Investigação detalha estrutura de hackers e policiais usada para monitorar desafetos de Daniel Vorcaro

Do G1 – Fantástico

Por Fantástico – G1,  

Detalhes inéditos da investigação do caso Master mostram como intimidações físicas e ataques cibernéticos eram usados – Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo:

https://g1.globo.com/fantastico/video/detalhes-ineditos-da-investigacao-do-caso-master-mostram-como-intimidacoes-fisicas-e-ataques-ciberneticos-eram-usados-14621083.ghtml

Uma investigação da Polícia Federal (PF) afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, utilizava uma organização criminosa estruturada, dividida entre um núcleo de hackers e um grupo de capangas, para realizar ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidações armadas contra seus adversários.

Vorcaro está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF. O esquema contava com o uso de inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e a participação de policiais e bicheiros.

A estrutura do grupo, conhecido como “Os Meninos” no braço digital e “A Turma” nas operações físicas, foi detalhada em relatórios da PF que basearam mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos integrantes do núcleo tecnológico, o hacker Victor Lima Sedlmaier, foi preso em Dubai em uma ação conjunta entre as polícias local, do Brasil e da Interpol, após passar menos de dois dias nos Emirados Árabes Unidos.

Sedlmaier desembarcou no Aeroporto de Guarulhos e, em depoimento, afirmou que desenvolvia softwares e prestava serviços de tecnologia para o grupo desde 2024, recebendo R$ 2 mil mensais mais bônus. A PF suspeita que ele também recebia pagamentos por meio de duas drogarias das quais era sócio com 1% de participação.

Segundo a investigação, as ordens para o núcleo hacker eram dadas por David Henrique Alves, de 23 anos, apontado como chefe do setor com um salário de R$ 35 mil mensais.

No dia 4 de março, data em que Daniel Vorcaro foi preso, Alves foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em uma estrada de Minas Gerais com um computador de mesa e três notebooks.

O veículo pertencia a Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, que havia sido preso no mesmo dia e cometeu suicídio. Alves, que não tinha mandado de prisão na época, está foragido desde quinta-feira (14).

Falsificação de documento público

A PF identificou que um dos serviços atribuídos ao grupo foi a remoção do ar de um perfil falso criado com o nome da então noiva de Daniel Vorcaro. Para isso, os hackers forjaram um ofício do Ministério Público do Ceará (MP-CE) solicitando a exclusão do perfil à empresa responsável pela rede social.

O documento continha a assinatura de uma servidora do órgão, Nayara Maria, em vez da assinatura digital da promotora de Justiça, e foi enviado por meio do e-mail institucional da funcionária. A investigação não concluiu se houve participação da servidora. A plataforma digital não detectou a fraude e removeu o perfil no dia seguinte.

Detalhes inéditos da investigação do caso Master mostram como intimidações físicas e ataques cibernéticos eram usados — Foto: Reprodução/Fantástico

Detalhes inéditos da investigação do caso Master mostram como intimidações físicas e ataques cibernéticos eram usados — Foto: Reprodução/Fantástico

Operações físicas e intimidações

De acordo com os investigadores, o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, atuava como financiador e operador do braço físico da estrutura, gerenciando o esquema de pagamentos para coagir adversários do filho.

“A Turma” era integrada por bicheiros, milicianos e policiais federais da ativa e aposentados, que faziam ameaças, intimidações presenciais, coerções e acessos indevidos a sistemas governamentais. Entre os integrantes estava Marilson Roseno da Silva, que cumpria prisão em Minas Gerais e foi transferido para o Presídio Federal de Brasília.

A perseguição ao jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, foi o fato que justificou o pedido de prisão de Daniel Vorcaro em março.

O grupo planejava “quebrar os dentes” do colunista em um assalto simulado. Mensagens obtidas pela PF de julho do ano passado mostram Vorcaro solicitando a Sicário: “preciso hackear esse Lauro”.

O intermediário respondeu: “vou mandar fazer isto. já pedi aos meninos para fazer isto. mandar no email. quer que tome o cel dele?”. O “Sicário” relatou que tentou atrair o jornalista pelo WhatsApp fingindo ser um repórter para enviar um link, mas a abordagem não avançou.

Luis Felipe Woyceichoski, ex-capitão do iate de Vorcaro, afirmou que sete homens de calça preta e coturnos o procuraram em uma marina em Angra dos Reis (RJ) enquanto ele viajava.

Posteriormente, um homem chamado “Manoel”, identificado pela PF como o bicheiro Manoel Mendes Rodrigues, ligou para o capitão fazendo ameaças. O motivo seriam vídeos gravados no barco que mostravam irregularidades que colocavam a embarcação em risco.

Leandro Garcia, ex-chef da casa de Vorcaro em Angra dos Reis, depôs que foi abordado em um hotel por dois homens. Um deles se identificou como Manoel ou Emanuel, e o outro permaneceu em silêncio. O primeiro apontou para outros seis ou sete homens sentados à distância e afirmou estar ali a mando de Daniel Vorcaro.

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