História da África nos colégios: Vamos cumprir a lei

Há oito anos o ex-presidente Lula sancionou a lei 10.639/03, tornando obrigatório em todos os estabelecimentos de educação pública e privada o ensino da história e cultura da África e do negro brasileiro no seu currículo pedagógico.
Na prática, estamos caminhando muito lentamente por vários motivos. Além das questões políticas, religiosas e acadêmicas, outra dificuldade é a escassez de docentes preparados para lecionar as aulas. Falta também a iniciativa do poder público para por a lei em prática, com material pedagógico e pesquisa, pois existe um vasto material para ser pesquisado.
Atualmente existem mais de cinco instituições de ensino superior que incluem nos cursos de pós-graduação a história da África, em especial a Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde há uma ótima biblioteca.
Em 2005, o jornalista das organizações Globo, Ali Kamel, manifestou-se contra a lei alegando que estaríamos correndo o risco de uma divisão racial que, aliás, sempre existiu. Ela afirma que estão querendo transformar a sociedade brasileira em africanizada, pura mentira. Pela primeira vez estamos olhando o continente sem aqueles estereótipos em que as pessoas estão sempre no atraso, mas mal sabem que a África foi um continente muito avançado: berço da filosofia, astronomia, a medicina preventiva e a moderna agricultura. Com esses esclarecimentos quebra-se de vez o ciclo vicioso do preconceito.
E não para por aí, há outros ciclos a serem quebrados. Quanto à história do negro no Brasil, apresentam através dos livros de história e do senso comum que não temos um passado de luta. Simplesmente somos lembrados no contexto folclórico, que por sinal foi bem absorvido e aceito pela população. Por outro lado, o negro brasileiro é invisível nos livros de escolas, estacionamos em alguns imaginários sobre o negro: samba, feijoada, futebol e sexo, sobre esse último criou-se várias fantasias e mitos.
Precisamos passar a conhecer melhor nossos heróis, que foram e são protagonistas de suas lutas. Conheceremos Luís Gama, Luísa Mahin, Juliano Moreira, Anastácia, integrantes da Revolta dos Malês e outros anônimos que começaram a luta pela liberdade desde a entrada do primeiro escravo em solo brasileiro. Atualmente João Cândido, líder da Revolta da Chibata, e Zumbi, do Quilombo dos Palmares, são reconhecidos como heróis nacionais graças a atuação de vários movimentos sociais.
Imagine como é para uma criança negra ou jovem saber com orgulho quem foi sua gente no passado, presente e poderá repetir ou reverter o rumo da sua história no futuro. Chegará em breve em nossas vidas o momento em que o negro deixará de ser figurante. Será aquele  que teve passado brilhante, um presente com igualdade e o futuro promissor.
(*) Fábio Nogueira é coordenador de pré-vestibular comunitário e militante da Educafro.

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