Não é Invencionice (2)

(*)Foto: acasadevidro.com
Gente, vamos falar sério. Sem invencionice ou condução coercitiva. Tudo no amor, passo a passo, tema por tema, sem precisar citar os “inseparáveis”, de amizade contemporânea, Marx e Helges.
Não é de hoje que ocorrem as trocas de favor e favorecimentos de empreiteiras no Brasil. Lá atrás, no governo Juscelino Kubitscheck, isso ganhou uma enorme força. Lembram-se da fundação de Brasília? Pois é, nessa época, muitas dessas relações foram fomentadas e fortalecidas. Ali muita gente começava a tomar gosto pela coisa, apoiando e recebendo dos governos. Não quero mexer com o espírito de Juscelino, até por que, ele tem seu valor. Quero falar do sistema.
Pulemos para os tempos atuais. O drama continuou e muito empreiteiro continuou a comandar campanhas, obras e governos. Para termos noção, um mero vereador, hoje, não se elege com menos de trezentos mil reais. Se juntar o salário que um vereador recebe, não chegamos ao investido em campanha. O que se conclui é que eles buscam parceiros e apoiadores para campanha. Eleitos, precisam devolver os favores.
Isso é um fato que nos explica parte da corrupção, não é mesmo? E como combater? Acabando com o financiamento privado de campanha. A oposição foi favorável? Não. E o PT? Sim. Calma gente não precisa ficar com ódio. É que realmente o PT apoiou o fim do financiamento de campanha. Não é invencionice minha.
Continuemos. Lembram-se do projeto de terceirização? Aquele que distancia o trabalhador dos seus direitos, favorece a fraude e precariza o emprego. Pois é. Em pouco tempo, desde a votação, já tem muita gente sofrendo com isso. Inclusive muita gente que vai dançar no dia 13. A oposição foi a favor? Foi. E o PT? Não. Calma gente, sem revolta. A crônica é no amor, no amor.
Falemos agora de reforma política. Lembram quando Dilma, logo após as manifestações de 2013 propôs um plebiscito pela reforma política? Então, a mídia abafou e ninguém da oposição apoiou. Era uma medida que poderia mudar o sistema. E porque, você, dançarino do dia 13 não se mexeu? Só porque você está sendo estimulado a não gostar dos vermelhos? Deixa de bobeira. A gente não apoia a condução coercitiva à toa. E no mais, já disse que o texto aqui é no amor.
Agora vamos à grande mídia. Todo mundo enche a boca para falar de mídia golpista quando convém. No futebol então, basta o time perder para apontarem o dedo ao favorecimento dos grandes. Na política, sem precisar ir até Marx ou Hegel, quem der uma pesquisadinha despretensiosa encontra bastante coisa. Faz uma forcinha, sem ódio. Finge que não foi um defensor do Lula que falou. Vai até 1964 e dá uma pesquisada na relação da ditadura com a Globo. Ou então, nas eleições de 1989, quando a Globo, comandada por Boni, resolveu operar pelo resultado que a convinha. Se acharem esses dois casos batidos, digitem então o caso Proconsult. E quem sabe com o esclarecimento o Brizola não aparece no sonho de vocês.
A democratização da mídia serve para tentar reverter tudo isso, tirando da mão de poucos um grande império das comunicações. A oposição debate isso? Não. E o PT? Mesmo os governos não tendo proposto explicitamente, essa é uma das bandeiras da militância petistas-gayzista-bolivariana-marxista. No amor, cheguem até lá. Dá tempo de mudar e debater.
E o judiciário? Pois é, essa gente que recebe bem para burro, agora que veio a crise, resolveu pedir aumento. A oposição apoiou visando aumentar o déficit do governo. Vocês se revoltaram? Acho que não. Mas a Dilma vetou.
Eu poderia ir um pouco além, mas vou parar por aqui. Só quero enfatizar, a vocês, dançarinos do dia 13, revoltados com o mundo, indignados com os vermelhos, que para mudar alguma coisa devemos começar a mudar a si mesmo. Só com ódio e revolta não caminharemos, ainda mais se o sentimento de indignação for seletivo. Então, deem o primeiro passo, acalmem os corações revoltosos. Trocar um nome por outro não muda o sistema. Inclusive, pelos nomes sugeridos só iremos piorar. Para mudança real é preciso atuar, debater e cobrar diariamente. E não vale ser estimulado pelo Faustão ou pelo Jornal Nacional.
No mais, parem com essa mania de querer chamar os militares para matar os esquerdistas. A gente não vai acabar. E se vocês ainda assim, acham que dançando, batendo panela, pedindo Aécio, Bolsonaro, Ditadura Militar ou batendo palma para o Moro as coisas realmente vão mudar, me deixem. Não me aborreçam. E depois não venham me dizer que tudo isso é invencionice, porque não é.
(*)Foto: acasadevidro.com

Um comentário sobre “Não é Invencionice (2)”

  1. Num possível golpe via judiciário, posso garantir uma coisa : Haverá um contra reação oriunda dos movimentos sociais. Não será igual há 52 anos.

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