IGREJA EM CRISE: entre o novo que irrompe e o velho que agoniza…

O texto é oferecido aqui nos seguintes idiomas, a continuação do texto em Português: Inglês, Espanhol, Francês e Italiano.

Segmentos que compõem o complexo espectro de nossas sociedades em profunda crise, as igrejas cristãs – dentre elas, a Igreja Católica Romana – também refletem, ainda que de modo diverso, dimensões significativas desse mesmo quadro de crise.

No caso específico da Igreja Católica Romana, dificilmente transcorre um mês, sem que se tenha notícia de algum escândalo ou, pelo menos, de algo desagradável que se passa ao interno da dessa instituição, proveniente de práticas ou de decisões desastradas, cometidas pela alta hierarquia. Nos últimos anos, isto se tem acelerado: abusos sexuais contra crianças, acobertamento dos responsáveis por tais abusos, escândalos provocados por lideranças de movimentos reacionários protegidos pelo Vaticano, medidas de perseguição e repressão contra organizações católicas respeitáveis, a exemplo da movida contra as Religiosas dos Estados Unidos (LCWR), represália contra centenas de padres austríacos, alemães, suíços, que fizeram um abaixo-assinado reclamando profundas reformas nas estruturas da Igreja, ameaças e expulsões de católicos alemães que já não concordam em pagar imposto para a Igreja, excomunhão do Pe. Roy Bourgeois – só para mencionar alguns desses casos.

Por outro lado, há muito tempo, não se vê tanta vitalidade em um número crescente de iniciativas ousadas, protagonizadas por grupos, organizações e pessoas carismáticas e proféticas, a denunciarem, com uma contundência cada vez maior, práticas autoritárias cometidas pelos altos escalões da Igreja Católica. Aqui, cumpre observar que se trata de uma variedade notável de protagonistas, incluindo membros de referência da própria hierarquia da Igreja, que levantam sua voz profética, como o fez recentemente, em seu testamento, o Cardeal Carlo Maria Martini, só para citar um único exemplo. Por toda parte, inclusive aqui no Brasil, vozes proféticas se levantam, dentro e fora da hierarquia. O grande nó da questão reside em saber qual é mesmo a missão da Igreja no mundo, a julgar pela mensagem evangélica?

Encontramo-nos, por conseguinte, num momento de profunda crise. E isto também tem seu lado purificador. O termo “crise” vem de “Krinein” (de-cidir), da mesma raiz do qual derivam termos tais como “crítica”, “critério”… Sinal de vitalidade! Sinal de que algo novo está por nascer, apesar e para além da resistência das estruturas caducas. Ocorre que, seja no âmbito das igrejas cristãs, seja na esfera das sociedades, as grandes mudanças não se dão de modo imediato. Levam décadas, por vezes, séculos. Têm a ver com as longas caminhadas. Por mais longas que sejam, as caminhadas começam sempre com o primeiro passo, seguido de outros e outros e outros…

Tampouco as mudanças dos nosso sonhos se fazem espontaneisticamente, ou a partir de cima ou de fora. Em vão se espera que as mudanças autênticas partam de iniciativa de forças dirigentes que, quase sempre, se acham em posição de vantagem. Por que mudar, se o “status quo” garante vantagens a esses segmentos privilegiados? As mudanças dignas deste nome sempre partem dos “de baixo”, de quem se acha em desvantagem. E, partindo desde baixo, também implicam, não raro, consequências doloridas. Pessoas ou grupos que se atrevem a tomar iniciativas de relevância normalmente pagam um preço alto, o que parece (quase) inevitável. Eis o que está em curso, a longo prazo, claro.

Não é, pois, segredo que estamos cercados de frequentes, graves e crescentes desafios, fora e dentro da Igreja Católica Romana. Aumenta nossa necessidade de exercitar o discernimento, a vigilância e o diálogo fraterno. Com o objetivo de seguir dialogando entre nós acerca de questões espinhosas em nossa igreja e em nossas sociedades, atrevo-me a propor-lhes alguns questionamentos, em clima de abertura, confiança e fraterna liberdade. Tomemos em consideração, por exemplo, questões tais como ordenação de mulheres, lei do celibato sacerdotal, direitos humanos ao interno da igreja.

– Será que, no enfrentamento teológico dessas questões, estamos suficientemente lembrados de que nenhuma doutrina religiosa pode pretender-se imutável, na travessia histórica? O que, no plano histórico – e é bem o caso de nossas igrejas cristãs – está isento de alteração?

– Será que levamos suficientemente em conta a própria dimensão histórica da elaboração dos textos sagrados, sem que isso afete em nada negativamente uma fé de adultos?

– O que para nós representa mesmo a humanidade de Jesus (visto que a dimensão divina não apenas não é objeto de dúvida, mas, antes, uma dimensão hipertrofiada)?

– Será que, em apenas três anos de vida pública, Jesus conseguiria (ou sequer pretendeu conseguir) ensinar a plenitude de sua mensagem, ou, antes, declarou que isto é obra do Espírito Santo – a de completar sua mensagem, conforme a maturidade dos tempos e nossa?

– Considerando que, nos habituais debates concernentes à ordenação presbiteral (e de outros ministérios) de mulheres, será que, diante dessa vocação/chamamento por Deus, temos o direito de negar, sem descambarmos – nos tempos de hoje – para práticas sexistas ou misóginas?

– Uma vez reconhecido tal direito às mulheres vocacionadas aos distintos ministérios, restaria um desafio não menos complicado: como assegurar às outras mulheres (as não vocacionadas ao presbiterato ou a alguma outra ordem), bem como ao conjunto de leigas e leigos o direito de participarem das decisões fundamentais da Igreja?

– Estamos conscientes do risco de, uma vez satisfeita tal aspiração legítima (a de reconhecer o direito às mulheres vocacionadas de se ordenarem), em vez de fortalecer, serviria para enfraquecer a luta por mudanças estruturais na forma de organização e gestão dos serviços ao interno da Igreja?

– Até que ponto a luta pelo reconhecimento deste e de outros pleitos não deve ser acompanhada ou até precedida de uma outra – de caráter estruturante: como, à luz do Evangelho, reestruturar os distintos serviços eclesiais, de modo mais próximo do Projeto do Reino anunciado por Jesus? Em outras palavras, que tipo de Igreja somos chamados a vivenciar?

CHURCH IN CRISIS: between the new which irrupts and the old which agonizes …

Threads that make up the complex spectrum of our societies in deep crisis, the Christian churches – among them, the Roman Catholic Church – also reflect, albeit differently, significant dimensions of that crisis framework.

In the specific case of the Roman Catholic Church, hardly a month goes by without news of some scandal or, at least, something unpleasant that goes inside of this institution, often due to clumsy decisions or practices committed by the high hierarchy. In recent years, this has accelerated: sexual abuses against children; cover-up of those responsible for such abuses; scandals caused by reactionary movements leaders protected by the Vatican; persecutive and repressive measures against reputable Catholic organisations – cf., e.g., the fruitfull experience of the Religious of the United States (LCWR); retaliation against hundreds of Austrian, German, Swiss priests, who made a petition complaining about profound reforms in the structures of the Church; threats and expulsions of Catholic Germans because they didn´t, no longer, agree to pay Churh-tax; excommunication of Fr. Roy Bourgeois -just to mention a few of these cases.

On the other hand, for a long time, we had not seen so much vitality in an increasing number of bold initiatives, led by groups, organizations and charismatic and prophetic people, to denounce, with an ever greater incisiveness, authoritarian practices committed by high echelons of the Catholic Church. Here, it should be noted that this is a notable variety of protagonists, including reference members of the Church hierarchy, they raise their prophetic voice, such as it occured recently, in his testament, by Cardinal Carlo Maria Martini, just to mention one example. Everywhere, including here in Brazil, prophetic voices rise, inside and outside of the hierarchy. The axial question is to to answer: which is the central mission of the Church in the world, according to the Gospel message?

We are, therefore, at a time of deep crisis. And this also has its side scrubber. The term “crisis” comes from “Krinein” (to decide), from the same root from which derive terms such as “critic”, “criterium” … Sign of vitality! It means that something new is to unborn, despite and beyond the resistance of obsolete structures. So, it happens that, either in the context of the Christian churches, or in macro-social sphere, we will not reach big changes, immediately. They take decades, sometimes centuries. They rather look like long walks. Longer walks always start with the first step, followed by another and another and another …

Neither the changes of our dreams do come from a “spontaneous” hope, nor from above nor from outside. In vain to expect authentic changes by State leaders´s initiatives. They do start, on the contrary, from those ones who, almost always, find themselves in a disfavourable position. Why should someone change something if the “status quo” guarantees his benefits and privileges?The changes worthy of this name always depart from “below”, from people who are at a disadvantage. Moreover, starting from below, it will often result painful consequences. People or groups who dare to take changing initiatives of relevance usually pay a high price, which seems (almost) inevitable. Here’s what’s going on in the long term, of course.

It is not secret that we are surrounded by frequent, severe and increasing challenges, outside and within the Roman Catholic Church. We deal, therefore, with a increasing need to exercise discernment, surveillance and fraternal dialogue. In order to follow dialoguing among ourselves about thorny issues in our Church and in our societies, I dare to propose you some questions, in an atmosphere of openness, freedom and fraternal trust. Take into account, for example, issues such as women´s ordination, priestly celibacy law, human rights inside of Catholic Church.

– After underlining such issues, are we sufficiently reminded that no religious doctrine can claim to be immutable, through the ways of history, so as beeing free from changing?

-Do we take sufficiently into account the historical dimension of sacred texts, without affecting negatively our faith of adults?

-Which does represent for us Jesus´humanity (taking into account that his divine dimension is not, not only doubtfull, but rather taken as a hypertrophied dimension)?

– Might Jesus, just during three years of his public life, have achieved – or had he plan it – his teachings in their fullness, or would he rather had stated such word, beeing followoed, in his mission, by Holy Spirit, in order to complete his message, taking into consideration our historical context and maturity?

-About women´s priesthood ordination (and for other ministries), who has the right of refussing their vocation by God, without commiting, especially in our historical context, sexist or misogynistic practices?

– Once recognized this right to women aimed to the different ministries, would remain a challenge no less complicated: how to ensure other women (not suited to the priesthood, or some other orders), as well as to laymen and women the right to participate in the fundamental decisions of the Church?

-Are we aware about the risk of, once satisfied that legitimate aspiration (to recognize the right for women to become priests and to assume other ministries), weaking rather than strengthening the struggle for structural changes in the organization and management of internal services of the Church?

-To what extent the struggle for recognizing this and other ecclesial services should not be followed or even preceded by another struggle –of a structuring character: how, in the light of the Gospel, to restructure the different ecclesial service, according to Kingdom Project of God, announced by Jesus? In other terms, what kind of Church we are called to experience?

João Pessoa, December the 6th 2012.

IGLESIA EN CRISIS: entre el nuevo que irrumpe y el vieja que agoniza…

Partes que componen el complejo espectro de nuestras sociedades en crisis profunda, las iglesias cristianas – entre ellas, la Iglesia Católica – también reflejan, aunque de manera diferente, dimensiones significativas de ese marco de crisis.

En el caso específico de la Iglesia Católica, casi no pasa un mes sin noticias de algún escándalo o, al menos, algo desagradable que se produce dentro de esta institución, a menudo debido a decisiones o prácticas inconsecuentes cometidas por la alta jerarquía. En los últimos años, esto ha acelerado: los abusos sexuales contra los niños; encubrimiento de los responsables de esos abusos; escándalos causados por los líderes de los movimientos reaccionarios protegidos por el Vaticano; medidas persecutivas y represivas contra organizaciones católicas acreditadas – véase, por ejemplo, la experiencia fructuosa de las Religiosos de Estados Unidos (LCWR); represalias contra cientos de sacerdotes austriacos, alemanes, suizos, quienes hizeron una petición a clamar por profundas reformas en las estructuras de la Iglesia; las amenazas y las expulsiones de ciudadanos alemanes católicos porque ya no acepta pagar el impuesto-Iglesia; excomunión del Padre Roy Bourgeois – apenas para mencionar algunos de estos casos.

Por otro lado, durante mucho tiempo, no habíamos visto tanta vitalidad en un número creciente de iniciativas audaces, lideradas por grupos, organizaciones y personas carismáticas y proféticas, para denunciar, con una agudeza cada vez mayor, prácticas autoritarias, cometidas por los superiores de la Iglesia Católica. Aquí, cabe señalar que se trata de una notable variedad de protagonistas, incluyendo miembros de referencia de la jerarquía de la Iglesia, alzan su voz profética, como se ha producido recientemente, en su testamento, por el Cardenal Carlo Maria Martini, solo para mencionar un único ejemplo. En todas partes, incluso en Brasil, voces proféticas se escuchan, dentro y fuera de la jerarquía. ¿La cuestión axial a responder es: que es la misión central de la Iglesia en el mundo, según el mensaje del Evangelio?

Por lo tanto, estamos en un momento de profunda crisis. Y esto también tiene su lado positivo. El término “crisis” viene de “Krinein” (de-cidir), desde la raíz misma del que derivan términos como “crítico”, “criterio”… Señal de vitalidad! Significa que algo nuevo está por nacer, a pesar y más allá de la resistencia de las estructuras obsoletas. Así, ocurre que, ya sea en el contexto de las iglesias cristianas, o en la esfera macro-social, no alcanzaremos grandes cambios, inmediatamente. Llevan décadas, a veces siglos. Más bien parecen largas caminatas. Largos paseos siempre comienzan con el primer paso, seguido por otros y otros y otros…

Tampoco los cambios de nuestros sueños vienen de una esperanza “espontánea”, ni desde arriba ni desde fuera. En vano a esperar cambios auténticos por las iniciativas de los dirigentes del Estado. Comienzan, al contrario, de aquellos que, casi siempre, se encuentran en condiciones desfavorables. ¿Por qué debería alguien cambiar algo si el “status quo” garantiza sus beneficios y privilegios? Los cambios dignos de este nombre siempre vienen desde “abajo”, de grupos y personas que están en desventaja. Por otra parte, empezando desde abajo, a menudo resultarán dolorosas consecuencias. Personas o grupos que se atreven a tomar nuevas iniciativas de carácter alternativo al sistema imperante, generalmente pagan un alto precio, lo que resulta caso inevitabl. Aquí es lo que sucede en el largo plazo, por supuesto.

No es secreto que estamos rodeados de problemas frecuentes, graves y crecientes, fuera y dentro de la Iglesia Católica. Nos vemos, por lo tanto, delante una creciente necesidad de ejercer el discernimiento, la vigilancia y el diálogo fraterno. Para seguir dialogando entre nosotros sobre cuestiones espinosas en nuestra Iglesia y en nuestras sociedades, me atrevo a proponerles algunas preguntas, en un ambiente de apertura, de libertad y de confianza fraterna. Tengamos en cuenta, por ejemplo, cuestiones como la ordenación de mujeres, la ley del celibato sacerdotal, los derechos humanos dentro de la Iglesia Católica.

¿-Después que hemos subrayado algunas cuestiones, nos recordamos suficientemente de que ninguna doctrina religiosa puede presumirse inmutable, en el curso de la historia?

¿-Tenemos suficientemente en cuenta la dimensión histórica de la elaboración de los textos sagrados, sin que ello afecte negativamente nuestra fe de adultos?

¿-Que representa para nosotros la humanidad de Jesus (teniendo en cuenta que su dimensión divina no es, no sólo objeto de duda, sino más bien tomado como una dimensión hipertrofiada)?

¿-Podría Jesús, sólo durante tres años de su vida pública, haber logrado – o tenía El tal plan -, tranmitir a sus discípulos sus enseñanzas en su plenitud, o más bien habría El afirmado que esa sería la tarea misionera del Espírutu Santo, la de completar su mensaje, teniendo en cuenta nuestro contexto histórico y nuestra madurez?

-Sobre la ordenación sacerdotal de las mujeres (y para otros ministerios también, vocación hecha por Dios, quien tiene el derecho de recusar, sin incidir, especialmente en nuestro contexto histórico actual, en prácticas machistas o misóginas?

– Una vez reconocido el derecho a las mujeres vocacionadas a distintos ministérios, restaria un desafio no menos complejo: como garantizar a las otras mujeres (las que no se sienten llamadas al presbiterato o a otros ministérios ordenados) así como a los demás laicos y laicas el derecho de participar activamente en las decisiones fundamentales de la Iglesia?

– Estamos verdaderamente atentos al riesgo de, eventualmente satisfechas las legítimas aspiraciones vocacionales de las mujeres, debilitar – en vez de reforzar – las inicitivas con vistas a cambios estructurales en la Iglesia?

– Hasta que punto la lucha por el reconocimiento de estas y otras legítimas aspiraciones de las mujeres no deberian ser seguidas – o incluso precedidas – por una otra de carácter estructurante: como, a la luz del Evangelio, reestrucurar los distintos servicios eclesiales, de acuerdo con el Proyecto del Reino de Dios, anunciado por Jesús? En otros términos: qué tipo de Iglesia somos llamados a experienciar?

João Pessoa, 6 de Diciembre de 2012.

ÉGLISE EN CRISE: entre le nouveau qui emege et le vieux qui agonise…

Composant le complexe spectre de nos sociétés plongées dans une crise profonde, les églises chrétiennes – parmi lesquelles, l’Église catholique – reflètent également, quoique différemment, des dimensions importantes de ce contexte de crise.

Dans le cas spécifique de l’Église Catholique Romaine, à peine un mois ne se passe sans que circulent des nouvelles d’un scandale ou, au moins, quelque chose de désagréable qui se passe à l’intérieur de cette institution, souvent en raison de décisions maladroites ou pratiques validées par la haute hiérarchie. Tout au long de ces dernières années, cela s’est accéléré: les abus sexuels contre les enfants; occultation des responsables de ces violations; des scandales causés par des dirigeants de mouvements réactionnaires protégés par le Vatican; des mesures persecutives et répressives contre de réputées organisations catholiques – cf., par exemple, l’expérience fructueuse des Religieux des États-Unis (LCWR); des représailles contre des centaines de prêtres autrichiens, allemands, suisses, qui ont fait une pétition révendiquant de profondes réformes dans les structures de l’Église; des menaces et des expulsions des citoyens catholiques allemands parce qu’ils se disent non plus disposés à payer a taxe de l’Eglise; l´excommunication du père Roy Bourgeois – pour ne citer que quelques uns de ces cas.

En revanche, depuis longtemps, nous n’avions pas éprouvé une telle vitalité, dont témoigne un nombre croissant d’initiatives audacieuses, dirigées par quelques groupes, organisations et personnes charismatiques et prophétique, pour dénoncer, avec une acuité croissante, des pratiques autoritaires, commises par les hautes sphères de l’Église catholique. Ici, il convient de noter qu’il s’agit d’une variété remarquable de protagonistes, y compris les membres de la hiérarchie de l’Église, ils élèvent leur voix prophétique, comme elle s’est produite récemment, dans son testament, par le Cardinal Carlo Maria Martini, juste pour mentionner un seul exemple.

Partout, y compris au Brésil, des voix prophétiques augmentent, à l’intérieur qu’à l’extérieur de la hiérarchie. La question axiale à répondre, c´est celle-ci: quelle est la mission centrale de l’Église dans le monde, selon le message de l’Evangile?

Par conséquent, nous sommes en période de crise profonde. Et cela a aussi son côté d´épuration. Le termes «crise» vient de “Krinein” (décider), de la même racine d’où dérivent les termes tels que “critique”, “critère”… Signe de vitalité! Cela signifie que quelque chose de nouveau est à naître, malgré et au-delà de la résistance des structures obsolètes. Ainsi, il arrive que, dans le contexte des églises chrétiennes ou dans la sphère macro-sociales, il ne faut pas atteindre de grands changements, immédiatement. Ils prennent des décennies, parfois des siècles. Ils ressemblent plutôt à de longues promenades. Des promenades plus longues commencent toujours par le premier pas, suivi d’un autre et un autre et un autre…

Les changements de nos rêves ne sont, non plus, un espoir «spontané», ils ne viennnent d’en haut ni en dehors. En vain, on attend des changements authentiques par des initiatives des dirigeants de l´État. Ils démarrent, au contraire, de ceux qui, presque toujours, se trouvent dans une position défavorable. Pourquoi quelqu’un bougerait-il à changer quelque chose si le «status quo» lui assure des avantages et privilèges? Les changements dignes de ce nom démarrent toujours de «au-dessous», de gens qui sont dans une situation désavantageuse. En outre, en commençant par le bas, ils résulteront souvent en douloureuses conséquences. Des personnes ou groupes qui osent prendre des initiatives en vue de changements de base, en général doivent payer un prix élevé, ce qui semble inévitable (ou presque). Voici ce qui se passe sur le long terme, bien sûr.

Il n’est pas secret que nous sommes entourés par des défis fréquents, graves et croissants, à l’extérieur et au sein de l’Église Catholique Romaine. Nous voici, par conséquent, devant un besoin croissant, celui constant à faire preuve de discernement, de surveillance et de dialogue fraternel. Afin de poursuivre le dialogue entre nous sur des sujets épineux dans notre Église et dans nos sociétés, j´ose vous proposer quelques questions, dans une atmosphère d’ouverture, de liberté et de confiance fraternelle.

Prenons, donc, en compte, par exemple, des questions telles que l’ordination des femmes, la loi du célibat sacerdotal, les droits de l’homme à l’intérieur de l’Église Catholique.

– Après avoir souligné ces questions, est-ce que nous nous rappelons suffisamment qu’aucune doctrine religieuse ne peut pas se prétendre immuable, à travers les moyens de l’histoire, comme si elle était exempte de de changement?
– Est-ce que nous prennonse suffisamment en compte la dimension historique de l´élaboration des textes sacrés, sans que cela nous affecte négativement la foi?

Qu´est-ce que l´humanité de Jésus, répresente-t-elle pour nous (compte tenu du fait que sa dimension divine n’est pas, non seulement douteuse, mais plutôt considérée comme une dimension hypertrophiée)?

– Jésus, aurait-il pu, juste dans trois années de sa vie publique, transmettre aux disciples l´ensemble complet de ses enseignments? Aurait-il voulu le faire? Ou bien, s´agit-il plutôt de la mission de l´Esprit Saint, afin de compléter son message, compte tenu de notre contexte historique et de notre maturité?

-Au sujet de l’ordination sacerdotale des femmes (et d’autres ministères), qui a le droit de refuser leur vocation faite par Dieu, sans que telle négation implique, en particulier dans notre contexte historique, une attitude sexiste ou misogyne?

– Une fois reconnu aux femes cette légitime aspiration aux différents ministères, il restera toujours un défi non moins complexe: comment va-t-on assurer aux autres femmes (n´ayant pas de vocation presbytérale ou d´autre, ainsi que à l´ensemble des laïcs – des femmes et des hommes – le droit à participer aux décisions fondamentales de l’Église?

-Sommes-nous conscients du risque, une fois assurée la légitime aspiration des femmes au presbytérat et à d´autres ministères, de faiblir plutôt que de renforcer la lutte pour des changements structurels dans l’organisation et la gestion des services à l´intérieur de l’Église?

– Dans quelle mesure notre engagement pour accomplir reconnaissande de la dignité des femmes, doit-il être suivi – voire précédé – d´un autre engagement au carctère structurel: Comment, à la lumière de l’Évangile, restructurer l´ensemble des services ecclésiaux, selon le Projet du Royaume de Dieu, annoncé par Jésus? En d’autres termes, quel genre d’Église nous sommes appelés à vivre?

João Pessoa, le 6 Décembre 2012

CHIESA IN CRISI: tra il nuovo che irrompe e il vecchio che angoscia…

Fili che compongono il complesso spettro delle nostre società in profonda crisi, le chiese cristiane – fra loro, la Chiesa cattolica – anche riflettono, seppur in modo diverso, significative quote di quel quadro di crisi.

Nel caso specifico della Chiesa cattolica, non passa quasi un mese senza notizie di qualche scandalo o, almeno, qualcosa di spiacevole che va all’interno di questa istituzione, spesso a causa di decisioni o pratiche stupide commesse dall’alta gerarchia. Negli ultimi anni, questo ha accelerato: gli abusi sessuali contro i bambini; occultazione di responsabili di tali abusi; scandali causati dai dirigenti di movimenti reazionari protetti dal Vaticano; misure persecutive e repressive contro rispettabili organizzazioni cattoliche – cfr., ad esempio, la feconda esperienza delle Religiose dei Stati Uniti (LCWR); rappresaglia contro centinaia di sacerdoti austriaci, tedeschi, svizzeri, che hanno fatto una petizione chiamando por profonde riforme delle strutture della Chiesa; le minacce e le espulsioni dei tedeschi cattolici perché essi non più, d’accordo a pagare le tasse-Chiesa; scomunica di p. Roy Bourgeois – solo per citare alcuni di questi casi.

D’altra parte, per un lungo periodo, non avevamo visto tanta vitalità in un numero crescente di iniziative audaci, guidate da gruppi, organizzazioni e persone carismatiche e profetiche, a denunciare, con una sempre maggiore incisività, pratiche autoritarie commesse da alte sfere della Chiesa cattolica. Qui, importa sottolineare che c´è una notevole varietà di protagonisti, compresi i membri di riferimento della gerarchia della Chiesa, chi alzano la loro voce profetica, come esso si è verificato di recente, nel suo testamento, dal cardinale Carlo Maria Martini, solo per citare un solo esempio. Ovunque, anche in Brasile, voci profetiche se ascoltano, all’interno e all’esterno della gerarchia. Ecco la domanda assiale è a rispondere: Qual è il ruolo centrale della Chiesa nel mondo, secondo il messaggio del Vangelo?

Siamo, dunque, in un momento di profonda crisi. E questo ha anche un aspetto positivo. Il termine “crisi” deriva da “Krinein” (decidere), dalla stessa radice da cui derivano termini come “critico”, “criterio”… Segno di vitalità! Vuol dire che qualcosa di nuovo è al nascituro, nonostante e oltre la resistenza delle strutture obsolete. Così, accade che, nel contesto delle chiese cristiane o in ambito macro-sociale, non raggiungeremo grandi cambiamenti, immediatamente. Essi prendono decenni, a volte secoli. Sembrano piuttosto lunghe passeggiate. Passeggiate lunghe iniziano sempre con il primo passo, seguito da un altro e un altro e un altro…

I cambiamenti dei nostri sogni non provengono da una speranza “spontanea”, né dall’alto né da fuori. Invano aspettarsi cambiamenti autentici dalle iniziative da dirigenti di Stato. Egli vengono, al contrario, da quelli che, quasi sempre, si trovano in una posizione senza privilegio. Perché qualcuno dovrebbe cambiare qualcosa se lo “status quo” garantisce i suoi vantaggi e privilegi? I cambiamenti degni di questo nome partono sempre da “sotto”, da persone e gruppi che sono in una situazione di svantaggio. Inoltre, a partire dal basso, spesso provocherà conseguenze dolorose. Persone o gruppi che osano prendere iniziative cambiante di solito pagano un prezzo elevato, ciò che sembra risultare (quasi) inevitabile. Ecco cosa sta succedendo nel lungo termino, ovviamente.

Non è segreto che siamo circondati da frequenti, gravi e crescenti sfide, all’esterno e all’interno della Chiesa cattolica romana. Abbiamo a che fare, quindi, con un crescente bisogno di esercitare il discernimento, di sorveglianza e di dialogo fraterno. Per seguire dialogare tra di noi su questioni spinose nella nostra Chiesa e nelle nostre società, mi permetto di proporvi alcune domande, in un’atmosfera di apertura, libertà e fiducia fraterna. Prendiamo in considerazione, ad esempio, questioni come l’ordinazione dei donne, la legge del celibato sacerdotale, i diritti umani all’interno della Chiesa cattolica.

-Dopo sottolineare tali problemi, ci siamo sufficientemente ricordati che nessuna dottrina religiosa può pretendere di essere immutabile, attraverso le vie della storia?

-Siamo sempre conscienti della dimensione storica della elaborazione dei testi sacri, senza influenzare negativamente la nostra fede?

-Cosa rappresenta per noi la umanità di Gesù (considerando che la sua dimensione divina non solamente non comporta dubbio, ma piuttosto è presa come una dimensione ipertrofica)?

-Potrebbe Gesù, solo durante i tre anni della sua vita pubblica, avere raggiunto – o aveva lui un piano così – tutti i suoi insegnamenti nella loro pienezza, o aveva lui piuttosto dichiarato essere una missione dello Spirito Santo
di completare il suo messaggio, prendendo in considerazione il nostro contesto storico e la nostra maturità?

-Circa l’ordinazione di donne al sacerdozio (e ad altri ministeri), chi ha il diritto d´ignorare la loro vocazione da Dio, senza commettere, soprattutto nel nostro contesto storico, una azione sessista?

-Una volta riconosciuto questo diritto alle donne, sarebbe rimasta una sfida non meno complicata: come assicurare alle altre donne (non chiamate al sacerdozio, o altri ministeri), come pure per quanto riguarda tutti i laici il diritto di partecipare alle decisioni fondamentali della Chiesa?

-Siamo consapevoli circa il rischio di, una volta soddisfatta la legittima aspirazione (per riconoscere il diritto alle donne di diventare sacerdoti e di assumere altri ministeri), debilitare piuttosto che rafforzare il impgno per i cambiamenti strutturali nell’organizzazione e gestione dei servizi interni della Chiesa?

-In quale misura il empegno per il riconoscimento di questo e altri servizi ecclesiali non deve essere seguito o addirittura preceduto da un altro – con un carattere strutturale: come fare, alla luce del Vangelo, per ristrutturare i diversi servizi ecclesiali, secondo il Progetto del Regno di Dio, annunciato da Gesù? In altri termini, che tipo di Chiesa siamo chiamati a vivere?

João Pessoa, 6 dicembre 2012.

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