” (leia nesta reportagem)
Matéria vergonhosa no Jornal Nacional
Que vergonha do Jornal Nacional (acesse aqui). Quanta mediocridade. Quem assiste a esta reportagem tem certeza que a “culpa” (que para civis inocentes pouco importa de quem é) é dos palestinos. Estão sendo mortos porque querem.
As imagens desta reportagem, no entanto, circunstanciadas por informações reais, da internet, mostram um cenário de barbárie, de um regime grotesco de apartheid promovido pela liderança, pelo governo de um povo que há pouco mais de 70 anos passava pelo mesmo processo de opressão.
Fala o JN em mortos “palestinos” – omitindo que 1/3 são crianças, mulheres, 70 a 80% civis.
Mortos “israelenses” (obviamente muito menos), omitindo que dos 36, dois ou três eram civis — o resto estava na guerra, matando tantos outros palestinos.
Se informados sobre isso, talvez os telespectadores chamariam de massacre, tentativa de genocídio, e não “conflito” de “dois lados”.
O final da reportagem é vergonhoso. Sugere que o pedido de Abbas, o presidente palestino, por resistência é que tem provocado insegurança.
O governo de Israel bombardeou incessantemente Gaza, matando mais de 800 pessoas, e Abbas pedindo que os palestinos não morram calados é o culpado.
Todo regime de apartheid precisa, e muito, de aliados para seus crimes.

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